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Na Guiné Bissau aumenta a violência

por Joffre Justino

Segundo o parlamento guineense vive-se  “um claro aumento” de casos de violência contra mulheres e crianças no leste do país e a deputada da comissão especializada daquela franja da população, Salomé Santos, pede uma atenção particular do Governo

Na semana passada, elementos da comissão especializada da Mulher e Criança da Assembleia Nacional Popular (ANP, o parlamento guineense) estiveram nas regiões de Bafatá e Gabú, no leste, para investigar várias denúncias de situações de violência contra mulheres e crianças aí relatadas pela população.

À Lusa, a deputada Salomé dos Santos relatou “situações chocantes” ouvidas nas conversas com populares e autoridades das aldeias visitadas o que, afirma, demonstra “um claro aumento” de violência contra mulheres e crianças como a morte de uma adolescente de 17 anos “com a garganta cortada com uma lâmina”, quando foi arranjar o cabelo numa aldeia vizinha, um dia antes de se casar.

A polícia local aponta o ex-namorado, que não teria gostado do ver a jovem ter sido dada em casamento a outro homem, como o principal suspeito e o Ministério Público, decidiu que o jovem fosse detido preventivamente em Gabú.

Ainda em Pitche, a comissão tomou conhecimento do caso de uma criança do sexo feminino de oito anos violada por desconhecidos.

A criança apresenta ferimentos graves nos genitais e recebe tratamento médico no centro de saúde local, reforçou a deputada.

Na aldeia de Sintchã Bilali, arredores de Bafatá, uma criança de três anos foi jogada deliberadamente numa fossa sanitária, alegadamente por um familiar, e após seis horas de buscas, foi encontrada e salva com o presumível autor do ato, que teria confessado o crime à polícia local, encontra-se detido preventivamente, por ordens do Ministério Público de Bafatá, disse a deputada.

Salomé dos Santos afirma ainda ter ficado com a sensação de que as crianças no leste do país “passam por muito sofrimento”, pedindo esmolas pelas ruas, por exemplo, e que as mulheres aparentam ser mais tristes no seu olhar.

“As mulheres daquela zona deixam entender que não têm tanta liberdade como as das outras regiões, por exemplo as do norte”, do país, destacou Salomé dos Santos, deputada eleita para a zona nordeste da Guiné-Bissau.

A deputada Salomé dos Santos esclarece que o parlamento ao denunciar estes casos não pretende fazer justiça, “apenas está a relatar situações inaceitáveis” para as quais, disse, tem que haver respostas urgentes.

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