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O Vírus da Mudança

por Dulcinha Machado

Há uns meses, sem esperarmos, um vírus, uma pandemia entrou nas nossas vidas, uma pandemia que mudou por completo toda a dinâmica do mundo, das pessoas.

O impacto social, político e económico foi enorme em todo o mundo, há questões que estavam esquecidas e agora voltaram a estar em cima da mesa.

Será esta pandemia o fim ou um novo começo? Vários autores, economistas, sociólogos, políticos têm variadas respostas à minha pergunta, mas todos são unânimes numa coisa: o mundo mudou. Citando Yuval Noah Harari, num artigo do Financial Times “A Humanidade tem de fazer uma escolha. Vamos seguir a via da desunião ou adotar o caminho da solidariedade global?

Se escolhermos a desunião, isso não só prolongará a crise como resultará provavelmente em catástrofes ainda piores no futuro. Se escolhermos a solidariedade global, será uma vitória não só contra o coronavírus mas contra todas as futuras epidemias e crises que possam assolar a Humanidade no século XXI”.

Pessoalmente, não poderia estar mais de acordo. Concordo que é necessário haver uma solidariedade global e não mais disputas que possam agravar a situação atual do mundo.

De facto, há tantas questões que são levantadas com este vírus:
Será a China, a partir de agora, a potência mundial com mais poder?
Terá esta “reescrito a reeleição de Trump por linhas tortas?”, como nos escreve António Freitas de Sousa no Jornal Económico
Que futuro terão as políticas populistas de Trump?
Veio esta crise agravar o conflito e a rivalidade China-EUA?
Estará o Brasil à beira de ver o Presidente Bolsonaro a ser destituído?
Será uma oportunidade para “exterminar” de vez as políticas de extrema-direita? Ou, pelo contrário, ganharem mais força?
Que futuro espera a Europa? A União Europeia? Será o fim desta? Ou será esta crise uma nova oportunidade para uma solidificação dos valores humanitários?

De facto, há muitas críticas em relação à solidariedade europeia que foram surgindo com esta crise pandémica. Itália, o país europeu que inicialmente mais foi atingido com este vírus, e Espanha, dois países fortes da União Europeia, queixaram-se da falta de solidariedade por parte da maioria dos países que constituem a União Europeia.

Haverá, depois desta crise, mais países a seguirem o exemplo do Reino Unido e do seu Brexit? Por outro lado, terá Boris Johnson arrependido de ter saído da União Europeia?

E, Portugal? Será que o nosso país sairá mais fortalecido, aos olhos da União Europeia, depois de ter sido bastante elogiado em relação às medidas de combate à Covid-19? Será esta uma nova oportunidade de se afirmar como um país visionário?

O certo é que Portugal chegou-se à frente e tomou uma das medidas mais importantes, nesta crise, a nível da política de imigração, ao determinar que os imigrantes com pedidos de autorização de residência pendentes no SEF passassem a estar em situação regular e a ter acesso aos mesmos direitos que os outros cidadãos. Foi, sem dúvida, um exemplo de boa prática a ter em conta.

E, que futuro espera as políticas de imigração? Os refugiados? Haverá uma abertura para a solidariedade? Haverá novas oportunidades, novas vidas para estas pessoas? Espero, sinceramente que sim.

Ou será esta pandemia um agravamento das desigualdades sociais, culturais e económicas? Há que tirar lições desta crise pela qual estamos a passar, há que aprender e crescer com os erros, melhorar as políticas internacionais, torná-las mais humanas. Este vírus mortífero tem trazido muito sofrimento e medo a todos nós. Mas, penso que é também uma oportunidade de renascer, de procurar soluções para a mudança.

Há que repensar o mundo em todas as suas vertentes, acreditar que juntos podemos fazer a diferença. Renovar a esperança no mundo, nos valores humanos, em nós.

A ação humanitária, a meu ver, terá um papel ainda mais importante a partir de agora tentando salvaguardar os direitos daqueles cujas necessidades são frequentemente ignoradas e que têm sido agravadas com a Covid-19.

Penso que este será o nosso grande desafio. Agora, é tempo de agir, de reorganizar, de preparar, de motivar. O mundo está a precisar de novo de abraços, de afetos, de memórias, de pessoas.

O mundo aprendeu uma lição: somos todos iguais e frágeis, ninguém está livre de contrair este ou outro qualquer vírus. Penso que esta está a ser a nossa grande lição. Uma lição dada pela própria Terra, para o bem da Humanidade.

Foto de destaque: Daniel Arrhakis on Visualhunt.com / CC BY-NC

Dulce Machado

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