Home Opinião Aristides de Sousa Mendes: a Subversão e a Humanidade

Aristides de Sousa Mendes: a Subversão e a Humanidade

por Mafalda Gomes

“Não poderia agir de outra forma e assim aceito tudo o que me aconteceu com amor.” Esta conhecida frase de Aristides de Sousa Mendes, exemplifica o trabalho do cônsul que desafiou as ordens de Salazar, e salvou muitas vidas da morte. 

O congresso “Os Universos do Refugiado: Repensar a Migração Forçada” realizou-se nos passados dias na Biblioteca Nacional, com muitos intervenientes e debates sobre a migração, a guerra, a identidade, a comunidade…  

No meio destes painéis, um dos netos de Aristides de Sousa Mendes foi convidado para explicar o percurso do avô, que continua a ser um exemplo de luta para muitas pessoas, e salvou muitos refugiados da morte certa.  

Aristides de Sousa Mendes nasceu no distrito de Viseu, em Cabanas de Viriato, no ano de 1885. Formou-se em direito, casou com uma prima e teve 14 filhos. Começou a carreira diplomática em 1910, e como cônsul passou pelo Brasil, EUA, Bélgica, Espanha, Luxemburgo e por último França.

Durante a segunda guerra mundial, Portugal manteve uma posição estratégica de neutralidade, (mais próxima do lado Alemão), e quando Aristides era cônsul em Bordéus, o governo português emitiu a “Circular 14”. O despacho ordenava que os diplomatas negassem vistos a todos os refugiados, que não tivessem de um bilhete para o continente americano. Ainda assim estas pessoas com bilhete, teriam de ser analisadas pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, que confirmava ou recusava o pedido de asilo.

Dia 14 de Junho, Paris é ocupada pelas tropas nazis e o governo muda-se para Bordéus. De 17 a 19 Junho foi o período que o consulado emitiu mais vistos. Há um desacordo académico sobre quantos vistos Aristides cedeu, mas os números mais aceites rondam os 30 mil.

Esta insubordinação provocou o afastamento de Aristides de Sousa Mendes para todo o sempre de cargos estatais.

“Os feitos do meu avó foram reconhecidos em muitos pontos do mundo, em Portugal só recentemente se começou a valoriza-lo” disse o neto António Moncada de Sousa Mendes. A casa de Aristides de Sousa Mendes, em Cabanas de Viriato, foi restaurada por fora, e o neto garante que “há fundos da União Europeia para reabilitar o seu interior, mas por alguma razão ainda não começaram…”

Num mundo que cada vez mais se afasta por fronteiras, o exemplo de Aristides Sousa Mendes continua a fazer sentido de ser mencionado, pois “acho que o meu avó é um exemplo de coragem e luta”, concluiu o neto.

Fotografias: Rogerio Miguel Puga

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