Home Educação e Formação Aqueduto das Águas Livres de Lisboa

Aqueduto das Águas Livres de Lisboa

por Mario Carvalho

Obra barroca por excelência da responsabilidade de muitos engenheiros e arquitectos  quase todos militares portugueses dos quais destaco três: Manuel da Maia (1677-1768); Custódio Vieira e o húngaro Carlos Mardel (1695/1696-1763).

A ideia de abastecer a cidade de Lisboa com água de qualidade captada nos arredores era já, ao tempo de D.João V (1689-1750), velha de quase duzentos anos. Até esta altura o povo de Lisboa usava a água dos poços e das cisternas  o que era escasso e o alarme deve ter tocado quando os chafarizes Neptuno no Rossio e Apolo no Terreiro do Paço, secaram.

Foi só em 1728 que o então Procurador da cidade de Lisboa, Cláudio Gorgel do Amaral faz chegar ao Rei uma proposta no sentido de arranjar financiamento, através de impostos que os alfacinhas irão pagar na totalidade e dar, finalmente, andamento à construção do tão desejado aqueduto.

As obras vão então começar em 1731 e o projecto que se vai dividir em três partes, vai ser da responsabilidade do brigadeiro do reino Manuel da Maia que levou seis anos  a projectar a obra. O velho brigadeiro que era também responsável pela Sala do Risco lá para os lados da Ribeira das Naus, vai ter a ajuda do sargento-mor Custódio Vieira,arquitecto e um dos heróis de Mafra e já numa terceira fase do projecto a colaboração importante de Carlos Mardel, também arquitecto e por esta altura, capitão do reino.

FASE I DO PROJECTO

Captação da água nas nascentes,com a construção da respectiva Mãe-de-Água e suas ramificações até ao aqueduto,nas zonas de Caneças,Belas e Salgueiro-Grande.

FASE II DO PROJECTO

A construção do aqueduto em si mesmo,com uma extensão de aproximadamente 58.135 kilómetros – aqueduto e ramificações – sendo que o troço no vale de Alcântara é de facto o mais monumental.Aqui a arcaria com 941 metros de comprimento e 65 metros de altura tem 35 arcos,14 dos quais”góticos” ou arcos quebrados e os restantes “românicos”ou de volta inteira. De realçar que,aquando do terramoto de 1755,apenas caiu uma lanterna ou respirador,o que levou à época muita e boa gente por essa Europa fora a falar da resistência do aqueduto e da engenharia portuguesa.

FASE III DO PROJECTO

Esta terceira e ultima fase do projecto vai ser quase toda da responsabilidade de Mardel ,primeiro com a construção do Arco Triunfal,estilo Dórico-Toscano,junto ao jardim das Amoreiras,mesmo antes de chegar à Mãe-de-Água,depósito com  capacidade para 5500 metros cúbicos de água.São também da responsabilidade de Mardel quase todas as “fontes joaninas”  de Lisboa.

Finalmente a linfa vai chegar à capital do reino  já no ano de 1744, mas aqueduto das águas livres de Lisboa só será terminado em 1799, 68 anos depois de ter começado.

Para terminar, esta ultima nota, é preciso dizer que nada disto teria sido possível sem os conhecimentos Vitrúvianos e os estudos de hidráulica do Francês Bélidor (1698-1761).

Mario de Carvalho, escultor

Foto de destaque: visitlisboa.com

0 comentário
0

RECOMENDAMOS

Comente

* Ao utilizar este formulário, você concorda com o armazenamento e gestão de seus dados por este site.