Home Opinião O clã dos Santos em fim de festa (3)

O clã dos Santos em fim de festa (3)

por Joffre Justino

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A festança generalizou-se com a derrota militar da UNITA e o assassinato / suicidio de Jonas Savimbi em fevereiro de 2002, mas oficialmente a 4 de abril aquando da rendição militar da UNITA.

Passei em Julho / Setembro por Angola e deparei-me com uma UNITA emocionalmente derrotada e sem motivação e por isso quando em  dezembro de 2002, centenas de convidados lotaram uma igreja secular em Luanda para presenciar o casamento de Isabel dos Santos, então com 29 anos, com Sindika Dokolo, 30, um rico empresário e colecionador de arte congolês, entendi o como a festança só estava no começo, com o príncipe consorte   Dokolo a reconhecer o seu estatuto de membro menor da corte e a ser  um extremos defensor de Isabel sobre quem dizia “ Ela é um “general no campo de batalha”, como repetiu  numa entrevista em 2017.

Dizem os media da época que aos 30 anos Isabel dos Santos possuía e gostava de viver entre  muito luxo, como mostras de arte em Miami, moda Dolce & Gabbana, fins de semana em Paris, uma passagem ou outra por Lisboa ou Roma, mas sempre muito próxima do ditador seu  pai que com as suas  ligações politicas e de negócios  abriam  portas e deram origem à relação  comercial  mais importantes – o empresário multimilionário  português Américo Amorim que com o clã se expandiu para a energia, o imobiliário  e a banca isto segundo os media iam relatando. 

O momento era de grande sorte e tudo corria pelo melhor, morto Savimbi e a UNITA sob apertada trela,  ainda por cima vivia-se um tempo de  alta do preço do  petróleo e Américo Amorim percebendo essa vantagem aliou-se a Isabel dos Santos,  muitos a dizerem em nome do ditador seu pai, para  lançar novos negócios como o Banco BIC sa  em 2005 que chegou a ser um dos maiores bancos de Angola, com US$ 4,2 bilhões em ativos e a possibilitar crescimentos para as  cimenteiras, em tempo de obras publicas e construção civil, com portugueses e chineses, como claro para  imobiliário e a  energia como já referimos.

Do lado de Isabel dos Santos as ambições cresciam sempre em volta do pai ditador mas em voos mais e mais alargados, montando para o efeito   uma base operacional no Centro de Lisboa, na muito na moda Avenida da Liberdade, onde predominou Mario Filipe Moreira Leite da Silva, um gestor que antes trabalhara na PwC, uma das quatro grandes empresas de auditoria do mundo, na administração da  financeira, Fidequity, gerindo as  finanças do casal Isabel e Sindika e a par  no campo jurídico, Santos recorreu a Jorge Brito Pereira, um importante jurista que era sócio do poderoso escritório de advocacia PLMJ, sediado em Lisboa.

Em 2005, Amorim e a Sonangol fecharam um acordo que daria ao casal uma participação valiosa em uma empresa de energia, por uma pechincha. Foi o primeiro grande acordo internacional. O bilionário português e a companhia petrolífera estatal angolana formaram uma empresa de investimentos, Amorim Energia BV, que comprou um terço da poderosa empresa portuguesa Galp Energia, ainda que Sindika diga que “A ideia do acordo foi de Isabel”,  à Radio France Internationale, estamos em crer que Américo Amorim e o PSD do professor Cavaco Silva trabalharam muito esta iniciativa no contexto da politica de privatizações dinamizada pelo PSD.

Logo em 2006, na via da descapitalização da Sonangol, esta empresa  terá “vendido” 40% de sua participação na joint venture para a empresa suíça de Sindika, Exem Holding AG, com um  preço de compra de US$ 99 milhões, mas a Sonangol concordou em “ceder” à Exem a maior parte do dinheiro necessário para concluir a venda, recebendo apenas US$ 15 milhões antecipadamente.

Sindika disse ao Consorcio de Jornalistas, ICIJ,  que o empréstimo foi totalmente saldado em 2017, mas a Sonangol d recusou o pagamento oferecido em  Kwanzas a moeda angolana por ser uma violação do acordo, e considera o saldo em aberto, já que o Kwanza não tem qualquer cotação fora das fronteiras angolanas, sabendo-se que hoje  a participação vale aproximadamente US$ 800 milhões.

Tudo continua a correr muito bem  e só em 2010 é que a ONGD Global Witness se interesse pela  proximidade entre a Esperaza Holding B.V, Galp e o clã dos santos e no  seu relatório de 2010, a ONG põe a nu o lugar ocupado pelo genro do Presidente dos Santos no conselho de administração da Amorim Energia como representante da joint-venture com a Sonangol, Esperaza Holding B.V havendo ainda duvidas a dúvida quanto ao verdadeiro proprietário da Exem Holding AG, pois documentos internos e públicos existem que  atribuem a participação na Galp a Isabel dos Santos. «No sector da energia, uma sociedade pertencente a Isabel dos Santos integra a joint-venture com a Sonangol através da qual ela tem uma participação na Amorim Energia BV, uma sociedade holandesa igualmente detida pelo grupo Américo Amorim», conforme surge até num dos currículos de Isabel dos Santos de 16 de Dezembro de 2013.

Mas se no mesmo ano, a Autoridade para a Concorrência em Portugal numa das suas decisões, a 26 de Agosto, relativas à Unitel SA e aos investimentos financeiros de Isabel dos Santos  « Ela detém menos de 50% da Esperaza Holding B.V (Sociedade cujas restantes partes são detidas pela Sonangol) que detém por sua vez 45% da Amorim Energia B.V; acionista principal da Galp, SGPS, SA (com 38,4%)», na verdade outros documentos apontam Sindika como o acionista que detém 7% das ações da Galp…

No papel, Sindika Dokolo é o verdadeiro proprietário de cerca de 7% de acções no gigante da energia portuguesa, a Galp.

E este ambiente cinzento quanto à propriedade se complica com o relatado no dia 20 de Setembro de 2011, na sede da companhia em Amsterdão, em Fred Roeskestraat, onde Sindika Dokolo não está presente pessoalmente mas está sob representação, e um  delegado da Sonangol, um  Senhor Henriques,  informa os sócios que a empresa estatal “«constituiu uma sociedade de acordo com as leis das Ilhas Virgens britânicas [ndlr: paraíso fiscal]» e «poderia transferir a sua participação na sociedade [Ndlr: Esperaza Holding B.V.] para esta nova sociedade devido à ineficácia do regime das taxas aplicadas à estrutura actual»”, e mais este representante da Sonangol evoca ainda a criação de um dispositivo financeiro em Malta. «Através do acordo com Malta, as autoridades fiscais holandesas podem cobrar uma taxa se a transferência das ações for feita apenas por razões de evasão fiscal», responde-lhe um dos advogados holandeses especialista em matéria fiscal. É o que revelam as notas da reunião que consta nos «Luanda Leaks».

Minutos do Conselho Administração a 20 Setembro de 2011.

A Exem Holding AG sente-se confortável com  este  negócio altamente rentável até porque  oficialmente a Sonangol teria pago 198 milhões de dólares para entrar no capital da Amorim Energia e para adquirir 40% das ações da Esperaza, a empresa de Sindika Dokolo terá pago à sociedade petrolífera estatal 75 milhões, só que onze anos mais tarde, esta dívida mantém-se, mesmo quando as ações e os dividendos estão avaliados em centenas de milhares de euros.

Mas tudo e todos convivem em paz pois todos contam com o apadrinhamento do ditador José Eduardo dos Santos só que em Outubro de 2017, José Eduardo dos Santos já não é Presidente e por tal  a sua filha Isabel está prestes a perder a liderança da Sonangol e então o montante em dívida é reembolsado pela sociedade de Sindika Dokolo em kwanzas, moeda sem significado internacional e que desvaloriza a cada dia que passa e mais na Sonangol de Isabel dos Santos, a taxa oficial de 17 de Outubro de 2017, data do pagamento, o homem de negócios congolês deveria ter transferido 75 milhões, ou seja 14,2 mil milhares de Kwanzas, indica a investigação dos «Luanda Leaks», só que a sua empresa Exem Holding AG paga apenas 11,8 mil milhões, ou seja com um desconto de 2,4 mil milhões de kwanzas (12 milhões de euros). 

Ora a nova direção da Sonangol questiona Sindika dada esta  escolha de pagamento em kwanzas  e reclama o pagamento da dívida em euros, e Sindika  recusa-se a pagar. Ao microfone da RFI, o marido de Isabel dos Santos explica-se: «A Sonangol estava em cessação de pagamento e pediu-nos para atrasar os prazos dos pagamentos, que estavam previstos para daí a um ano. Negociamos e conseguimos que o pagamento fosse pago em kwanzas». 

«Ainda para mais, nós somos sócios num dispositivo no qual temos participações que valem amplamente essa quantia. Nós já propusemos um eventual pagamento através da cedência de ações», assegura. 

Há que relevar que este não reembolso do empréstimo é um dos motivos avançados pela justiça angolana, do dia 23 de Dezembro de 2019, para o arresto dos bens do casal e de um dos seus associados.

Vale a pena agender, nesta guerra, que no dia 25 de Fevereiro de 2018, durante a reunião anual da Sonangol, o sucessor de Isabel dos Santos, Carlos Saturnino, faz sérias e graves acusações contra a filha do já afastado  ditador José Eduardo dos Santos e acusa-a de ter desviado através de empresas fantasmas, perto de 135 milhões de dólares, dinheiro note-se do erário público, entre 2016 e novembro de 2017, numa quase garantida vingança já que Carlos Saturnino tinha sido despedido pela «engenheira Isabel», quando esta chega à liderança da empresa.

Mas há mais neste “ponto sem nó” pois durante a gestão  de Isabel dos Santos na Sonangol, surge uma discreta empresa Wise Intelligence Solutions Limited  que foi contratada para representar a reestruturação da companhia estatal de petróleo e Carlos Saturnino acrescenta  citando-a  enquanto empresa offshore ligada a Isabel dos Santos pondo-a sediada,  em Malta, praça financeira muito usada pelo clã dos Santos, sendo possivel mostrar que a 19 de Outubro de 2015, António Fernandes, diretor financeiro da Fidequity, uma das suas sociedades de gestão sediada em Portugal, explica a um dos seus colegas: «A Wise Intelligence Solutions Limited é detida pela Wise Intelligence Solutions Holding Limited detida pela engenheira Isabel. É a ela que devem ser pagos os dividendos» e é este diretor financeiro da Fidequity, António Fernandes, que explica a um dos seus experts malteses: «O projecto Solange é um projecto que pretende restruturar a Sonangol, a companhia angolana de petróleo, e esta reforma está a ser coordenada pela Wise Limited juntamente com outras sociedades como a VdA, BCG, PWC», já que este expert  maltês, Robert Micallef do HRM International Ltd, lhe  tinha pedido, a 16 de Maio de 2016, cartas de compromisso e acordos das empresas em regime de sub-contratação, porque «A Wise não tinha o Know-how nem as competências necessárias» para conseguir o contrato com o Estado angolano… enfim ingenuidades maltesas…num negócio de consultoria que terá alegadamente envolvido a  PricewaterhouseCoopers que recebeu cerca de 25 milhões por dispensar os seus conselhos à empresa do conselho de administração da Sonagol.

Sindika Dokolo, defende a Wise Intelligence Solutions Limited em “irrebatível lógica”: «Wise, Almerk ou outra empresa relacionada que factura um serviço tem sempre um real valor a acrescentar», pois,: «gerir, estruturar financiamentos, reestruturar dívidas, emprestar competências específicas, definir e acompanhar a implementação de um novo projeto. É um valor acrescentado que custa e merece ser remunerado» e entretanto o contrato da «Wise» é transferido para uma primeira sociedade Ironsea Consulting DMCC e esta última vai mudar de nome em 2017 passando  a chamar-se Matter Business Solutions DMCC, a poucas semanas do principio do desastre do clã, as eleições gerais em Angola e o fim do último mandato de José Eduardo dos Santos que pensa que conseguirá manter a sua posição por ser presidente do MPLA o partido de João Lourenço que considera estar por tal a ele amarrado…

Esta Matter Business Solutions representa, segundo o governo angolano, um custo de 131 milhões de dólares para a Sonangol, 58 milhões dos quais faturados dias antes da demissão de Isabel dos Santos sendo verdade que  um documento obtido pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, aponta a  empresa em causa como  pertencente  a uma amiga de Isabel dos Santos, Paula Cristina Fidalgo das Neves Oliveira, o que justifica uma carta datada de 8 de Março de 2018 e enviada ao seu sucessor, de Isabel dos Santos que  garante  não ter qualquer participação nesta empresa e que os montantes dos honorários pagos aos consultores da Sonangol de antes da sua chegada a esta  eram ainda mais elevados, que conclui agressivamente, «Eu faço questão em denunciar a forma como foram feitos os despedimentos dos consultores, marcada pela agressividade e pela falta de profissionalismo”..

Refira-se que quando a justiça angolana decidiu arrestar os bens de Isabel dos Santos e de Sindika Dokolo, a 23 de Dezembro de 2019, não esqueceu de mencionar o grupo Amorim como um dos visados. É um dos pilares deste império que de acordo com documentos confidenciais, pois entre 2006 e 2016, duas das suas filiais recebem cerca de dez milhões de dólares por serviços prestados em consultoria valores que Vasco Pires Rites, membro do conselho de administração da Fidequity e próximo de Isabel dos Santos, estranha qualificando-os de  «desproporcionais e inaceitáveis», mais elevados que «a soma dos salários dos membros do comité da direção da Galp em 2012», enquanto que o atual PDG da companhia de energia portuguesa responde que se trata de «uma remuneração justa em razão dos serviços prestados». A explicação parece não satisfazer o colaborador de Isabel dos Santos e de Sindika Dokolo. «Estes honorários devem ser considerados como tendo sido roubados à outra concessionária», Esperaza Holding B.V.

Entretanto o contra ataque do clã dos Santos já começou e Tchizé dos Santos, deputada do MPLA que se assume “exilada” em Portugal e não pára na sua senda de defesa do clã terá divulgado a lista abaixo que denuncia alegados abusos e desvios do atual PR, João Lourenço1

Estamos na verdade a ver Angola a seguir a via de um novo 27 de maio de 1977, como tenho reafirmado múltiplas vezes, pois esta guerra, que esperemos que se mantenha judicial e comercial pode muito facilmente descambar em guerra civil, militar, com mortos em numero incalculável, como sucedeu no conflito intra MPLA entre Agostinho Neto / Lucio Lara e Nito Alves / Zé Vandunem.

Segue pois a lista que me gera reservas mas que está espalhada aos milhares nas redes sociais!

AZAR NO PALÁCIO PRESIDENCIAL DA CIDADE ALTA, JLO COMEÇA O ANO COM PESADELOS.

MARIMBONDOS E SALALES EM ROTA DE COLISÃO

Se a PGR confirmar as denúncias da Tchizé dos Santos, JLO deverá ser destituído do cargo de Presidente da Republica

“Negócios do JLo e Ana Dias Lourenço, PGR investigue…….
1- Crédito da empresa do Presidente João Lourenço e da esposa Ana Dias Lourenço no BPC no valor de 10.000.000.00 USD foi apagado de forma criminosa no sistema por Ricardo de Abreu com a cumplicidade do Eng. Mário Nsingui ex Director de Informática do BPC;

2- Crédito da empresa do Presidente João Lourenço no Banco Económico no valor de 30.000.000.00 USD foi comprado pela empresa do Eng. Manuel Domingos Vicente, por isso não consegue prender o homem


3- Crédito da empresa do Presidente João Lourenço no BDA foi apagado no sistema pelo actual Ministro da Economia e ex PCA do BDA no sistema;


4- Ações do Presidente João Lourenço no Banco Sol passou para os empregados da sua casa, vejam os nomes ( erradamente pensam que são funcionários do escritório do Dr. Carlos Feijó), para dissimular a venda, contornos desta operação criminal teve a cumplicidade de Coutinho Nobre Miguel (Ex PCE do Banco Sol), Valter Filipe ( na altura Governador do BNA) e Carlos Feijó (advogado da operação);


5- Negócio corrupto de compra de navios no valor de 4 bilhoes abortados pelo ex Ministro das Finanças Armando Manuel e Ex Directora da Dívida Angélica Paquete, envolvendo o ex Presidente João Lourenço e seus amigos libaneses envolvidos nas dívidas ocultas de Moçambique;


6- compra de casas para os adidos militares num condomínio em talatona do seu cunhado Catraio ( Tio Gindungu) e onde vive um dos seus filho não é corrupção?


7- JLO recebeu as ações da Sonangol no Banco BAI numa operação com contornos criminosos e com a cumplicidade de Manuel Vicente e Lima Massano;


8- Ana Dias Lourenço sócia do Banco BNI representada pela sua sobrinha onde tirou o dinheiro?


9- Ana Dias Lourenço sócia do Minoro Dondo no negócio dos medicamentos e das farmácias deste o tempo em que era Ministra do Planeamento, inclusive receberam uma casa no Brasil deste Empresário a que título?


10- Ana Dias Lourenço e João Lourenço são detentores de um património de casas em talatona, como conseguiram? Vejam as declarações do pagamento do IPu nas repartições fiscais e verão a quantidade de património que possuem. Onde conseguiram os recursos para estes investimentos?


Temos provas de tudo que estamos a falar e vamos encaminhar para a PGR e vamos divulgar tudo ao público e internacionalmente para verem o sacana que és.


JLO é gangster dissimulado em santo….. vamos à luta…,.

Patriotas de Angola”



Foi este o teor do texto que circula e que aguardamos desmentido ou confirmação dos visados pelo bem da transparência e da verdade”

Tchizé Dos Santos

Já terá começado a “contagem das armas”, restando saber quem sairá primeiro e que por tal, pagará a fatura do desastre que se avizinha?

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