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Escravatura(s) Nunca Mais!

por Mário Alves

Celebra-se a 2 de Dezembro em todo o mundo o Dia Internacional para a Abolição da Escravatura. A efeméride assinala a data de assinatura, em 1959, da Convenção das Nações Unida para a Supressão do Tráfico de Escravos e da Exploração da Prostituição de Pessoas. Associando-se à celebração, o Estrategizando partilha com os seus leitores um excerto da “História das Ilhas de São Tomé e Príncipe (arquivo da Torre do Tombo), que nos foi enviado pela escritora e poetisa Santomense Olinda Beja.

“Em Setembro de 1781, a bordo do Zong, de Liverpool, largou de São Tomé com um carregamento de quatrocentos e quarenta escravos e dezasseis tripulantes. Uma calmaria imobilizou o barco que se viu a braços com uma epidemia que matou sete tripulantes e sessenta negros. A maioria dos sobreviventes ficou tão debilitada pela disenteria que seria duvidoso que alguém desse alguma coisa por eles na Jamaica. Em 29 de Novembro, já à vista das Índias Ocidentais, o capitão Luke Collingwood informou os seus oficias de que só havia duzentos galões de água, o que não chegava até ao fim da viagem. Se os escravos morressem de sede ou de doença, os prejuízos recaíam sobre os armadores do navio e sobre ele. Mas, se fossem deitados ao mar, o seguro pagaria a indemnização legal.O imediato manifestou o seu total desacordo, afirmando que havia água suficiente e que talvez chovesse. Porém, o capitão Collingwood fez orelhas moucas a todos os pedidos de clemência que lhe fizeram, «mandou apartar centro e trinta e dois escravos e obrigou a tripulação, por turnos, a atirá-los ao mar. O primeiro “fardo”, cinquenta e quatro escravos, foi lançado aos tubarões nesse mesmo dia. A 1 de Dezembro foi borda fora mais um grupo de quarenta e dois. Nessa noite choveu bastante e apararam água suficiente para todos até ao porto. Mas o capitão tinha o seu plano estabelecido e, uma semana depois, mais vinte sete negros foram manietados e obrigados a andar em frente, no convés, até caírem ao mar. Dez saltaram de moto próprio, sem necessidade de “auxílio dos marinheiros”.

«A 22 de Dezembro, o Zong chegou a Kingston. Luke Collingwood vendeu os seus escravos. Alguns, que ninguém quis comprar, abandonou-os no molhe. Lá morreram de fome e sede. No último dia da sua estada em Kingston mandou a maioria da tripulação para terra. Então, de surpresa, mandou levantar ferro, acusando os marinheiros de deserção. Assim evitava pagar-lhe quase um ano de soldo. Collingwood gabava-se de enganar os compradores dos seus escravos atacados de disenteria, pelo simples processo de mandar o médico tapar os cus dos doentes com estopa”.

“Quando chegou a Liverpool, Luke Collingwood reclamou à companhia de seguros trinta libras por cada um dos cento e trinta e dois escravos que tinha mandado deitar ao mar.”

Foto de Destaque: Pixabay / CC0 Creative Commons

(Redacção)

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