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Macià e Companys – Heróis da República Catalã

por Joffre Justino

É importante esclarecer, aqui por Portugal, esta complexa história Catalã, que aliás, gera que ainda hoje, o que foi chamado de número dois socialista, José Luís Carneiro, (Ana Catarina Mendes não deve ter gostado muito de tal “definição” e, aliás, nem Ferro Rodrigues, atual Presidente da Assembleia da Republica deve ter apreciado este conceito) garanta que as relações são “muito boas e positivas”, entre o PS e o PSOE, sendo aliás “historicamente muito positivas e têm, nos últimos tempos, ganho um alcance construtivo muito relevante e esse alcance é tão relevante por quanto contribui para a qualificação da presença dos dois países no centro da agenda política europeia”, sem se perceber lá muito bem de que qualificação se trata….

Após uma reunião a embaixadora de Espanha em Portugal, Marta Betanzo Roig, José Luis Carneiro referiu ainda que António Costa, juntamente com Pedro Sánchez, é um “interlocutor relevante na construção do projeto europeu” e que “o que houve foi uma posição de alguns deputados da Assembleia Municipal de Lisboa”, minimizando esta Assembleia da Capital portuguesa e com a esfarrapada desculpa “Como se sabe o poder local em Portugal goza de total autonomia,…”para aceleradamente vir dizer, “ mas a Câmara Municipal de Lisboa emitiu um comunicado dando conta de que só as decisões tomadas em sede de câmara municipal vinculam a Câmara Municipal de Lisboa, vinculando também por um lado o respeito pelo Estado espanhol, pela sua constituição e pelas suas leis, o mesmo que é dizer que é uma posição de fundo e de sempre do PS”, para ter de ouvir, (bem feita que as direitas são assim, não perdoam), a embaixadora das Espanhas em Portugal, Marta Betanzo Roig, insistir que o primeiro-ministro tem uma “relação ótima com o Governo espanhol”, mas claro direitinhas que é, acentuar, “sempre a teve, não só com o Governo socialista, mas também com o Governo de Mariano Rajoy”, o ultra conservador Rajoy!

E a embaixadora acrescenta que “… as relações entre Portugal e Espanha são absolutamente estratégicas”, mas nada dizendo sobre a falta de água no Tejo, roubada pelos espanhóis madrilhenos a Portugal, dificultando a vida a agricultores e pescadores deste lado da fronteira, e ajudando com a desertificação que geram, a este desastre climático global que, a fingir, em Madrid dizem que querem combater!

Falta, (duvidamos que falte, mas…) a José Luis Carneiro, alguma informação histórica que aqui lhe deixamos, (provavelmente faltará também à srª Roig…), quanto às lutas Catalãs pela Independência e pela República, que vale a pena recordar, e assim relatemos brevemente a História de duas essenciais personalidades Ibéricas e Catalãs – Francesc Maciá i Lussà e Lluís Companys

 O primeiro, Francesc Macià i Llussà  um militar, político independentista e Republicano catalão e Presidente da Generalitat de Catalunya assumido historicamente pelos Catalães, carinhosamente como o Avô, foi quem proclamou a República Catalã com uma “curiosidade” que relataremos de seguida.

Na verdade, a 14 de abril de 1931, depois das eleições municipais espanholas de 1931 que deram a maioria ao seu partido, a Esquerra Republicana de Catalunya, Macià foi ao local da presidência da municipalidade de Barcelona para “tomar posse” e o ex-presidente da municipalidade, Joan Maluquer, respondeu com a castelhana arrogância, “só lhe cederei o palácio pela força”, ao que  Macià, pondo-lhe a mão sobre os ombros respondeu,  “considere-a um ato de força”.

Macià, da varanda do Palácio do ainda Município proclamou a “República Catalã” e cá vai a surpresa, “dentro de uma federação de Repúblicas ibéricas”, dando cumprimento ao Pacto de San Sebastián, de 1930, poucas horas antes que Niceto Alcalá-Zamora proclamasse a república em Madrid.

Ora esta declaração de Macià preocupou a governação provisória da república das Espanhas, que enviou de avião a Barcelona, no dia 17 de abril, os ministros Fernando de los Ríos, Marcelino Domingo, e Lluís Nicolau d’Olwer e depois de tensas conversações, chegou-se ao acordo que o conselho formado em Barcelona atuasse como governo da Generalitat da Catalunha, recuperando um nome histórico no qual ninguém tinha pensado dantes, e que permitiu resolver o conflito e abrir caminho a uma nova forma de autonomia catalã, sabendo-se que o governo provisório catalão tinha como uma das suas missões principais impulsionar a redação de um estatuto de autonomia.

Por tal nasceu a realização de uma conferência que, reunida em Núria, ultimou o seu anteprojeto no dia 20 de junho de 1931, texto que foi submetido a consulta aos municípios catalães, e que se pronunciaram a favor, assim como dos eleitores da Catalunha, com um resultado avassalador.

A Catalunha surgia então como um estado autónomo dentro a Segunda República Espanhola e esta como uma federação voluntária de povos adiantava-se ao processo constituinte espanhol, que teria de ser a tarefa do parlamento que surgiria das eleições gerais a celebrar a 28 de junho do mesmo ano.

Na verdade, a Constituição da Segunda República espanhola, aprovada o 9 de dezembro de 1931, infelizmente não estabeleceu um Estado federal, mas sim um «Estado integral compatível com a autonomia de municípios e regiões», não se adaptando  o Estatuto de Núria.

Macià foi Presidente da governação provisória da Generalitat de 28 de abril de 1931 (posterior à efémera governação da República Catalã de 14 de abril) e nas primeiras eleições ao Parlamento da Catalunha, depois da aprovação do estatuto, foi eleito Presidente e dirigiu o primeiro governo da Generalitat desde 14 de dezembro de 1932 até a sua morte, em 1933.

Sucede-lhe um outro herói Catalão,  Lluís Companys, também da Esquerra Republicana de Catalunya, um político  e advogado  de ideologia catalanista e republicana, líder da Esquerda Republicana da Catalunha e portanto, depois, Presidente da Generalitat da Catalunha desde 1934, durante a Guerra Civil Espanhola 

Exilado após a Guerra Civil, foi capturado por um agente da polícia fascista  franquista que colaborava com a  Gestapo e extraditado para a Espanha, foi barbaramente torturado, e submetido a uma farsa de Conselho de Guerra para ser  fuzilado

Ficar pois ao lado dos que teimam com as asneiras madrilhenas é, como já até referimos errar até no percurso da História Republicana e Socialista portuguesa, pelo que cada um que se fique na asneira, mas não manipule!

Joffre Justino

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