Home Opinião Brasil e Bolívia disputaram provocações no pacto pela Amazônia

Brasil e Bolívia disputaram provocações no pacto pela Amazônia

por Silvio Reis

Se depender do governo brasileiro, o Pacto de Letícia, que teve assinatura de sete dos nove países amazônicos, foi um encontro meramente diplomático. Na reunião realizada na Colômbia, em 06.09, o presidente Bolsonaro participou por videoconferência e foi representado pelo ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo.

Os dois brasileiros preferiram causar polêmica. Diante de um desmatamento que cresceu 222% em agosto, o chanceler Araújo afirmou que a Amazônia não está queimando. “Tivemos incêndios este ano um pouco mais do que no ano passado, mas um pouco abaixo da média dos últimos 20 anos”.

Bolsonaro preferiu criar atrito com o presidente boliviano Evo Morales, em reação a comentários feitos no encontro: “O lucro e o consumismo de alguns ameaçam a vida de muitos”, disse Morales, que definiu os incêndios na Amazônia como “sintomas que devem nos levar a identificar as causas do aquecimento global e ações urgentes para salvar o mundo.”

“Um parece que não estava integrado a nós e disse até que o capitalismo está destruindo a Amazônia, como se no país dele não tivesse ocorrido as maiores queimadas, muito maior que na Amazônia (brasileira)”, disse Bolsonaro.

O Pacto de Letícia foi assinado pelo Brasil, que detém 60% do território amazônico, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname. Não houve representante da Guiana Francesa. A participação da Venezuela foi vetada por Bolsonaro.

Evo Morales comentou sobre a falta de Nicolas Maduro: “Como é possível por diferenças ideológicas estarmos distantes? Por cima das diferenças estão os direitos da mãe Terra.” Pelo Twitter, o presidente boliviano fez marketing político e chamou Emmanuel Macron de hermano. Agradeceu o líder francês pela “solidariedade e disposição em trabalhar” no combate às queimadas da Amazônia. Ainda afirmou que é urgente cumprir o Acordo de Paris.

Fazer oposição a Jair Bolsonaro tem aumentado a popularidade dos candidatos Alberto Fernández e Cristina Kirchner, que concorrem à presidência na Argentina, e de Evo Morales, que disputa o quarto mandato na Bolívia.

Imagem destaque: Encontro de países amazônicos na Colômbia. Foto: AFP

Silvio Reis, jornalista brasileiro

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