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E Maio Nasceu …fora de 68…

por Joffre Justino

O primeiro 1º de maio nasceu para mim em 1970 no Porto e lá estava eu a um canto e no outro bem perto o Pedro Baptista que como eu apreciava a Praça tal como eu à espera que algo acontecesse…aproximei-me e perguntei vai haver algo e ele disse vamos ver e eu segui para não pôr em causa qualquer ato clandestino que me escapasse…

Não houve nesse meu primeiro 1º de maio qualquer maio ficando igual a tantos outros vividos em Luanda e regressei a casa com aquela sensação de abandono pois à vista não havia classe operária combativa naquele Porto de 1970…

E eu que em Luanda sonhava depois do Maio 68 que em Portugal se combatia contra o fascismo e contra o colonialismo dei de caras com aquela sensação de vazio de não luta e pensei9 cá para comigo que se dane a classe operária haja mas é quem lute os estudantes de Paris tinham razão e passei a inundar a associação de estudantes da faculdade de economia do Porto dos panfletos do ISCEF a económicas de lisboa onde ia fim de semana sim fim de semana sim à boleia ou de comboio, o da meia noite que me fazia chegar manhã cedo a casa dos meus angolanos amigos na casa que depois foi de Angola…

No entanto já tinha havido no 31 de janeiro de 1970 uma manife contra a Guerra Colonial onde o meu pai me acompanhou na verdade para me proteger e tinha realmente sido uma mainfe da estudantada mas também  com putos como eu mas estivadores trazidos à luta pelo PCP e daí mais ainda a minha desilusão acho…

Maio, Maio foi o 68 foi a explosão que correu mundo tendo chegado até Luanda via nos noticiários dos intervalos dos cinemas, via noticias jocosas dos media fascistas, via o Paris Match  do qual guardei foto que me acompanhou anos fora até se perder numa das muitas voltas da minha vida.

O Maio Libertário o Maio da Revolução Sexual, o Maio anti capitalista, o Maio anti poder, todos os poderes, o Maio da luta de paralelepípedos de pedra lançados aos policias pelos estudantes os cabeludos os hippies os petit bourgeois que saltaram e assaltaram as ruas de Paris e depois planeta fora vindos antes dos EUA de Berkeley…

Ao ponto de se dizer, Referendo(?), vamos para a Praia (!) desprezando o Poder, todos os Poderes….porque até o poder democratico corrompe( o absoluto corrompe claro absolutamente…) e de tudo parecer acabar como começou, com pouco…

Não, não foi com pouco e 1989 mostrou como não foi com pouco pois se a URSS se suicidou o Maio 68 ficou e por cá há-de voltar explodindo em absurda razão como a Maria da Fonte aparentemente inexplicável politicamente incorreta razão porque a revolução é para poetas e sonhadores …e nunca acabará de aparecer assim em explosão apaixonada quase que sem razão…como todas as humanas razões.

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Joffre Justino

 

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