Home Opinião Brasil: “Três mil estupros em serviços de saúde: nem em centros cirúrgicos e UTIs mulheres estão a salvo”

Brasil: “Três mil estupros em serviços de saúde: nem em centros cirúrgicos e UTIs mulheres estão a salvo”

por Silvio Reis

Mesmo sem dados oficiais, uma reportagem do Intercept Brasil registrou 3.515 casos de violação à mulher, em unidades de saúde de dez estados brasileiros.  Desse total, ocorreram 3.005 estupros entre 2014 e 2019.

Dos 27 estados brasileiros e o Distrito Federal, a reportagem solicitou informações a 20 secretariais estaduais de Segurança sobre registro de estupro, violação sexual mediante fraude, assédio sexual, atentado violento ao pudor e importunação ofensiva ao pudor.

As 17 respostas obtidas posicionam a liderança do Amapá, com um total de 1.781 casos e 1766 estupros. São Paulo vem na sequência com 1.114 registros. Os 854 estupros aconteceram em 15 estabelecimentos: hospitais, asilos, hospitais psiquiátricos, consultórios médicos e dentários, laboratórios e postos de saúde. Minas Gerais aparece em 3º lugar com 239 casos.
Estes números levariam a providências imediatas e criação de políticas públicas mais rígidas por parte de três ministérios: Saúde, Justiça e Mulher, Família e Direitos Humanos. No entanto, é previsível que este antigo problema se mantenha sem visibilidade, em especial neste momento político em que cerca de 200 congressistas são favoráveis à Frente Parlamentar em Defesa da Vida e contrários ao aborto.

Médicos e enfermeiros são os principais agressores contra mulheres internadas, familiares acompanhantes e cuidadoras de pacientes. Em hospitais particulares e públicos São Paulo, 16 estupros aconteceram em CTIs UTIs;  quatro foram em centros cirúrgicos. Seis estupros se deram na recepção do hospital. Funcionários se negam a denunciar  ou testemunhar para não perderem o emprego.

A prática mais utilizada nesses crimes são anestesias e sedativos que  causem, posteriormente, esquecimento ou confusão em relação ao fato. O sedativo Midazolam tem a vantagem de ser liberado pelo corpo após 48 horas da aplicação, sem deixar provas do crime. As vítimas que denunciam a agressão enfrentam a indiferença dos hospitais, que tentam abafar o caso.

A reportagem procurou quatro conselhos profissionais. O Federal de Medicina, de Psicologia e Odontologia não retornaram. O Conselho Federal de Enfermagem passou as informações solicitadas.

Não foram citados os nove estados do Nordeste, nem os três do Sul do país. As três cidades brasileiras mais ricas, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, disputam números com quatro estados do Norte e dois do Centro-Oeste do país. 

Reportagem completa: https://theintercept.com/2019/04/28/estupros-servicos-saude/

Imagem destaque: ilustração reportagem do Intercept Brasil

Silvio Reis, jornalista brasileiro

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