3 Fevereiro, 2023

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RÚSSIA e EUA, os 88 km onde não há guerra … ?

A Rússia está aproximadamente a 88 km dos EUA no Estreito de Bering e no corpo de água entre o Alasca e a Rússia, conhecido como Estreito de Bering, duas pequenas ilhas conhecidas como Big Diomede e Little Diomede têm a característica de Big Diomede serv propriedade da Rússia e Little Diomede pertencer aos EUA.

Ora o curso de água entre estas duas ilhas tem apenas 4,02 km de largura e ainda por cima congela durante o inverno pelo que, tecnicamente, se pode caminhar, pacatamente ou não, dos EUA para a Rússia e vice versa neste gelo marinho sazonal.

Entretanto a Rússia, dada a oportunidade que o Ártico oferece, em julho deste ano, o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou um reforço da frota no Ártico e assim o país implantou 18 bases militares na região, posicionando navios de exploração de recursos naturais e submarinos de ataque nuclear sendo que em abril de 2021, o mandatário russo já tinha entrado com um pedido na comissão da ONU, reivindicando uma ampliação da área russa no Ártico em 705 mil km2. Moscou argumenta que a grande cordilheira oceânica de Lomonosov faz parte de sua ZEE.

“Nunca vimos um país que se estende sobre seus vizinhos dessa maneira, reivindicando toda a parte canadense e dinamarquesa como parte de sua plataforma continental”, escreveu Robert Huebert, da Universidade de Calgary, no Canadá, no site canadense Eye on the Arctic.

A Rússia alias investe em infraestruturas para que o Ártico se transforme numa zona de trânsito global com os seus 25 portos ao longo da costa, que podem facilitar o comércio com a Europa e a Ásia

Por outro lado a Rússia quer construir um terminal petrolífero de Mourmansk, o maior da Sibéria.

Mas a China não se fica atrás e posicionou-se internacionalmente “como um estado próximo ao Ártico” e como “uma importante parte interessada nos assuntos do Ártico” desde o lançamento em 2018 do livro branco – um documento oficial publicado pelo governo – “Política do Ártico da China”.

Alias a atividade chinesas na região, começaram nos anos 2000, com expedições, tanto científicas quanto militares e os chineses estão atentos a esta rica em recursos naturais região como parte das Rotas da Seda Polar.

Pequim já comprou minas em Nunavut, parcela canadense do Ártico, e tentou adquirir em 2020 um território de 1.100 km2 com infraestrutura portuária e um aeródromo na parte canadense da região polar e chegou a fazer parte do Conselho do Ártico como observadora, atenta à apropriação de uma antiga base americana entre a Groenlândia (da Dinamarca) e o Alasca (dos EUA).

Sendo um Estado costeiro, os EUA mantêm uma grande influência sobre o Ártico, especialmente desde que comprou o Alasca da Rússia em 1867.

O governo americano está a investir centenas de milhões de dólares na costa oeste para ampliar os portos que atendem às embarcações da Marinha e da Guarda Costeira americanas.

A Força Aérea do país também transferiu dezenas de caças F-35 para o Alasca, anunciando que o estado vai abrigar “mais caças avançados que qualquer outro lugar no mundo”.

Em 2021, ainda antes da nova configuração geopolítica resultante da guerra eslava, o Exército americano divulgou seu primeiro plano estratégico para “recuperar a hegemonia no Ártico”.

Logo que estourou a Guerra na Ucrânia, os EUA, temendo uma tentativa de expansão russa no Círculo Polar, anunciou que colocaria no Oceano Ártico três novos navios quebra-gelo, mas a Rússia, já tem mais de 50 em operação.

Pouco mais de um mês após a invasão russa ao país vizinho, a Marinha americana realizou exercícios acima e abaixo da calota de gelo polar ao norte do Círculo Ártico, e traçou um plano para proteger os interesses do país na região, alertando que uma presença fraca ali significaria que “a paz e a prosperidade serão cada vez mais desafiadas pela Rússia e China, cujos interesses e valores diferem profundamente dos nossos”.

Joffre Justino

Photo credit: Thomas Cizauskas on Visualhunt