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Professores, Economistas ou econoamásios?

por Joffre Justino

Diz-nos a UTAO, uma entidade social de Direita  ( é bom clarificar que esta Unidade Técnica de Apoio Orçamental nunca acertou uma nos orçamentos que analisou e previu  e que sempre serviu de megafone de propaganda das Direitas) que a recuperação integral do tempo de serviço dos professores e de outras carreiras profissionais  custaria, em termos líquidos, 398 milhões de euros em “ano de cruzeiro”.

Este valor soma aos 169 milhões, custo da medida do Governo para a reposição parcial do tempo de carreira (que não chega aos três anos) gerando um total de uns redondos 567 milhões

Nesta guerra econoamasia o governo avancou sempre com os famosos  800 milhões de euros (mas brutos) e agora tentando nao dar esta UTAO vem dar razao ao primeiro ministro e a Mário Centeno, que usou, aliás, estas contas para justificar a ameaça de demissão-, pois os 800 milhões de euros resultam da soma do total da devolução dos nove anos, quatro meses e dois dias aos professores e a UTAO toma “como boas” as previsões do Ministério das Finanças, 804 milhões de euros, escrevendo que “não tem motivos para duvidar delas e não tem capacidade para as auditar, mesmo que tivesse mais tempo para completar este estudo” tornando absurdo tudo o por ela dito em sequência.

Numas contas de econoamasia a Unidade Técnica de Apoio Orçamental vai a seguir  contabilizar as receitas de IRS, as contribuições para a Segurança Social, Caixa Geral de Aposentações e ADSE, decorrentes da subida dos salários, para aferir o valor que o Estado receberia de volta durante o processo, num mix sem critério pois não dá para misturar receita e despesa e sobretudo intromissão na gestão das mesmas a não ser que se alterem as regras, o que só se deve, manda o bom senso fazer para o Futuro.

E entao a UTAO inventa um novo e ridiculo conceito o de “deterioração”! 🙂 🙂 🙂

Para afirmar  que a recuperação de todo o tempo de todas as carreiras especiais implicaria “uma deterioração de 398 milhões de euros no saldo orçamental e no saldo estrutural em ano de cruzeiro, face ao cenário do Programa de Estabilidade/2019-23”.

Este custo adicional de 398 milhões de euros líquidos soma aos 169 milhões da medida original do Governo que visa restituir aos professores uma parte da carreira congelada, perfazendo assim um impacto de 567 milhões de euros ficando bloqueados à cabeça 71% das verbas em causa o que limita a intervenção do governo em 30% deste total tornando o regime do país em algo confuso onde o semi presidencialismo escorregou para um quase presidencialismo selfista com gáudio ( limitado) das Direitas e Centros Esauerdas ( destes menos limitados) e agora cairia abruptamente num parlamentarismo bem estranho 

Assim estes “técnicos” do Parlamento consideram que a deterioração de quase 400 milhões de euros ” não impedirá o cumprimento das regras orçamentais relativas ao Objetivo de Médio Prazo” o que diga-se, até será correto.

Dizem então eles que Portugal ficará  “mais vulnerável a surpresas descendentes, sobretudo nos anos 2020 e 2023″, mas que “não se espera que da adoção da Medida 2 [recuperação integral do tempo de serviço para todas as carreiras especiais], com as características acima descritas, Portugal passe a incumprir as regras orçamentais relativas ao OMP”, diz a UTAO.

Portugal sairia, dizem estes econoamasios, deste impacto financeiro com um saldo positivo de 0,1% do PIB em 2020, o que se situa apenas duas décimas abaixo do que estipula o Programa de Estabilidade de Mário Centeno, se claro, tudo corresse bem, sem impatos externos .

Nos anos subsequentes, o excedente orçamental previsto seria ainda positivo. Em 2021 seria de menos uma décima do que a calculada pelo Executivo (0,8%); em 2022, estaria duas décimas abaixo (0,5%), e, em 2023, quando a medida se refletisse na totalidade, estaria abaixo dos cálculos do Governo em três décimas (0,5%).

Analisando o que a coordenadora do BE considerou hoje dizendo que é  “absolutamente insano” que “toda a gente ande a mudar de opinião” sobre os professores e apelou à coerência dos partidos, recusando a “armadilha da direita” que permite que Bruxelas decida sobre as carreiras, há que a parabenizar pois ela em entrevista à Radio Renascença, assegurou que o partido não vai mudar as suas votações sobre esta questão, mesmo com a ameaça de queda do governo.

E assume, “É absolutamente insano e eu acho que diminui a democracia que toda a gente ande a mudar de opinião. O PS pensava uma coisa agora pensa outra, a direita pensava uma coisa agora pensa outra. os próprios sindicatos já pensaram uma coisa e agora pensam outra, não pode ser, não é assim … (e se) “todos os partidos fossem coerentes e mantivessem o seu voto na sexta-feira”, seria possível, por um lado, “manter a porta aberta a que o próximo Governo fizesse a contagem do tempo de serviço”, não só para professores como para as restantes carreiras especiais da função pública, apelou Catarina Martins que acentua uma logica negocial “O Governo seguramente encontraria outras soluções que ache importantes na negociação, como sempre fizemos até aqui”.

Na sua visao a líder bloquista, entende “se toda a gente fosse coerente como o Bloco de Esquerda está a ser resolviam-se todos os problemas, os mais gerais e os mais específicos, pelo menos abrindo portas as negociações futuras”.

Para ela “PSD e CDS querem, julgo eu, enganar os professores – acho que não conseguem porque os professores percebem – ao dizer algo como: nós vamos contar o tempo de serviço e depois pôr lá uma norma que diz, mas isto só vale se o pacto de estabilidade o permitir”, e o BE recusa “cair na armadilha da direita” de dizer que “é Bruxelas que decide sobre as carreiras porque o que aconteceu sempre, até agora, é que isso serviu para puxar para baixo” as condições dos trabalhadores portugueses, razão fortíssima que corroboramos!

Foto de destaque: LUSA

Joffre Justino

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