Home África Os testas de ferro africanistas …

Os testas de ferro africanistas …

por Joffre Justino

Conta-nos a Lusa que um empresário português,José Veiga, atuou como “testa de ferro” do filho do Presidente congolês, Sassou-Nguesso, ( que conta com 35 anos de governação, 22 deles de 1997 até hoje) e a quem terá ajudado a esportular mais de 50 milhões de dólares de dinheiros públicos, segundo a Global Witness, enfim “ de pai para filho”.

Este filho do Presidente da República do Congo e deputado, Denis Christel Sassou-Nguesso, de seu nome, terá “extorquido mais de 50 milhões de dólares do Tesouro congolês” através de uma rede de empresas “complexa e opaca” em vários países, incluindo Portugal, através de um esquema de contratos públicos com a empresa brasileira Asperbras, da qual José Veiga era o representante oficial no Congo.

De relevar que José Roberto Colnaghi, o atual presidente da empresa brasileira Asperbrasacima referida e representada por José Veiga no Congo Brazzaville, foi recentemente constituído arguido pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) por suspeitas dos crimes de corrupção no comércio internacional e branqueamento de capitais na Operação Rota do Atlântico e que no BrasilColnaghi e a Asperbras têm sido personagens recorrentes em escândalos políticos. 

Em 2005 estiveram sob investigação no caso mensalão, por estranhas operações com o TradeBank (envoivido, na altura, em transferências pouco transparentes de dinheiros para Angola, oTrade Link Bank, das Ilhas Cayman, também fazia remessas regulares de dinheiro para dois membros do governo angolano, com o jornal ‘O Globo’, do Rio de Janeiro, a ligar este banco desde o início de 2003, no contexto do famoso caso do ‘mensalão’ no Brasil a fazer 21 remessas de numerário, de forma regular e continuada, totalizando 2,7 milhões de dólares, para contas de dois governantes angolanos, sendo um dos beneficiários, José Pedro de Moraes Júnior, ministro das Finanças, e o outro é Amadeu Castelhano Maurício, presidente do Banco Nacional de Angola), como se vê via a Angola de José Eduardo dos Santos o bem visto mais corrupto de África e hoje afastado de todos os cargos pelo atual presidente João Lourenço, figurando este caso, hoje , simultaneamente, nos inquéritos de Curitiba sobre subornos na Petrobras, como no de Brasília sobre o derrame de dinheiro na recente eleição do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, infelizmente do PT talvez até de nada sabendo dos negócios acima

Um dos contratos estabelecidos entre a Asperbras e o Governo congolês era para a realização de um estudo geológico, trabalho que a companhia brasileira subcontratou a uma empresa cipriota chamada Gabox Limited, criada dois dias antes da assinatura do contrato, e estando nos termos do acordo estipulado que a Gabox receberia 25% do montante pago pelo Governo à Asperbras, que segundo a ONG suíça Public Eye foi avaliado em 200 milhões de dólares.

A Global Witness adianta que nessa altura a Gabox integrava uma estrutura composta por três empresas cipriotas de que, segundo documentos públicos, José Veiga seria o proprietário, pelo que a organização concluiu que José Veiga seria “testa de ferro” do verdadeiro proprietário, o filho do Presidente da República do Congo, “José Veiga, empresário visado numa investigação em Portugal pelo seu alegado envolvimento em crimes de corrupção internacional e branqueamento de capitais no Congo, agiu como ‘testa de ferro'”, refere a investigação, pois, “Segundo os documentos analisados pela Global Witness, o verdadeiro proprietário da rede de empresas cipriotas que recebeu os 50 milhões de dólares do Tesouro congolês era Denis Christel Sassou-Nguesso“, acrescenta.

De acordo com a Global Witness, o empresário português terá transferido “secretamente” a propriedade da rede de empresas para o filho do chefe de Estado congolês através de um conjunto de contratos oficializados por um notário em Brazzaville, no Congo.

Gabox recebeu o primeiro depósito de 44,5 milhões de dólares em janeiro de 2014 proveniente de uma filial da Asperbras, tendo um mês mais tarde recebido uma segunda parcela de 1,6 milhões de dólares de uma outra empresa cipriota chamada Sebrit Limitedempresa que já tinha sido identificada numa investigação anterior da Global Witness como sendo uma fachada de Claudia Sassou-Negesso, irmã de Denis Christel Sassou-Nguesso, também suspeita de ter recebido fundos desviados do Estado.

No final do ano, a Gabox recebeu mais 4,4 milhões de dólares da Asperbras, que usou depois estes fundos para fazer pagamentos a empresas baseadas na Polónia, Portugal, Espanha e Suíça, sem que seja claro o objeto desses pagamentos, assinala a Global Witness“No total, seis países europeus, um estado dos Estados Unidos e as Ilhas Virgens Britânicas tiveram um papel chave para facilitar o peculato de Sassou-Nguesso, o que revela graves fragilidades nos sistemas de combate à lavagem de capitais em todo o mundo”, conclui a investigação.

Numa resposta enviada a perguntas da Global Witness, a Asperbras disse desconhecer as transações realizadas por José Veiga e as suas empresas e “ainda menos sobre transações financeiras efetuados a favor de uma Pessoa Politicamente Exposta (PPE)“, e recusou comentar mais detalhadamente a investigação do Ministério Público ao empresário português, sublinhando que nenhum dos seus funcionários foi condenado no quadro deste inquérito.

No poder há quase quatro décadas, a família do Presidente Denis Sassou-Nguesso tem sido acusada de usar a sua posição de poder para enriquecer, tendo a Global Witness revelado recentemente que Cláudia Sassou-Nguesso usou 7 milhões de dólares de fundos públicos para comprar um apartamento de luxo na Trump Tower, em Nova Iorque.

O empresário José Veiga é arguido no processo Rota do Atlântico e chegou a estar em prisão preventiva por suspeitas de corrupção no comércio internacional, fraude fiscal e branqueamento de capitais e tráfico de influências.

Segundo a investigação, José Veiga e Paulo Santana Lopes terão, alegadamente, atribuído vantagens indevidas a titulares de cargos políticos do Congo Brazzaville para, em troca, obterem contratos de obras públicas e de construção civil para a ‘holding’ americana da multinacional brasileira Asperbras.

Na realidade estamos somente no inicio do desmontar da mafia africanista lusa….e todos esperamos que João Lourenço seja neste campo implacável, para bem dos Angolanos e dos Portugueses.

0 comentário
0

RECOMENDAMOS

Comente

* Ao utilizar este formulário, você concorda com o armazenamento e gestão de seus dados por este site.