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A Instável Democracia na Europa

por Joffre Justino

Da Bulgária à Sérvia, Hungria até ao norte como a Polônia e Bielorrússia, esta área vagamente definida como Europa Oriental não está a ter um verão pacífico.

Entre a pandemia do Covid-19, às medidas de bloqueio/controlo e aos picos de infeção, os países da região estão envolvidos em protestos e até tumultos por causa de eleições, ou da corrupção ou de intervenções governamentais questionáveis, segundo pelo menos uma parte dos cidadãos envolvidos país a país.

Vejamos pois,

Sérvia

Governado por um altamente conservador Partido Progressista (SNS), do Presidente conservador Aleksandar Vucic o ambiente politico aqueceu em consequência decisão de restabelecer o toque de recolher em Belgrado devido às infeções por Covid-19, e as manifestações do mês passado na Sérvia foram direcionadas contra o uso indevido da pandemia pelo presidente Aleksandar Vučić para realizar eleições parlamentares, que claro venceu com uma vitória esmagadora.

Entretanto os opositores dizem que a decisão de Vučić de abrir o país, antes da eleição de 21 de junho, permitiu um aumento nos casos de Covide-19 e de mortes, com a Sérvia a passar sem mais de um bloqueio rígido para a realização de centenas de  eventos com milhares de espectadores.

“As autoridades decidiram abruptamente suspender as restrições que lhes permitem continuar com a campanha eleitoral e ganhar muito, já que quase todos os partidos da oposição boicotaram a votação”, disse Aleksandar Sekulić, ativista sérvio dos direitos humanos, ao EUobserver.

Uma rede local de observação politica o BIRN descobriu que Belgrado subnotificou as mortes de Covid-19 para seguir em frente com a eleição enquanto que o governo de Belgrado nega as acusações.

Bulgaria

O protesto na Bulgária também não diminui de forma alguma exigindo a renúncia do primeiro-ministro Bojko Borisov lider do Conservador GERB e acusando o governo de corrupção, os manifestantes nas ruas de Sofia e de várias outras cidades búlgaras, acampando nas mesmas bloqueando cruzamentos na capital para chamar a atenção para suas exigência, “Este protesto não tem motivação econômica. É movido pela anticorrupção e pelo desejo de derrubar este governo”, disse ao EUobserver Adrian Nikolov, investigador do Institute for Market Economics, um centro de estudos na Bulgária.

Hungria

No final do mês passado, milhares de cidadãos foram às ruas a protestarem contra os ataques do primeiro-ministro Viktor Orbán líder do Fidesz, um partido nacional-conservador de extrema direita e que é, atualmente, o maior partido político da Hungria à liberdade de imprensa com a demissão do editor-chefe do principal site independente do país, Index.hu, a ser considerada como um esforço patrocinado pelo governo para silenciar vozes críticas nos media.

Este lider húngaro, numa conferencia de imprensa, considerou as acusações falsas, dizendo que o Estado não pode intervir nas decisões de uma imprensa  privada, mas outros referem que , “Embora a mídia pública já funcione como megafone para a propaganda governamental, cada vez mais a mídia privada está nas mãos de oligarcas amigos do governo”, como Andras Schweitzer, professor sênior da Universidade Elte em Budapeste, ao EUobserver.

Bielorrússia

São dezenas de feridos e mais de 3.000 detidos após a votação presidencial do domingo passado, que levou o presidente autoritário de longa data Alexander Lukashenko a reivindicar um novo mandato mas observadores internacionais estão preocupados com a regularidade do processo eleitoral, enquanto a principal candidata da oposição, Svetlana Tichanovskaja, fugiu para a Lituânia temendo por sua segurança e a de seus filhos.

Os manifestantes consideraram a vitória esmagadora de Lukashenko uma farsa, e as potências ocidentais, União Europeia incluída, exigem o fim da violência e a libertação de todos os detidos.

Em 28 de julho de 2020, Lukashenko anunciou que testou positivo para a COVID-19[12] mas que já estava recuperado.

Polónia 

Depois da prisão de uma ativista LGBTI acusada de pendurar faixas de arco-íris em estátuas, foram milhares as pessoas que saíram à rus para exigir sua libertação estando já 48 manifestantes detidos pela polícia.

A luta pelos direitos LGBTI foi frontal e central no debate público durante a eleição presidencial do mês passado enquanto que o governo do  Partido da Lei e Justiça, que apoiou a reeleição do presidente Andrzej Duda, considera os direitos LGBTI minando os valores tradicionais

A União Europeia e a Região

Com centenas de novos casos de Covid-19 a surgirem em cada dia que passa e entre uma tensão política que não diminui a região da Europa Oriental está a caminhar para um novo nível perigoso de volatilidade e a União Europeia enfrenta um desafio assustador pela frente.

A fim de assegurar uma parceria mais forte com a Sérvia e avançar em relação à Bielorrússia em questões de Estado de direito, a União Europeia necessita do total apoio de todos os seus Estados-Membros contando claro com  a Hungria e a Polónia, que repetidamente duvidaram dos valores fundadores da União, princípios que a UE agora precisaria reforçar 

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