Home Opinião É triste ser um socialista autogestionário em Portugal !

É triste ser um socialista autogestionário em Portugal !

por Joffre Justino

“O Partido Socialista escreveu ao congénere espanhol PSOE a reiterar o “respeito pela soberania do Reino de Espanha” e a recusar ter assumido “posições de ingerência” em matérias de política interna, como a questão independentista da Catalunha.”

“Debo, entre tanto, salvaguardar lo siguiente: al final de su conferencia, Antero de Quental regresa a un tema central del texto Portugal ante la revolución de España. En el plano político, declara Antero en 1871, importa oponer a la “monarquía centralizada, uniforme e impotente” (una de las causas de la decadencia, no lo olvidemos) “la federación republicana de todos los grupos autonómicos, de todas las voluntades soberanas, ensanchando y renovando la vida municipal, dándole un carácter radicalmente democrático (…).” (127)

Estas palabras significan dos cosas. Una: el federalismo republicano e ibérico ocupaba un lugar importante en el pensamiento político de Antero de Quental y, por extensión, en el de algunos compañeros de generación. Otra: la revolución española de 1868 era la que había servido de episodio privilegiado para que se lanzase en Portugal la cuestión del régimen que habría de venir (la república, naturalmente) y también para que se vislumbrase un futuro político que no podía ignorar a la llamada democracia ibérica.”

Carlos Reis 

Gostem ou não mas vive-se, por aí como algum j+a disse, um tempo de fim de regime, um tempo não muito diferente do das revoltas havidas contra Castela aí por meados do século XVII.

Pode o secretario geral adjunto do PS nunca ter sequer folheado Antero Quental, e tendo apoiado a subversão guaidoista na Venezuela ( para nada ), atacar agora uma decisão do grupo socialista da Assembleia Municipal de Lisboa e esquecer  a personificação do socialismo em portugal – ele mesmo o iberista, confederal e republicano ( para toda a Península  Ibérica), Antero Quental para mostrar os seus ( do secretario geral adjunto) dois pesos e duas medidas, na Venezuela viva o golpe, nas Espanhas viva o Estado Central, e o apoio às condenações e prisões totalitárias dos Catalães!

As Espanhas são uma história antiga muito mal contada de bourbónica origem que não pode esconder que a revolta da Catalunha, ( não a única, mostrando a bourbónica fragilidade) em 1640, alimentou a esperança de uma restauração bem sucedida em Portugal, pois se os castelhanos estavam a enfrentarem revoltas em várias frentes, os portugueses conseguiriam repelir os seus por tal mais frágeis ataques podendo construir uma estratégia de defesa para os 28 anos seguintes.

Ora se os conjurados que reconstruiram Portugal  aproveitando um momento de fraqueza da coroa de Castela para realizar o golpe que colocou no trono o duque e Bragança porque não podem os Catalães querer a sua Independência ? 

Sobretudo note-se que sem esta revolta da Catalunha em 1640, que, até dada a aliança com a França, e atraiu o grosso das tropas de Castela para essa região e não teria sido possível assegurar a construção ou o reforço das fortificações fronteiriças de Portugal que, nos 28 anos seguintes, iriam suster os diversos ataques levados a cabo por Filipe IV das Espanhas.

Foi há 379 anos, num 1 de Dezembro de 1640, que Portugal retomou a sua independência perdida 60 anos antes. 

Na Catalunha, a luta dinástica sucedera séculos antes, em vida do último rei da Casa de Barcelona, Martí l’Humà que não deixou descendência ao morrer, pois o seu único filho, Martí «o jovem», morrera na guerra da Sardenha.

Então o conflito sucessório resolveu-se através do «Compromisso de Caspe» que entronizou na coroa de Aragão, a dinastia castelhana dos Trastâmara, sabendo-se que a Catalunha estava habituada a compartilhar a soberania. Antes estivera vinculada a Aragão, e também a Valência,  Maiorca e Nápoles e na verdade apesar  do rei ser castelhano tinham sido os próprios reinos da Coroa de Aragão que haviam dado a coroa aos Trastâmara, no tal «Compromisso de Caspe», assinado em 1412. 

Portanto, a Catalunha era um estado soberano e independente. Pelo menos até o punho de ferro de Olivares ter começado a destruir as prerrogativas. Não lutavam contra o seu rei, mas contra quem pretendia governar ilegalmente, Olivares. 

Vale recordar que em Portugal, também já desde 1635 que se verificavam levantamentos populares pelos mesmos motivos, ganhando maior expressão em 1637 com as chamadas «Alterações de Évora», entre Agosto e Outubro (vários estratos sociais se envolveram na revolta que teve como inspiração a figura típica do «Manuelinho», que se transformou no símbolo da resistência contra os ocupantes estrangeiros,

Mas eram «revoltas informes», «alterações», «motins», populares enfim, sem forma corporativa estruturada e quer a nobreza quer a burguesia letrada só se revoltaram quando foram atingidas pelas medidas centralistas do Olivares, mantendo-se calmos enquanto a Casa de Áustria lhes manteve as mordomias e a independência formal isto é enquanto não lhes lesou os direitos. 

A morte do vice-rei assinalou uma importante mudança na percepção das relações da Catalunha com o seu rei e com a intensificação das arbitrariedades e com a violência anexionista, as autoridades catalãs, consideraram que o rei quebrou o pacto estabelecido e procuraram novas alianças, e encontraram-nas entre os inimigos do monarca espanhol, negociando a protecção de França, com a garantia de que a Catalunha se constituiria em República livre sob a protecção do monarca francês, ou seja, um novo pacto. 

A França proporcionou armas e meios e a Catalunha ergueu-se em pé de guerra, a famosa Guerra dels Segadors, o que levou o exército real da zona sul da Catalunha (Tortosa), a avançar em Dezembro de 1640 para tal qual os Mossos pôr na ordem os catalães.

Sintetizando, foi mais que importante o auxílio francês – o «Pacto de Ceret», firmado em 7 de Setembro de 1640 entre os líderes independentistas e o reino de França, que originou o envio de armas para a Catalunha. 

Olivares ordenou que se mobilizassem em Portugal entre 10 e 15 mil homens para atacar a Catalunha, o que levou à reacção do 1 de Dezembro. Em 26 de Janeiro, as tropas que o conde-duque conseguira reunir atacaram Barcelona, fracassando na tentativa de tomar a fortaleza de Montjuic e sairam derrotadas. 

Mas em 1648, a eclosão da guerra civil em França, La Fronde, pôs fim ao auxílio francês à Catalunha, e Barcelona acaba por ser tomada pelas tropas castelhanas após um cerco de 18 meses, rendendo-se em Outubro de 1652. 

A França continuou a prestar auxílio aos catalães, mas quando a reconquista do território se mostrou impossível para a Catalunha, a França negoceia com Espanha o Tratado dos Pirenéus  e a conclusão de Vestefália retira as suas tropas das comarcas catalãs a sul dos Pirenéus, com a contrapartida da cedência das comarcas catalãs situadas a norte da cordilheira (o chamado Rossilhão, que incluía as comarcas pirenaicas do Conflent, o Capcir e o Vallespir, bem como metade da Cerdanya, uma comarca dos Pirenéus. Com o tratado dos Pirenéus Espanha  castigou a Catalunha, preferindo obter de França garantias sobre as suas possessões na Flandres do que manter a integridade do território catalão, assinando-se o acordo de casamento entre Luís XIV e a filha de Filipe IV de Castela, Maria Teresa de Áustria… 

Castela pôde concentrar os esforços na frente portuguesa mas já tarde e os confrontos importantes foram ganhos pelos portugueses pelo que 1678 gorados os esforços para recuperar Portugal, foi assinada a paz em Madrid, cedendo Portugal a soberania sobre a praça africana de Ceuta. 

Após o Tratado dos Pirenéus, a Catalunha continuou ocupada pelos castelhanos e os conflitos continuaram e em 1687, houve um novo levantamento (revolta dels Barretines) que pôs a população rural em pé de guerra durante dois anos. E de novo a Catalunha se debateu entre Espanha e França, sempre cobiçada e disputada por uns e por outros e servindo sempre, por uns e por outros, de moeda de troca. 

E mais História vai acontecendo, até com as ambições franquistas de tomar Portugal se Hitler tivesse ocupado o Reino Unido, os paizimhos dos do PP e do VOX que cercam o PSOE e o levam a cedências inqualificáveis que levam a que o Partido Socialista luso tenha a fragilidade de escrever ao  parceiro IS espanhol o PSOE a reiterar o “respeito pela soberania do Reino de Espanha” ( ah as voltas no túmulo de Afonso Costa e acreditamos até, de Mário Soares), recusando o que fez na Venezuela o ter assumido “posições de ingerência” em matérias de política interna, como a questão independentista da Catalunha quando o deveria ter assumido ( ah essa questão da água do Tejo era já indicio dessa cedência…?) 

 E claro lembrando Antero Quental, Afonso Costa e Mário Soares choramos ao ler este absurdo texto,”Em resposta à vossa carta, gostaríamos de reiterar a posição oficial do Partido Socialista do nosso absoluto respeito pela soberania do Reino de Espanha, pelas suas Instituições democráticas e pelo Estado de Direito, e sublinhar que nenhum órgão oficial do Partido Socialista toma posições de ingerência nos assuntos internos de Espanha ou do funcionamento das suas instituições”, assinada pelo secretário nacional para as Relações Internacionais, Francisco André.

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