Home Opinião 142 Lojas com História são já Património de Lisboa

142 Lojas com História são já Património de Lisboa

por Joffre Justino

O programa “ Lojas com História” criado há alguns anos pela CML já classificou 142 espaços da cidade ameaçados de encerramento e mesmo demolição, em muitos casos. Só em 2018, 18 novas – ou melhor “velhas” – lojas se vieram juntar às que já haviam recebido eessa distinção no ano anterior, concentrando atualmente freguesia de Santa Maria Maior o maior número destes estabelecimentos históricos.

Entre as lojas hoje reconhecida como históricas, o maior grupo é o das retrosarias, todas situadas na rua da Conceição,  popularmente chamanda de “rua dos retroseiros’. Mas hà outras “pérolas” na lista. A Livraria Bertrand do Chiado, que reclama o título de livraria mais antiga do mundo, reconhecida inclusive pelo incontornável Guiness Book of Records, duas barbearias, dois antiquários, duas lojas de vestuário, dois restaurantes, uma loja de discos, uma loja de ferragens, um encadernador e um bar – o emblemático Xafarix, do cantor Luís Represas, são para já as “Lojas com História” que dão realce e carisma á vivência diversa da cidade também na sua dimensão económica.

Este Regime de Reconhecimento e Proteção de Estabelecimentos e Entidades de Interesse Histórico, aprovado em 2017, no mandato da atual vereação da CML procura – e muito bem – proteger as lojas desta violenta amalgamação sem regras que ameaça transformar Lisboa numa mera metrópole igual a outras, a coberto da liberalização do valor dos arrendamentos, se entretanto não forem aprovados – e promulgados – mecanismos legais que revertam essa situação.Assim,e segundo nota divulgada agora pela Lusa, estabeleceu-se que os contratos das Lojas com História não podem ser submetidos ao novo regime de arrendamento urbano, NRAU, pelo prazo de cinco anos e, nos que tenham transitado para o NRAU, os senhorios não podem opor-se à renovação de novo contrato por dez anos”tAs Lojas com História estão ainda isentas de Imposto Municipal sobre Imóveis, IMI e as despesas de conservação e manutenção são consideradas a 110% no apuramento do lucro tributável.

Há que registar como exemplos a aplaudir os casos em que os senhorios têm alguma sensibilidade ou sentido de responsabilidade social , como relatou á Lusa o proprietário da loja Sinfonia , que admite ter uma boa relação com a senhoria e reconhece que a luta para se manterem abertos tem sido bem-sucedida, “em parte, porque a renda é baixa”. A Sinfonia chegou à avenida de Roma em 1968, inovando, primeiro, por levar o negócio dos discos para aquela zona da cidade, rompendo o monopólio da Baixa, e, depois, ao juntar os livros e a papelaria.

Há um manancial de Histórias a contar nesta Lisboa com História. No Estrategizando, iremos acompanhando o assunto na medida que a nos for possível

JJ

Foto de destaque: www.lojascomhistoria.pt

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