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O 31 de Janeiro de 1891 de novo

por Joffre Justino

Pela primeira vez, há 129 anos nas ruas e praças do Porto  os Republicanos portugueses revoltaram-se e tentaram o derrube da monarquia num movimento que foi ainda  uma afirmação da soberania nacional, que não pode ser esquecida como infelizmente tem acontecido

A raiz do 31 de janeiro esteve nas cedências do Governo e do rei Carlos ao ultimato britânico de 1890 por causa do Mapa Cor-de-Rosa, que pretendia ligar, por terra, Angola e Moçambique e que teve a contestação óbvia do Reino Unidogerando o acima referido Ultimato que foi contestado fortemente pelo Partido Republicano Português, e que se mostrou favorável à preparação de um plano de luta, entusiasmados que estavam os lusos Republicanos com a proclamação da República do Brasil, em Novembro de 1889.

A par da crise politica vivia-se nesse momento uma crise económica motivada, entre outros aspetos, por uma frágil produção industrial, pela recessão das exportações agrícolas e pelo aumento contínuo das importações e ainda pelo facto do Câmbio do Brasil ter baixado repentinamente, desvalorizando as remessas dos emigrantes, o que levou Portugal quase àbancarrota.

Entre conflitos vários logo  na organização da revolta, com dissensões entre os Republicanos a revolta deu-se entre as 3h30 e o início da tarde do dia 31 de Janeiro, quando fracassou perante a violência da reação monarquista que originou a morte de 12 pessoas e ainda cerca de 40 feridpos

Mas se fracassou no objetivo imediato, o 31 de Janeiro esteve na raiz da implantação da República, 19 anos depoise marcou inclusivamente o modelo de revolução que o 5 de outubro de 1910 foi.

No imediato pós 31 de janeiro, cerca de 500 militares e muitos civis foram julgados por Conselhos de Guerra, a bordo de navios da Armada, ao largo de Leixões e perto de 250 pessoas foram condenadas a penas, entre 18 meses e 15 anos, de degredo em África.

Liderado também por João Chagas merece que recordemos mais uma vez os encantos e desencantos que foi a I República que caiu a 28 de maio de 1926, derrubada com a anuência ate de alguns republicanos mais conservadores, como Cunha Leal, mais tarde bem arrependido mas que se deixaram enfeitiçar pelo canto guerreiro que permitiu a ascensão do fascismo e que em Portugal durou 48 anos como sabemos com o poder entregue primeiro ao salazarento e depois a um serôdio Marcelo Caetanismo que matou da pior forma o Império Luso

Recordaremos também mais uma vez  JoãoChagas nas suas Memórias que acentuam a sua tristeza perante os caminhos seguidos pela I República com ele em Paris na embaixada portuguesa, num texto de 1914,

31 DEJANEIRO

Hoje 23.° anniversario da Revolução do Porto de 1891. Creio que a Republica chama a este anniversario — o dia dos Precursores. Certamente se refere aos que morreram, porque dos vivos não se lembra. Nenhum dos precursores vivos recebe que eu saiba nesse dia um cartão de visita da Republica. Viver em Portugal não é uma condição de gloria. Os mortos passam. Os vivos, em Portugal, passam ainda mais depressa. Recebi um telegramma do Guedes d’01iveira. Pobre amigo! Os meus secretários e adidos vieram cumprimentar-me. Içou-se a bandeira. A’ noite houve recepção no Eliseu mas nãofomos, para fugir a perguntas sobre a situação de Portugal. D’ali, nenhumas noticias. Os jornaes de Lisboa falam em crise presidencial. A Lucta escreve em grandes lettras: «Nada se pode dizer por emquanto sobre a solução que ella (a crise) terá. Uma coisa to- davia parece ser certa: nem o sr. Affonso Costa fica no poder, nem o poder ficar no seu partido. Os jornaes

alimentam a curiosidade publica com boatos colhidos a todas as esquinas. Dizem-se e fazem-se as coisas mais insensatas. 0 Machado Santos foi á Trafaria annunciar a queda do governo aos presos de abril …e a amnistia . A Capital confia que o Bernardino Machado, que se espera no dia 4, resolverá a situação. O Antonio José, que ha dias excitava os operários em greve, entrevendo a possibilidade de governar, pede paz!

In Diário de João Chagas 

Lembremos para terminar alguns dos da “Revolta do Porto” –  capitão António Amaral Leitão, o alferes Rodolfo Malheiro, o tenente Coelho, além dos civis, o dr. Alves da Veiga, o actor Miguel Verdial e Santos Cardoso, além de figuras destacadas da cultura como João Chagas, Aurélio da Paz dos Reis, Sampaio Bruno, Basílio Teles,

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