O nome, sugerido por Maria Gouveia, filha do autor, nasce via o vizinho Chafariz da Esperança, construído no século XVIII e projectado por Carlos Mardel.
Este Chafariz da Esperança integra-se na política de abastecimento público de Lisboa delineada desde o reinado de D. João V.
Em 1731 o monarca assinou o decreto que autorizava a construção do Aqueduto das Águas Livres; pars servir a cidade e pôr fim os problemas relacionados com o fornecimento de água à capital.
A obra do grande aqueduto, que se estende desde os arredores de Lisboa, arrastou-se pelas décadas seguintes, levantando inúmeras polémicas, devidas sobretudo à morosidade da obra e aos elevados custos que a construção da arcaria sobre o vale de Alcântara haviam implicado.
Em 1747, já com Carlos Mardel como arquitecto principal da obra do aqueduto, começaram a ser executadas as galerias para o abastecimento das fontes principais da cidade, usando o mesmo sistema de galerias do aqueduto geral.
No entanto, a dúvida sobre o local onde deveria ser construída a Mãe de Água, se no subúrbio do Rato, perto da Fábrica das Sedas, se em São Pedro de Alcântara, junto ao Bairro Alto, atrasou a edificação dos chafarizes.
Daí aue os primeiros projectos para os chafarizes públicos só tenham sido aprovados no início da década seguinte.
Em 1752, o senado da Câmara de Lisboa adquire uma porção de terreno pertencente ao convento franciscano de Nossa Senhora da Esperança para construir um grande chafariz, cuja galeria de abastecimento vinha directamente do reservatório das Amoreiras.
O projecto do fontanário, executado por Carlos Mardel, marcou de forma definitiva a zona da Esperança.
Encostado a um edifício, o grandioso conjunto desenvolve-se numa estrutura de dois pisos servida por escadas laterais, de evidente carácter cénico, bem ao gosto barroco.
“Em cada um dos registos foi edificado um tanque com espaldar.
O tanque inferior, que servia como bebedouro de animais, implanta-se ao nível do chão, com três carrancas para saída da água.
No piso superior, os tramos são marcados pela disposição de pilastras toscanas, e cada uma das carrancas verte águas sobre um pequeno tanque.
O conjunto é rematado por pórtico de gosto pombalino, muito semelhante aos remates das fachadas das igrejas construídas no período pós-Terramoto, que imprime um cunho de verticalidade ao chafariz, uma vez que prolonga a sua altura muito para além do estritamente necessário.”
O Luis Represas escolheu bem ao ligar-se a um dos elementos centrais da Vida - a agua !