O advogado também declarou estar pronto para demonstrar em juízo a falsidade da reportagem de Veja contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A controvérsia teve início depois da publicação, pela Veja, de uma reportagem baseada numa gravação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que continha supostas acusações contra integrantes do governo Lula. Marco Aurélio de Carvalho questionou a autenticidade e a forma de apresentação do material, acusando a revista de promover uma interferência indevida no processo eleitoral, nas vésperas do segundo turno da eleição presidencial.
Na notificação extrajudicial, assinada pelo advogado Arthur Luis Mendonça Rollo, a Abril Comunicações S.A. contesta as acusações publicadas pelo Brasil 247 e exige que o veículo apresente uma cópia da nota encaminhada por Marco Aurélio de Carvalho ou reconheça que as afirmações foram produzidas por seus próprios jornalistas e editores.
O documento afirma que as declarações representam acusações de extrema gravidade contra a revista e menciona expressamente as imputações de crime eleitoral, divulgação de acusação falsa, proteção ao responsável pela gravação e participação em uma suposta armação eleitoral.
A notificação também exige a remoção imediata da reportagem, invocando o Tema 995 do Supremo Tribunal Federal, e estabelece prazo de um dia para resposta, sob ameaça de medidas judiciais nas esferas cível e criminal.
A confirmação feita por Marco Aurélio de Carvalho ao Brasil 247 esclarece a principal questão levantada pela notificação: as declarações reproduzidas pela media são efetivamente de sua autoria.
O advogado reafirmou o conteúdo de sua manifestação e disse estar preparado para sustentar judicialmente as acusações, inclusive para demonstrar o que considera ser a falsidade da reportagem publicada por Veja contra o presidente Lula.
Na nota original, Carvalho havia acusado a revista de utilizar uma gravação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para tentar interferir no processo eleitoral.
O advogado também questionou a edição do material divulgado pela publicação, especialmente a supressão da voz do interlocutor que conversava com Vorcaro – ao que tudo indica, um advogado de Vorcaro interessado na eleição de Flávio Bolsonaro para que seu cliente seja, assim, libertado.
A própria Veja, ao responder às críticas sobre a reportagem, reconheceu que trechos de áudio foram suprimidos para preservar a identidade da fonte. A revista sustentou que o procedimento estava amparado pela proteção constitucional ao sigilo da fonte jornalística.