Home Cultura “Catarina e a beleza de matar fascistas”, uma peça teatral polemica

“Catarina e a beleza de matar fascistas”, uma peça teatral polemica

por LUSA Estrategizando

Iremos refletir mais que sobre a peça sobre o tema que nas 22 representações da peça “Catarina e a beleza de matar fascistas” nos teatros nacionais S. João e D. Maria II, no Porto e em Lisboa, em fevereiro e abril de 2021, respetivamente, têm já lotação esgotada.

“Catarina e a beleza de matar fascistas” é o mais recente texto e encenação do diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II, Tiago Rodrigues, e tem lotação esgotada para as oito récitas a realizar no Porto e para as 14 a realizar em Lisboa, de acordo com os dados disponíveis na plataforma de venda de bilhetes ‘online’ para qual ambos remetem.

A peça será representada no Porto de 11 a 20 de fevereiro de 2021 e, em Lisboa, de 08 a 25 de abril de 2021. Duas representações que não estavam previstas realizaram-se nos passados dias 09 e 10, no grande auditório do Centro Cultural de Belém (CCB).

Depois da estreia, em setembro, no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, o espetáculo partiu em digressão internacional, que se iniciou em Lausana, na Suíça. Entretanto, o texto foi publicado em francês, pela editora Les Solitaires Intempestifs, e o regresso ao confinamento, na Europa, permitiu, nos passados dias 09 e 10, a apresentação de dois espetáculos extra, em Lisboa.

A agenda inicial da digressão do mais recente texto de Tiago Rodrigues, diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II, previa apresentações em França, em novembro e dezembro, incluindo cerca de um mês de sessões esgotadas no âmbito do Festival d’Automne, em Paris, que foram adiadas devido à pandemia de covid-19 e ao confinamento decretado neste país.

“Perante o cenário de adiamento de dezenas de récitas de ‘Catarina e a beleza de matar fascistas’, agendadas para os meses de novembro e dezembro, em vários teatros franceses, o Teatro Nacional D. Maria II optou por antecipar a estreia do espetáculo em Lisboa, nesta fase tão desafiante para o setor cultural”, lia-se numa mensagem do autor da peça, citada num comunicado divulgado em 18 de novembro quando foram anunciadas as duas sessões no CCB.

A peça tem ainda representações agendadas para 23 de janeiro de 2021, no Fórum Municipal Luísa Todi, em Setúbal, e nos 25 e 26, no Thalia Theater, em Hamburgo (Alemanha).

Dias 05 e 06 de março de 2021, terá duas sessões no 23 milhas, espaço cultural de Ílhavo.

“Catarina e a beleza de matar fascistas” fala de uma família que tem por tradição matar fascistas. Numa casa de campo, no sul de Portugal, a família reúne-se para que o seu elemento mais jovem, Catarina, possa iniciar-se no ritual, matando o primeiro fascista que fora raptado de propósito para ser morto.

O dia que estava previsto para ser de festa, beleza e morte, acaba, todavia, por principiar um conflito familiar, pois Catarina revela-se incapaz de matar, recusando-se a ser iniciada no ritual familiar.

Criada por Tiago Rodrigues e produzida pelo D. Maria II, “Catarina e a beleza de matar fascistas” tem interpretação de António Fonseca, Beatriz Maia, Isabel Abreu, Marco Mendonça, Pedro Gil, Romeu Costa, Rui M. Silva e Sara Barros Leitão.

“Catarina e a beleza de matar fascistas” ficciona aquilo que poderá ser Portugal em 2028, governado pela extrema-direita.

A peça termina com um longo discurso de um membro do partido então no poder, que em 2020 tinha apenas um deputado, mas que entretanto conseguiu chegar aos 117, alcançando maioria absoluta.

Um partido que fala numa nova República, numa nova Constituição e em mais de meio século de um país “governado por bandidos” e que, então no poder, critica “as minorias que não respeitam as maiorias”.

“É uma peça que nos coloca num contexto imaginário, ficcionado, para pensarmos sobre as nossas vidas e sobre o que poderá ser o futuro se não tivermos cuidado e não refletirmos e agirmos no presente”, referiu Tiago Rodrigues aquando da estreia em Guimarães.

Para o encenador e diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II, trata-se de uma “abordagem muito clara à ameaça da ascensão de populismos de extrema-direita, de tendência fascista, para não lhe chamar efetivamente fascistas”.

A peça, sublinha, alerta para a premência de a sociedade se questionar sobre a forma como a democracia se pode relacionar “com essa ameaça que não é democrática, que é mesmo antidemocrática”.

CP (VCP)

Lusa/

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