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A Latinha das “Coisas Secretas”

por Teresa Pedro
Vislumbrou uma latinha retangular com tampinha no topo.Era cor de rosa suave, com um coração encarnado em destaque no seu formal, alongado, desbanalizando assim, as suas múltiplas leituras.
Não lhe resistiu e já lhe conferira destino.
Uma latinha em tudo simples enriquecida com o carinho da dádiva que abundara, na antecipada alegria que acreditava sucederia na alegria da surpresa.
Desejara encher a latinha cor de rosa com lápis de cor, não tivera oportunidade e por isso se congratulou.
Deteve – se na ideia quando lhe ocorreu que talvez fizesse mais sentido o espaço vazio.
Afinal o infinito que a imaginação permite, seria o espaço de liberdade somado à oferta.
Sorriu.
Ao mirar a latinha cor de rosa, ocorreu – lhe apenas que aquela menina a acolheria apropriando – se dela envolvendo – a no seu mundo.
Revia – se nela, no seu mundo de delicadezas como se ainda criança…
Ofereceu – a ainda assim, na possibilidade de nela, a menina, lhe desse um uso utilitário, quiçá engraçado criativando – a.
Gosta de oferendar, dar um pouco de si e assim o fez, para aquela menina, ninguém mais lhe ocorrera, que de nada era privada muito menos de uma simples latinha cor de rosa…
Não resistira portanto…
Sente que quando oferece algo, embrulha com papel de cores de ternura, gratidão, reconhecimento, acolhidos no aceitar de quem recebe…
Apenas o sentimento lhe pertence… A oferenda essa, ganha nova vida reinventando – se.
Bastas vezes, na maioria delas, em boa verdade, sente – se feliz e não se detém no que a ela já não pertence que não, nos breves momentos do reviver da alegria que antecipara na dádiva.
Tal não acontecera com a dita latinha cor de rosa.
Generosamente, quem a intermediou, deu – lhe a conhecer o uso que fora destinado por aquela menina.
Não se envergonhou ou sequer se conteve na tentativa de se inibir, de se emocionar.
Sorria.
Na lembrança da doçura da infância, voava, nas asas da candura de quem dera o mágico destino à latinha cor de rosa para as “Coisas Secretas”…
Amornado o sorriso, no lento terno escorregado de lágrimas emocionadas… como só a preciosa inocência de uma criança permite ativar no reconhecimento do valor infinito das pequenas coisas.
O mundo inteiro na finitude do apenas essencial – As “Coisas Secretas” numa latinha cor de rosa com um coração encarnado do tamanho do mundo secreto de uma menina… Que destino mais valioso lhe poderia ter dado?
Na sua timidez da rica simplicidade da oferta, foi ela quem mais recebeu…

A generosidade da partilha do destino dado à latinha cor de rosa, e a preciosidade dos sentires que a menina reconhecera no coração encarnado do tamanho do seu mundo secreto.

Profundamente abençoada, nada mais a perturbaria naquele dia de tamanhas dádivas de paz e ternura.

(Porque)

“Como o coração cresce dentro de nós, o mesmo acontece com a beleza. Pois o amor é a beleza da alma”
(Santo Agostinho)

Teresa Pedro

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