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Soares com Alegre como devia ter acontecido

por Joffre Justino

Surge pois esta nova edição do romance “Alma”, de Manuel Alegre, publicada e é essa a grande novidade com um prefácio do ex-Presidente da República Mário Soares, surgindo quase que, como um abraço de Paz entre os dois.

Mário Soares aliás afirma esta obra como “um grande romance de genuína ficção, criativo, original, transfigurado”.

Na verdade a 16.ª edição de “Alma”, inclui ainda, no final, um curto texto do escritor Luiz Pacheco, sobre o romance, retirado do seu livro “Isto de Estar Vivo” (2000), no qual afirma que Manuel Alegre consegue nesta narrativa “uma emotiva incursão na sua infância, ao mesmo tempo que nos vai desdobrando o panorama de uma povoação provincial com o seu dia-a-dia marcado pela repressão e medo salazarista”.

Ja Mário Soares realça: “‘Alma’ é um grande romance: é a história de uma terra de província, num dado momento histórico, com as suas personagens, o seu ritmo, as paisagens, o rio, os animais, especialmente os peixes e os pássaros, e um certo halo nostálgico da infância, recriada por uma memória intacta, límpida, selectiva, precisa nos mais ínfimos pormenores. Haverá a tentação de identificar ‘Alma’ com Águeda: erro grave, julgo … Alma’ é um grande romance de genuína ficção, criativo, original, transfigurado”, escreveu Soares sendo aur este texto agora recuperado como prefácio foi o da apresentação crítica do romance, lido em 21 de dezembro de 1995, em Lisboa.

Pacheco, dirigindo-se ao autor, afirmou: “Este seu romance pede, e exige, continuação. Trata-se de um testemunho precioso numa prosa tão directa e certeira como impregnada de emoção e sageza” e Soares, por seu turno disse: “Não nos deixe com água na boca. Meta mãos ao trabalho. Conte-nos, depressa, o resto da história. Ou será que, ao contrário do que nos quiseram fazer crer há alguns anos, não estamos a viver o fim da História? E teremos de persistir nos nossos velhos combates?”.

Edição a adquirir claro pela obra e pelo abraço que representa entre dois homens que viveram uma zanga inútil.

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Joffre Justino

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