Home Covid-19 O estertor de uma certa Baixa Lisboeta

O estertor de uma certa Baixa Lisboeta

por Joffre Justino

A falta de turistas dada a pandemia está a impor o vazio no centro da capital portuguesa, pois muitas lojas estão fechadas ou com comerciantes à porta a aguardar pelos clientes que outrora tiveram e se as ruas se enchem de pessoas, são poucas as que param nas lojas e nos restaurantes… pois os rendimentos lusos nao estão para luxos de capital europeia como estão as mesmas lojas!

O presidente da Associação de Dinamização da Baixa Pombalina à agência Lusa, no centro da Praça da Figueira, diz que com o desaparecimento do turismo quase não há clientes no centro histórico.

“Tudo foi encaminhado para que o turismo fosse a grande força de compra na Baixa Pombalina. Quer a restauração, quer o comércio viviam – e não é exagerado – 70%, no mínimo, à custa do turismo”, indica Manuel Lopes esquecido dos preços que assustam qualquer português.

Debaixo de um sol radiante em pleno outono, o antigo empresário reconhece que os consumidores vão demorar a voltar a ter confiança e poder de compra.

“Desapareceu o turismo, desapareceram clientes e os residentes são escassos. 

“Obviamente, com este problema da covid, não havendo confiança das pessoas para circularem, a Baixa é aquela que mais se ressente”, diz, e acentua que há muitos negócios a fechar.

Agora, diz, torna-se mais económico uma encerrar do que estar aberta e nas  contas da associação, já terão encerrado cerca de 115 espaços comerciais.

“Houve muita gente – e não vale a pena estar a ignorar – que passou a viver à custa do turismo e obviamente que o turismo foi embora por estas circunstâncias que todos conhecemos. E agora para voltar a trazer e encher nosso espaço comercial vai levar o seu tempo”, assume.

E agora o maior problema para o comércio não é a gentrificação, mas os novos contratos de arrendamento, uma vez que os empresários “não vão ter capacidade de renovar as suas rendas”.

Em frente à estátua de D. João I encontra-se Alfredo Tavares, diretor-geral da cadeia de hotéis My Story Hotels, que conta que teve de encerrar quase todos os espaços devido à falta de turistas.

“Nós temos cinco hotéis na Baixa de Lisboa. Neste momento, temos quatro hotéis fechados e um aberto”, suspira o empresário, recordando que, desde março, apenas mais dois hotéis reabriram durante o verão.

De acordo com o responsável, o grupo de unidades hoteleiras sofreu muito com as restrições impostas devido ao novo coronavírus.

“Tivemos grandes cancelamentos. Neste momento, não há sequer procura. Posso dizer que nos últimos três dias tivemos quatro reservas”, diz com mágoa, sem saber o que o futuro reserva.

Alfredo Tavares revela que cerca de 25 trabalhadores, de 80, não viram os seus contratos renovados, porque o grupo está com quebras acima dos 90%.

Por entre as muitas dezenas de lojas com trancas à porta, há uma que surge com um aviso na Rua da Madalena: “Este estabelecimento vai encerrar definitivamente no final de dezembro. Vendemos tudo incluindo mobiliário a preços reduzidos”.

E tufo indica que o empresariado português mostra-se incapaz, talvez pela primeira vez, incapaz de se adaptar à realidade … talvez chamar a arquiteta Helena Roseta para um projeto de reimaginar a Baixa Lisboeta !?

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