Home Política A Direita procura novos protagonistas? (com MRSousa sair da penumbra presidencial…)

A Direita procura novos protagonistas? (com MRSousa sair da penumbra presidencial…)

por Joffre Justino

Obviamente que temos de começar com este líder (escondido…?) da direita Lusa, MRSousa, hoje PR e que se depara em fim de mandato com a sua família politica em modo de desastre total.

Assim o Presidente da República parece querer ouvir na terça-feira os partidos com representação parlamentar a começar pelo Livre, às 11:30, e terminando com o PS, às 20:00, para se pronunciar sobre a indigitação do primeiro-ministro, numa velocidade que nos parece inusitada e aliás algo discriminatória com os “pequenos partidos” a terem menos de meia hora para serem ouvidos e os “grandes” cerca de uma hora.

Discriminatória e inadequada pois António Costa foi claro em afirmar que pretende uma segunda Geringonça em linha de uma Geringonça+, isto é contando precisamente com o PAN que tem 4 deputados e foi um grande vencedor da liça eleitoral de 6 de outubro e com o Livre que finalmente teve acesso a um órgão de poder, a AR, com um deputado.

Segundo o ‘site’ da Presidência, as audições começarão pelo Livre, o partido menos votado, às 11:30, seguindo-se as reuniões com a Iniciativa Liberal, às 12:00, o Chega às 12:30, o PEV às 13:00 e o PAN às 13:30. (pausa para almoçar?), e à tarde, estarão os “grandes” às 16:00, com o grande derrotado destas Legislativas, o CDS-PP, seguindo-se o PCP, às 17:00, o Bloco de Esquerda às 18:00, o PSD às 19:00 e o PS às 20:00.

E assumindo o PR a sua submissão à dita União Europeia surge um ainda pelo menos ao que se saiba “argumento externo”, pois, “Dado que se realiza a 17 e 18 de outubro um importante Conselho Europeu, nomeadamente por causa do ‘Brexit’, o Presidente da República receberá já na próxima terça-feira, dia 08 de outubro, em audiência, os partidos políticos com representação parlamentar, tendo em vista a indigitação do primeiro-ministro”, lê-se no comunicado divulgado logo no domingo à noite, como se de regime Presidencialista se tratasse em Portugal!

O artigo 187.ª da Constituição da República Portuguesa estabelece que “o primeiro-ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais”, mas se é prerrogativa do PR esta nomeação na verdade como se aprendeu já a AR e os deputados têm mesmo a ultima palavra na nomeação do Governo!

Enfim, supomos tratar-se de uma gaffe politica, que deveria ser emendada em posterior comunicado, ainda antes dessas reuniões,  pois não há vazio de poder em Portugal já que temos um governo em funções e há muito a negociar e a acordar entre o PS, e os partidos  das Esquerdas lusas, pelo que 11 dias para tal é mais que pouco! 

Ou então este é o primeiro sinal do confronto que MRSousa quer manter com António Costa para liderar a direita nas próximas Presidenciais, pois quer impor à AR todas as dificuldades para um Acordo nas Esquerdas para a legislatura 2019/2023! 

Inclino-me mais para esta hipótese.

E nada como recordar também  que ninguém no eleitorado das Esquerdas entende o silencio das direções partidárias quanto ás próximas Presidenciais!

Mas as próprias  Direitas estão bem divididas e mesmo logo  neste principio do rescaldo do seu desastre eleitoral já surgem as alternativas às lideranças no CDS e no PSD.

No CDS e dada o afastamento desaustinado de Assunção Cristas do seu cargo, o ex-deputado Filipe Lobo d’Ávila, do grupo “Juntos pelo Futuro” do CDS, uma oposição interna a Cristas, está “em reflexão” sobre uma eventual candidatura à liderança do partido, segundo a  Lusa e assim este grupo, que apresentou uma lista ao conselho nacional na anterior reunião magna dos centristas, começou “a atualizar a sua moção de estratégia para levar ao congresso”, antecipado pela decisão da líder do partido se demitir na sequência da derrota nas legislativas de domingo.

Logo no domingo, Filipe Lobo d’Ávila afirmou-se “em estado de choque” com os resultados do partido nas legislativas, acrescenta estar “consciente das responsabilidades”, mesmo que  não esclareça se se poderá candidatar no próximo congresso centrista, dizendo, “Em estado de choque num dos dias mais tristes da minha vida política no CDS mas consciente das responsabilidades que um resultado destes tem para todos nós no CDS. Sempre CDS. Nos bons e nos maus momentos”, escreveu Lobo d’Ávila na sua conta do Facebook.

NO entanto também no PSD as facas se afiam para o confronto interno com o ex poderoso e antigo dirigente do PSD Miguel Relvas a assumir  a “derrota clara” dos sociais-democratase nas legislativas de domingo e a exigir  um projeto alternativo, bem rápido e que  “isso implica novos protagonistas” e à Lusa, Miguel Relvas destacou a “vitória clara do Partido Socialista” nas eleições legislativas de domingo e falou numa “derrota clara” do PSD, “Essa derrota é, aliás, acentuada com a derrota do centro-direita. Uma derrota do PSD, uma derrota do CDS, com o aparecimento de três pequenos partidos que ocuparam este espaço, roubando votos”, e dando um realce desnecessário aos novos partidos das Direitas que na verdade só têm um deputado cada.

Para Miguel Relvas,  “o PSD tem que rapidamente, com muita celeridade, virar a página e construir um projeto alternativo para daqui a quatro anos, com eleições autárquicas ainda pelo meio”, pois que  ficou bem visível ao longo deste ano e meio que “o PSD e o CDS não se assumiram como alternativa, não foram capazes de ser suficientemente atrativos aos olhos dos eleitores, fizeram uma oposição muito frágil, não foram proativos, não tiveram propostas” e “cederam espaços do centro ao Partido Socialista”.

“Foram erros estratégicos muito claros, que se pagaram muito caro”, e por isso,  “o PSD precisa de novos protagonistas, novas propostas” e de “uma nova visão para se recompor”.

No entanto Relvas deixa a Rui Rio uma oportunidade dizendo que “os líderes sabem tirar ilações dos resultados” e que se o líder do PSD “sente que tem condições e ânimo para ser candidato e conseguir alcançar aquilo que ontem [domingo] não foi capaz, então que se candidate”.

Mas as facas não se afiam somente entre as personalidades e já nas bases do PSD o presidente da distrital social-democrata, a  de Santarém, onde o PSD foi fortemente batido pelo PS,  defendeu esta segunda-feira que o partido deve “tirar conclusões” do “muito mau resultado” obtido no domingo e que Rui Rio, na reflexão que vai fazer, deve perceber que “as coisas não correram bem”.

João Moura sublinhou no entanto  que a sua opinião não vincula os órgãos distritais, que irão reunir-se para discutir os resultados obtidos pelo partido nas eleições Legislativas de domingo, tanto a nível nacional como distrital.

“O PSD teve um dos piores resultados de sempre. Algo não correu bem e é preciso tirar conclusões”, disse, adiantando que, no tempo que Rui Rio pediu para refletir, tem que perceber que “as coisas não correram bem”.

É claro que não serão estes os verdadeiros candidatos à liderança das Direitas lusas, até porque MRSousa ainda está bem vivo e com poder suficiente para ter a palavra final, pública ou privada.

Joffre Justino

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