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Aumento de diagnósticos de depressão em todo o mundo por causa do Covid-19

por Elisabeth Almeida

Novo coronavírus e o aumento de diagnósticos de depressão em todo o mundo

Desde o começo da pandemia do covid-19, causado pelo novo coronavírus, o interesse pela imunidade e o bem estar físico nunca esteve tanto em pauta e na mesma proporção temas como depressão e saúde mental nunca estiveram tanto em evidência em todo o mundo.

De acordo com relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a crise na economia e nos hospitais não sã os únicos a serem enfrentados pela população mundial e aponta uma enorme crise de saúde mental causada pela pandemia do novo coronavírus. “O isolamento, o medo, a incerteza, o caos econômico – todos eles causam ou podem causar sofrimento psicológico”, disse Devora Kestel, diretora do departamento de saúde mental da OMS.

Para o psicólogo Bruno Rodrigues, o isolamento, o desemprego e a crise econômica são grandes agravantes para quem já tem a depressão “Neste período de pandemia, muitas pessoas têm ficado tristes, mas como identificar uma pessoa deprimida? Primeiro ela desenvolve a chamada de síndrome amotivacional, perdendo a motivação e o interesse pelas coisas, ela tem uma sensação contínua de tristeza; esta pessoa terá também perda de apetite e alterações no sono e dores no corpo, causada pela tensão; falta de concentração e sentimento de culpa e perda”, disse Bruno.

“É muito importante que se entenda que um dia deprimido não é uma depressão, a doença depressão precisa de um tratamento; muitas vezes medicamentoso e psicoterapia, pois há níveis de depressão e ela precisa ser tratada como uma doença e acompanhado por um profissional da área”, explicou o psicólogo.

Amém do sentimento de tristeza e desânimo, a ansiedade tem aumentado em toda a população, até mesmo em crianças. Estudos e pesquisas emergentes indicam tais transtornos como consequência também do Covid-19 já que a pandemia causou uma mudança brusca no comportamento da sociedade, já que criança não tem mais convívio com os colegas da escola; adultos se desdobram para trabalhar no home office e dar atenção aos filhos, que agora estão 24 horas em casa e vendo planos para 2020 ruir aos poucos.

“Ainda em 2019 eu tinha a ideia de que 2020 seria O ANO para meus negócios e eu poderia tirar férias com mais tranquilidade. Como sou autônoma, tudo o que faço precisa ter um planejamento bem antecipado, para não ter problemas e, logo após o carnaval eu vi todos os meus planos sendo adiados e sem a mínima perspectiva de quando poderão ser colocados em prática”, disse a publicitária Mayara Elisa.

Ainda segundo Mayara, que tem uma marca de roupas sob medida, a luta contra o desânimo é diária “A impressão que eu tenho é que 2020 já acabou e que agora só me resta fazer planos e ações em 2021 e ainda assim rezar para que até lá não tenha outra pandemia ou crise sanitária. Já estamos em junho, parece exagero, mas logo já será dezembro e o quando o final do ano chegar virá a reflexão: o que deu certo este ano? Por isso coloquei na minha cabeça metas para este período de crise, como a venda de máscaras de tecido, que tem saído muito! Não é exatamente o que eu tinha imaginado, mas é ‘o que temos para hoje’ e vamos tentar fazer o melhor possível com as opções que temos. O que não posso é ficar parada”, concluiu.

Tais problemas como o estresse, a depressão e a ansiedade já foram pauta também da revista The Lancet Psychiatry, onde vinte e quatro especialistas destacam a necessidade de combater os impactos da pandemia na mente e no cérebro. “Todos estamos lidando com incertezas sem precedentes e grandes mudanças na forma que vivemos devido à pandemia do novo coronavírus. Nossas enquetes mostram que essas mudanças já estão tendo impactos consideráveis na nossa saúde mental”, disse Emily Holmes, pesquisadora do Departamento de Psicologia da Universidade de Uppsala, na Suécia, em nota divulgada nas redes sociais.

A revista Brain, Behavior and Immunity também publicou um artigo ressaltando a importância da saúde mental em tempos de covid-19, tendo também como comparação estudos relacionados aos efeitos no cérebro causados de pessoas que já passaram por isto, com estudos de pandemias virais respiratórias passadas, como a gripe espanhola, por exemplo e, observaram relatos de vários sintomas neuropsiquiátricos que também estão sendo pesquisados agora, em 2020 como a insônia, ansiedade, depressão, mania, suicida e delírio. Tais transtornos foram diagnosticados nos séculos 18 e 19, além do começo do século 20, com a gripe espanhola.

“As pandemias anteriores demonstraram que diversos tipos de sintomas neuropsiquiátricos, como encefalopatia, alterações de humor, psicose, disfunção neuromuscular ou processos desmielinizantes (perda do revestimento protetor das células nervosas), podem acompanhar a infecção viral aguda ou seguir a infecção por semanas, meses ou mais em pacientes recuperados”, diz o texto publicado ainda no mês de abril deste ano.

De acordo com o psicólogo Bruno Rodrigues, existem maneiras simples e práticas que podem ajudar quem convive com tais transtornos “A primeira dica é dar apoio a esta pessoa que está passando pelo sofrimento psicológico e nunca achar que é bobeira ou que ela está querendo chamar a atenção e sim enxergar a doença, que é séria. Reconhecer que esta pessoa está passando por um momento em que ela precisa de apoio e ajuda familiar e estar sempre motivando esta pessoa. É um momento de atenção, carinho e cuidado com essa pessoa, para que ela tenha forças para lutar contra a doença”, relatou.

“A vida é uma dádiva e por isso temos que aproveitar todos os momentos que temos de vida para viver muito bem, junto dos nossos, amando e nunca deixando nada para depois. Enxergar a vida com otimismo já é um grande passo para que as coisas se ajeitem. ‘A gratidão é a memória do coração’, como já dizia um ditado francês e por isso devemos ver o lado bom da vida e ter sempre estas lembranças guardadas como sinal de esperança por dias melhores”, concluiu o psicólogo.

Elisabeth Almeida

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