Home Europa O descontentamento grassa na Hungria

O descontentamento grassa na Hungria

por Antonio Sousa

 Uma onda de protestos  sem precedentes parece estar a desafiar o governo de Viktor Orbán, segundo relatos de diversas fontes bem colocadas no país. .O “Estrategizando” acompanha  esta nova Hungria a ressurgir, seguindo as notícias da agência DW.

Na verdade a Hungria já se tinha esquecido do que era uma onda de manifestações mas nos últimos dias, milhares de cidadãos húngaros tomaram de assalto as ruas para protestar contra as políticas sociais do governo do presidente Viktor Orbán e contra esta transformação antidemocrática do país.

Com brutalidade as forças de segurança reagiram com brutalidade e com o emprego de gás lacrimogêneo contra os participantes dos protestos, havendo mesmo focos de confrontos entre os manifestantes e os policiais onde dezenas de pessoas foram presas manifestantes ou mero transeuntes e muitas delas foram libertadas somente depois de umas 12 horas de detenção. 

Este domingo 16/12 uma grande manifestação convocada pelos partidos de oposição e sindicatos húngaros, iniciou-se de forma pacífica mas ao fim da noite, os policias empregaram brutalmente gás lacrimogêneo contras os manifestantes, enquanto estes cercavam o prédio da emissora pública de rádio e TV.

Um grupo de deputados pediu em vão permissão para ler uma petição ao vivo durante o noticiário na noite de domingo para segunda-feira, mas um deles foi expulso à força do edifício, o que é inadmissível nos termos da lei húngara esquecendo a polícia a imunidade parlamentar.

Esta onda de protestos é uma novidade que resulta da nova legislação laboral aprovada na semana passada e chamada atualmente pelos manifestantes como “leis dos escravos” pois aumenta o número anual possível de horas extraordinarias permitidas a um empregado de 250 para 400 horas e com os empregadores a poderem ter 36 meses, em vezes dos atuais 12, para as pagar.

Esta alteração  foi aprovada contra os protestos de sindicatos, da oposição e das organizações da sociedade civil, com uma votação em ambiente de tumulto porque a oposição ocupou a mesa do presidente do Parlamento.

Resta saber  como a UE vai reagir face a um cada vez mais totalitário Viktor Orbán pois  a “lei dos escravos” congrega um generalizado desagrado de uma parte crescente da população da Hungria. 

Nos últimos oito anos, cerca de 600 mil cidadãos na sua maioria com boa formação profissional  deixaram a Hungria devido ao clima político autoritário e à precariedade do sistema educacional e de saúde, em parte mal organizados e subfinanciados, e também devido ao fato das empresas privadas estarem em grande parte à mercê do governo e agora com o governo em Budapeste a querer combater a enorme escassez de mão de obra simplesmente aumentando as horas extras permitidas o caos tenderá a ser a resposta a este autoritarismo.

Antonio Sousa 

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