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López Obrador e Bolsonaro, uma diferença radical

por Joffre Justino

Obrador, líder da Esquerda Democrática, respeita no México o que Bolsonaro, fascista, no Brasil quer destruir – as comunidades indígenas

Numa festa marcada pela participação dos povos ancestrais americanos que habitam o país desde antes da chegada dos espanhóis, além dos afrodescendentes, Obrador recebeu de representantes de 68 povos o Bastão Sagrado, símbolo do mando e da submissão à vontade popular, no Zócalo, a Praça da Constituição construída sobre as ruínas de Tenochtitlán, capital e símbolo maior da civilização asteca, e a poucos metros da Catedral Metropolitana. 

Ao contrário do lamentável exemplo do presidente eleito do Brasil, que grita pelo  fim dos direitos dos povos indígenas para favorecer o agronegócio e a exploração latifundiária,  a cerimônia de posse do novo presidente do México,  Andrés Manuel Lopez Obrador constituiu uma das mais emocionantes cenas já vistas no Ocidente em momentos semelhantes.

Vale realçar que esta a primeira vez que um presidente mexicano recebeu o Bastão Sagrado, o que constitui um verdadeiro exemplo de compromisso de López Obrador com uma política séria de inserção sóciocultural de todas as comunidades tradicionais mexicanas)

Vencedor com uma maioria clara de 53%  (30 milhões de votos)
 das eleições de julho do ano passado,  Andrés Manuel López Obrador tornou-se um dos presidentes mais votados na história do México

Numa reportagem sobre a tomada de posse de Obrador, o portal de notícias Brasil 247  reproduz a mensagem “ Aqui está o bastão, o símbolo com o qual você vai liderar o nosso povo. Queremos lembrar-lhe que queremos ser levados em conta nos seus planos para estes 6 anos”, disse um dos indígenas participantes nà cerimônia.

Após o ritual de purificação, Obrador reafirmou o seu compromisso “de não mentir, não roubar e não trair o povo do México” e de que todos os programas de seu governo terão a população indígena como prioridade. “É uma vergonha, uma vergonha, que nossos povos nativos tenham vivido durante séculos sob a opressão e o racismo, com a pobreza e a marginalização em suas costas “, disse Obrador para uma multidão de 160 mil pessoas presentes no Zócalo.

Mas enquanto os ventos progressistas parece soprarem no México com una nova e pujante energia, no Brasil vive-se uma crescente e selvática vaga de ocupação e desflorestação das terras indígenas e a exigência de que os seus habitantes abandonem esses seus espaços tradicionais, num clamoroso atentado aos mais elementares direitos dos povos  indígenas  e, em última instância da floresta tropical húmida da Amazónia,  o maior pulmão do planeta Terra 

Num quadro destes, é pois cada vez mais inaceitável que Portugal se faça representar na posse de Bolsonaro em Janeiro próximo, mesmo que através do seu embaixador em Brasília,

Joffre Justino

Foto de destaque: vermelho /  jacobin.

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