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Objetivos comerciais no G20 acima da urgência global

por Silvio Reis

Comércio exterior, política de imigração, Acordo de Paris, guerra na Síria, ajustes com o Irã serão algumas pautas debatidas na cúpula do G20 2018, em Buenos Aires, nesta sexta, 30, e sábado, 01.

Tão ou mais urgente do que a agenda global, o encontro entre Donald Trump e Xin Jinping ganhou mais destaque do que o documento final a ser assinado para alcançar um desenvolvimento mais igualitário e sustentável.

A confirmação de titulares de organizações internacionais, como FMI, Banco Mundial e Nações Unidas, gera protestos e paralisações na capital argentina, contra o governo Macri e o empréstimo com o FMI. A maior parte dos serviços de transporte público não funcionará nesse período.

Em paralelo aos objetivos globais, cada país participante tem objetivos comerciais, conforme foi revelado por fontes jornalísticas e embaixadas.

A anfitriã Argentina buscará apoio internacional para investimentos estrangeiros, em especial do G7: Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Grã Bretanha.

Do encontro entre Trump e Xin espera-se menos conflito comercial entre Estados Unidos e China. O presidente norte-americano cancelou uma reunião com Vladimir Putin e vai assinar um novo Tratado Norte-Americano de Livre Comércio, Nafta, com o Canadá e México.

Putin deverá se reunir com governantes, em especial da Arábia Saudita, para melhorar relações bilaterais com a Rússia, mas poderá enfrentar ameaça de sanções econômicas da União Europeia se permanecer o conflito do país com a Ucrânia.

Angela Merkel e Emmanuel Macron têm objetivos similares para a Alemanha e França. Vão tentar proteger o livre comércio, amenizar tensões com os Estados Unidos e defender o multilateralismo.

Representante da Grã Bretanha, Theresa May poderá se encontrar com Putin e, mais uma vez, expressar intenção de relações comerciais com os europeus pós-Brexit.

Há indícios de que Shinzo Abe atue como diplomata entre países com posicionamentos diferentes, além de reforçar parcerias entre Japão e China.  .

O provável encontro entre Recep Tayyip Erdogan e Mohammad bin Salman é para discutir o assassinato de um jornalista no consulado da Turquia, do qual o príncipe saudita é acusado. Comercialmente, Erdogan tem interesse com a Rússia, China e Irã, enquanto o príncipe se volta para Putin e Trump.

A Indonésia de Joko Widodo busca acordo com a China, Índia e Japão, enquanto o primeiro-ministro australiano Scott Morrison certamente defenderá um comércio aberto entre bloco de países, incluindo a UE.

A agenda extra do Canadá de Justin Trudeau e do mexicano Enrique Pêna Nieto, que passa a faixa presidencial no sábado, é a assinatura do novo Nafta.

Enquanto a Itália de Giuseppe Conti visa acordos radicais sobre política de imigração, com Estados Unidos e Rússia, a Coréia do Sul de Moon Jae-in tem motivos para fortalecer comércio com o México, Chile, Colômbia e Peru.

Dois integrantes do BRICS, Cyril Ramaphosa da África do Sul e Narendra Modi, vão buscar oportunidades de negócios com países emergentes, principalmente China e Rússia.

Michel Temer vai dar garantias de que o próximo presidente entregará o Brasil de bandeja. Antes da cúpula, Jair Bolsonaro afirmou que terá três países aliados: Estados Unidos, Itália e Israel.

 

Imagem destaque: Trump e Xin (china.usembassy-china.org.cn)

 

Sílvio Reis, jornalista brasileiro

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