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BOLSONARO É ELEITO O CORRUPTO DO ANO

por Paulo Martins

O Projeto de Reportagem sobre Corrupção e Crime Organizado (OCCRP, em inglês), um consórcio global de jornalistas investigativos ligado a projetos como o Panama Papers, acaba de eleger o presidente Jair Bolsonaro como a Pessoa Corrupta do Ano. A escolha aconteceu ontem, quarta-feira, 30 dias após a votação de um conselho de profissionais que cobrem a área.

O “antiprêmio” é mais do que merecido. 

Bolsonaro foi eleito na esteira de uma campanha anticorrupção comandada pelo Juiz Sérgio Moro, que comandou a famigerada operação Lava-Jato, que tinha como principal objetivo impedir a candidatura do ex-presidente Lula à presidência da República e abrir caminho para o advento do fascismo no país. 

Eleito, demonstrou que, ao contrário do que proclamava, estava umbilicalmente ligado a uma série de atividades corruptas, com base, principalmente, em sua própria família; logo se acercou de figuras corruptas de todos os matizes, inclusive milicianos e criminosos condenados; vem travando uma guerra declarada pela destruição da Amazônia, mancomunado com os piores tipos de proprietários de terra do país, além de manter uma linha de ataque à justiça que se alimenta de uma retórica de ódio e de depreciação das instituições democráticas.

Com o advento do novo coronavírus, sabotou continuadamente a campanha contra a pandemia, sendo responsável potencial pela morte mais de 195 mil pessoas até agora, e deixando o Brasil completamente despreparado para enfrentar os novos desafios e esperanças que a fabricação da vacina contra o coronavírus trouxe para a humanidade. 

O Governo Bolsonaro até hoje ainda não assegurou a compra de vacinas, colocando o país numa situação extremamente perigosa, pois nem mesmo seringas o Ministério da Saúde preveniu para implementar uma campanha de vacinação, na hipótese de dispor das vacinas. O Brasil é um dos países mais atrasados do mundo ocidental na implementação de uma campanha de vacinação. 

Para Bolsonaro, são os laboratórios que devem procurar o Brasil, “grande consumidor de vacinas”, e não o contrário. Já declarou publicamente que ele não tomará a vacina, com a intenção explícita de desestimular a campanha de vacinação, o contrário do que acontece no mundo civilizado, em que as autoridades são as primeiras a se vacinarem, para darem o exemplo e estimularem a vacinação. 

O caso é tão grave que vários juristas já ensejam um processo de genocídio a transcorrer no Tribunal Internacional de Justiça em Haia.

Por tudo isso, as denúncias contra Bolsonaro entraram em novo ritmo. 

Com a próxima renovação da mesa diretora na Câmara de Deputados, cresceram as esperanças de que um pedido de impeachment ganhe força e tenha curso no Congresso. Esta semana um artigo do promotor de justiça Paulo Brondi, do Ministério Público de Goiás, publicado em março passado, foi reproduzido nas redes sociais, ganhou força e viralizou, pela contundência e veemência, e pela coragem com que desmascara aquele que já aparece como o maior inimigo do Brasil em todos os tempos. 

Até blogs de largo espectro como o de Juca Kfouri, o publicou. É coisa rara, tratando-se de uma autoridade pública, o que pode até acarretar represálias contra Paulo Brondi, segundo o pensamento de muitos dos comentaristas que o vêm apoiando nas redes. 

Isto se deve à forma sincera e corajosa como o articulista traçou o panorama daqueles que detêm as rédeas do poder central no Brasil de hoje. 

O Novoblogdodimitri, que republicou o artigo em primeira mão, captou assim uma dessas manifestações, de autora que preferiu não identificar:

“Parabéns pelo texto. É preciso coragem para falar abertamente verdades cruas a respeito da ‘familícia’. Só espero que você não seja perseguido por isso”.

Constatem aqui o poder de fogo desse texto viral e impiedoso:

O QUE É O BOLSONARISMO

Por Paulo Brondi

Bolsonaro é um cafajeste. Não há outro adjetivo que se lhe ajuste melhor. Cafajestes são também seus filhos, decrépitos e ignorantes. 

Cafajeste é também a maioria que o rodeia.

Porém, não é só.

E algo que se constata é pior. Fossem esses os únicos cafajestes, o problema seria menor.

Mas, quantos outros cafajestes não há neste país que veem em Bolsonaro sua imagem e semelhança?

Aquele tio idiota do churrasco, aquele vizinho pilantra, o amigo moralista e picareta, o companheiro de trabalho sem-vergonha…

Bolsonaro, e não era segredo pra ninguém, reflete à perfeição aquele lado mequetrefe da sociedade.

Sua eleição tirou do armário as criaturas mais escrotas, habitués do esgoto, que comumente rastejam às ocultas, longe dos olhos das gentes.

Bolsonaro não é o criador, é tão apenas a criatura dessa escrotidão, que hoje representa não pela força, não pelo golpe, mas, pasmem, pelo voto direto. 

Não é, portanto, um sátrapa, no sentido primeiro do termo.

Em 2018 o embate final não foi entre dois lados da mesma moeda. Foi, sim, entre civilização e barbárie. 

A barbárie venceu. 57 milhões de brasileiros a colocaram na banqueta do poder.

Elementar, pois, a lição de Marx, sempre atual: “não basta dizer que sua nação foi surpreendida. Não se perdoa a uma nação o momento de desatenção em que o primeiro aventureiro conseguiu violentá-la”.

Muitos se arrependeram, é verdade. 

No entanto, é mais verdadeiro que a grande maioria desse eleitorado ainda vibra a cada frase estúpida, cretina e vagabunda do imbecil-mor.

Bolsonaro não é “avis rara” da canalhice. 

Como ele, há toneladas Brasil afora.

A claque bolsonarista, à semelhança dos “dezembristas” de Luís Bonaparte, é aquela trupe de “lazzaroni”, muitos socialmente desajustados, aquela “coterie” que aplaude os vitupérios, as estultices do seu “mito”. 

Gente da elite, da classe média, do lumpemproletariado.

Autodenominam-se “politicamente incorretos”. 

Nada. 

É só engenharia gramatical para “gourmetizar” o cretino.

Jair Messias é um “macho” de meia tigela. É frágil, quebradiço, fugidio. Nada tem em si de masculino. É um afetado inseguro de si próprio.

E, como ele, há também outras toneladas por aí.

O bolsonarismo reuniu diante de si um apanhado de fracassados, de marginais, de seres vazios de espírito, uma patuléia cuja existência carecia até então de algum significado útil. 

Uma gentalha ressentida, apodrecida, sem voz, que encontrou, agora, seu representante perfeito.

O bolsonarismo ousou voar alto, mas o tombo poderá ser infinitamente mais doloroso, cedo ou tarde.

Nem todo bolsonarista é canalha, mas todo canalha é bolsonarista.

Jair Messias Bolsonaro é a parte podre de um país adoecido.

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