Home América Latina 100 anos de Clarice Lispector

100 anos de Clarice Lispector

por Carolina Rodrigues

Não há nada mais caro ao escritor que o vazio das palavras. Somente aquele que escreve sabe que por mais que se diga, há sempre um por dizer que escapa ao fio da linguagem. E no vácuo entre o dito e o não dito, reside a verdade de todo escritor. Ali, onde o elo falta, a imaginação cria e recria, e as letras que bordeiam as páginas ganham vida, estatuto de verdade, sempre, independente da fantasia que supostamente comporte.

Clarice Lispector, escritora brasileira nascida na Ucrânia, talvez tenha sido uma das mais geniais  escritoras de todos os tempos, justamente por ter sido aquela que melhor tenha expressado o vazio. No por dizer de cada frase, uma vastidão de verdades a serem inventadas, porque ela mesma não queria ter “a terrível limitação de fazer sentido”. O que ela dizia (e ainda nos diz) é sempre um semidito com pretensão de vir-a-ser no universo de cada leitor. 

Por isso Clarice é verbo que jamais se conjugará no pretérito. É a linguagem viva que promove criação, sempre no presente que a atualiza nos olhos de cada leitor. Hoje, como sempre, é tempo necessário de claricear !

Carolina Rodrigues 

Nota do editor:

Clarice Lispector nasceu numa família judaica russa que emigrou para o Brasil, ainda pequena, em 1922, com seus pais e duas irmãs.

Clarice entretanto dizia não ter nenhuma ligação com a Ucrânia – “Naquela terra eu literalmente nunca pisei: fui carregada de colo” – e que sua verdadeira pátria era o Brasil. 

Estudou Direito mas os seus interesses eram mais literários, enquanto escritora, jornalista, contista e ensaista tornando-se uma das figuras mais influentes da literatura modernista do Brasil.

Suas principais obras – Perto do Coração Selvagem, A Hora da Estrela, Um Sopro de Vida.

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