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SIM… VAMOS VOTAR!

por Teresa Pedro

Votar para o Parlamento Europeu é de suma importância para a salvaguarda da democracia, motivo maior para mobilizar todos os cidadãos a investirem um pouco do seu tempo.

A democracia, embora imperfeita como todo e qualquer sistema, é algo que há que preservar de forma proactiva, entre muitas modalidades, votando.”(…) a democracia é o pior dos regimes à exceção de todos os outros”. (Churchill)

RTP Notícias sobre as “Eleições Europeias: Perfil dos Candidatos” (1)

A MANIPULAÇÃO DAS EMOÇÕES PARA A INSTRUMENTALIZAÇÃO DA REALIDADE

Vivemos dias conturbados acentuados pela disponibilidade das tecnologias, passíveis de serem instrumentalizadas para promover tiranias, ditaduras, opções experimentais irracionais na falsa ilusão de alternativas mais viáveis, que maioritariamente têm como alvo judeus, jornalistas, forças de segurança, etnias diversas, refugiados… (Brasil, Estados Unidos, entre outros).

São múltiplas as possibilidades, a considerar no que concerne à abstenção:

–  A fácil manipulação dos meios de comunicação social, raras vezes capazes de assumirem uma posição noticiosa isenta no mero exercício elementar de informar através das regras base do jornalismo, ignorando-as parcialmente para opinar;

– a sedução fácil pela via do sensacionalismo, seja por parte dos actores políticos, empresariais, agências noticiosas, pessoas de interesse, “influenciadores”, comentadores (que mais não são do que opinadores conotados com interesses de vária ordem) geralmente ao abrigo da “liberdade de expressão”, despudorada no discurso e despida de conteúdos, usando as emoções de forma eficaz, porém em nada ingénua ou sequer respeitando as regras da verdade e da informação, bastando inundar o espaço noticioso nos seus vários suportes, com notícias “ao minuto”, contraditórias, para de novo noticiar no seu desmentir, paralisando assim, a capacidade de assimilar o que quer que seja, desmobilizando o interesse pelo espaço cívico, interventivo e político para o bem comum canalizando -o para outras áreas emotivas de forte impacto gregário como o futebol ou a simples alienação;

– o uso das tecnologias, com o intuito de semear a dúvida, disseminar o medo, estimular a ideia de que tudo pode ser dito da forma mais vil e inconsequente responsabilizando os denominados gigantes das tecnologias, que, embora em nada inocentes, são igualmente diabolizados num processo de desviar responsabilidades individuais, “tribais” (2) e sociais.

– o falso conceito de “transparência” permissivo de tudo nas redes sociais, a título de exemplo, em que a liberdade de expressão bastas vezes através do anonimato, falsos perfis, falsas notícias, passam a mensagem de que é aceitável atacar, insultar, caluniar, ameaçar (por vezes de morte), ostracizar as pessoas, incluindo as figuras públicas e em particular os políticos, também eles por vezes vítimas deste ciclo, no intuito de minar a mobilização do próprio exercício de cidadania, a democracia ou ainda a possibilidade de sequer pensar, menos ainda processar informação e construir um pensamento válido, fundamentado e construtivo;

– a falsa mensagem de insegurança, de instabilidade em certas áreas, por forma a disseminar o medo, inibir a ação cívica na sua multiplicidade mas sobretudo, para que se propague a alienação, o sentimento de não ser relevante agir, votar e, dessa feita, permitir o alastrar de alinhar no pactoando com situações atentatórias contra a dignidade humana pela indiferença ou ataque, seja ele direto ou não. Consequentemente, duvida-se das instituições, o espaço interventivo não o é para o bem estar geral e é usada a privacidade como arma de defesa e de ataque de acordo com os interesses individuais e / ou coletivos, tal como o terrorismo que serve questões nunca abolidas, de racismo, diferenças religiosas, políticas, culturais, económicas… Em suma, instituições em crise, movimentos nacionalistas, populismo, intolerância perante a diferença e o outro,discursos de ódio, entre outras manifestações sociais que urge regular e vigiar para que não destruam a democracia.

AS QUESTÕES CONJUNTURAIS 

Pese embora os níveis elevados de abstencionismo, quiçá tendencialmente com a possibilidade de aumentar, qual acto de desespero gritando a ideia de algo similar a uma sensação de impotência perante as fracturas da conjuntura política global, eis pois, esse mesmo, o real motivo pelo qual é fundamental que se vote.

É generalizado o sentimento de que a Humanidade vive tempos de profundas mudanças estruturais a todos os níveis. Ainda assim, persistem alguns mecanismos que têm ao longo das últimas décadas colmatado algumas situações gritantes  que fogem do controlo humano.

Porém é inegável que existe uma décalage entre a realidade e o que as pessoas sentem.

Esse sentimento advém de tudo o que já foi mencionado, tal como de outros, como desigualdades sociais, pobreza extrema, guerra, refugiados, questões de sustentabilidade de toda a ordem, a digitalização generalizada também ao nível social e ainda, o desinvestimento na educação de forma igualitária e equitativa, somada à cultural por parte dos Estados.

Curioso este paradigma de tempos em que se comemorou recentemente os 70 anos da Carta da Declaração Universal dos Direitos Humanos e os 40 da Europeia e, por outro lado, a globalização, a maior facilidade de comunicação e circulação de pessoas e bens, contrapondo estes, com o potenciar do medo, do terrorismo, da descrença nos sistemas reguladores e decisórios das Nações, Instituições e vivendo – se em velocidade vertiginosa em todas as esferas da vida humana e seu habitat ao nível destrutivo.

Ao invés de todos estes elementos agregarem as pessoas para a verdadeira informação crítica, pensada e interventiva, o que se manifesta é a indiferença e o desconhecimento total. 

As pessoas não se informam sobre o modus operandi da Comunidade Europeia, que sistemas reguladores e direitos existem, como podem intervir…

Reclama-se, faz-se contrainformação, contesta-se, porém não se informam sobre os mecanismos de funcionamento,  não compararam dados, não debatem ideias, fazem-se discursos desarticulados e esvaziados de conteúdos, não votam…

Não sabem, porém opinam sem fundamentar, manifestam descontentamento perante as decisões, atacam a corrupção, manifestam-se com violência, criam e alimentam um discurso de ódio e racismo de toda a ordem, esquecendo ou ignorando, que na linha do tempo da história da Humanidade, a idade da democracia é quase equiparada à de um bebé lactente.

Desde que existem seres humanos, houve sempre ao longo da história, comportamentos desviantes, desde a guerra, todo o tipo de violência, oligarquias, autoritarismos e regimes totalitários de todas as tipologias, ditaduras, interesses vários, que, convém sempre contextualizar com a época histórica e as mentalidades.

Ainda assim, sempre a par e par, o ser humano foi sendo igualmente capaz de demonstrar coragem e abnegação pelo bem comum reinventando-se.

A IMPORTÂNCIA DE VOTAR

A União (Comissão) Europeia, como o nome o descreve, pretende isso mesmo…União. Contudo alegar a perda de soberania nacional é uma falsa questão, dados os seculares Tratados entre as Nações (monárquicas, totalitárias ou outras), Acordos e Convenções.

Todos os países do mundo de um modo ou de outro, estão ligados, sendo por isso mesmo imperioso que se unam e usem mecanismos reguladores como o das Nações Unidas.

No que concerne à Europa, estão em causa vários fatores que ultrapassam a capacidade decisória de cada país dissociada do contexto europeu.

É demasiado importante e determinante para cada país, que tenha a maior diversidade e representatividade possível na Comunidade Europeia, para que haja um real espaço negocial sobre as matérias que, em todas as áreas terão interferência direta localmente.

Eis pois, onde habita a proteção da possibilidade de cuidar da especificidade de cada país, com toda a vantagem de existirem mecanismos para que haja o desejável equilíbrio social, económico e cultural…sobretudo humano para o garante da defesa da democracia.

Num passado muito recente, há que recordar que foi através da democracia que Hitler foi legitimamente eleito, sem qualquer omissão da sua parte, das intenções do seu programa que explanava até à exaustão as intenções que efetivamente se concretizaram e até se excederam.

Por outro lado, quem se abstém, silencia-se e perde o direito de contestar porque prevaleceu o desinteresse, a descrença.

Quem exerce o voto nulo, ao invés de manifestar a sua contestação, inclui o seu voto onde não terá qualquer representatividade, pelo que, imperioso será votar em consciência, com o risco da imperfeição humana e institucional, que não são infalíveis, nada o é, porém, exerce um direito arduamente conquistado com o sangue das  gerações antecessoras guardiãs das nossas e, exerce um dever de cidadania pelo simples facto de que todos somos responsáveis pelo bem comum através dos mecanismos ao nosso dispor, para de igual modo respeitar o sangue derramado, amenizar o das gerações vindouras e a sustentabilidade do Planeta.

Neste tempo de transição em que se vão decidir questões inéditas com parceiros que desafiam a democracia, qual complexo tabuleiro de xadrez, há que participar VOTANDO.

Em jeito de reflexão, cito Rui Tavares Guedes

“A democracia é um caminho longo (…) a democracia é frágil. Tão frágil como as flores que só sobrevivem se forem regadas – todos os dias.”  (3)

Teresa Pedro

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Notas:

(1) Link de RTP Notícias, 22 de maio de 2019

(2) O ser humano é gregário e necessita de pertencer a uma “tribo”, um grupo que lhe confira um sentimento de pertença, seja religioso, desportivo, cultural, ou outro. Através desta caraterÍstica, diariamente vemos atos de coragem ou de barbárie inqualificável.

(3) Rui Tavares Guedes, no Editorial do “Courrier Internacional”, abril.2019 – Nº 278, pag. 3

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