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A violência sobre crianças em Portugal

por Joffre Justino

Um estudo aplicado na Área Metropolitana do Porto ( mas que duvidosamente variaria muito nas outras Regiões) mista que uma em cada 10 crianças desta Área Metropolitana é vítima de violência grave e que tal  afeta o funcionamento do sistema imunitário, conforme esse estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP).

Feito num projeto o  Geração XXI, que acompanha crianças da Área Metropolitana do Porto desde o nascimento, conclui que 10% dos menores também sujeitos a testes psicológicos para medir o nível e a frequência dos maus-tratos físicos a que são sujeitas sofreram agressões graves como serem batidas com cinto ou objeto duro ou queimadas com frequência.

Tendo sido cruzados  os dados sobre agressões com a análise ao sangue das crianças, nomeadamente com o valor da proteína C-Reativa, que serve de indicador sobre o nível inflamatório do organismo em declarações ao Jornal de Notícias , o presidente do ISPUP, Henrique Barros, disse que “as crianças que no dia-a-dia experienciam formas de disciplina parental mais violenta vivem numa situação de tempestade inflamatória que lhes vai causar doença na vida adulta” e por isso estas crianças estão inseridas no grupo de maior risco de virem a desenvolver doenças cardiovasculares, metabólicas, hipertensão, entre outras.

Os resultados do estudo, que vai ser publicado em breve numa revista científica, indicam que entre as crianças de sete anos que sofrem castigos corporais, 58% apresentam valores de inflamação elevados, quase o dobro das que não são vítimas de maus-tratos.

O estudo conclui ainda que as mães que foram vítimas de violência doméstica durante a gravidez batem mais nos filhos (13%) do que as que não foram expostas a maus tratos (7%) como refere  que a violência sobre as crianças é menos frequente nas famílias monoparentais do que nas biparentais e que as crianças cujos pais têm mais escolaridade, de profissões mais qualificadas e rendimentos mais altos reportaram mais agressões psicológicas e castigo corporal mas formas de violência mais graves são mais frequentemente reportadas pelos filhos de pais com posição socioeconómica mais baixa”, conclui-se no estudo.

Foto de destaque: Getty image

JJ

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