Ao defender a política economica do seu governo , Lula realçou  que o déficit foi reduzido de 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB) para uma projeção de superávit primário de 0,1% do PIB em 2026.

“Quem tem responsabilidade fiscal neste país sou eu”, afirmou Lula, ao rebater críticas sobre a condução das contas públicas, deixando os fitos jornalistas feitos opositores sem palavras!

Para o PR Lula, a evolução do resultado primário prova  que o governo conseguiu conjugar integradamente recuperação fiscal, crescimento econômico e manutenção de políticas sociais.

Lula também recordou a  sua experiência nos dois primeiros mandatos, entre 2003 e 2010, período em que, segundo ele, o governo registrou superávits primários durante oito anos consecutivos.

A principal comparação apresentada pelo presidente lembrou a  trajetória do resultado primário, indicador que considera receitas e despesas do governo antes do pagamento dos juros da dívida.

Lula afirmou ter recebido um quadro fiscal com déficit de 2,8% do PIB e destacou que a situação foi progressivamente corrigida ao longo de seu terceiro mandato.

Para 2026, a previsão mencionada pelo presidente é de superávit primário equivalente a 0,1% do PIB.

A mudança representa, portanto, uma melhora de aproximadamente 2,9 pontos percentuais do PIB em relação ao quadro citado por Lula como herança da administração anterior.

E houve  recuperação fiscal e  paralelamente retoma de investimentos públicos e de programas sociais, uma combinação que o governo apresenta como alternativa às políticas de ajuste baseadas exclusivamente no corte de despesas.

O presidente ressaltou, no entanto, que analisar apenas o resultado primário não é suficiente para compreender a evolução da dívida pública.

Uma parcela importante do aumento do endividamento decorre do pagamento de juros. Com taxas elevadas, o custo de carregamento da dívida cresce e pressiona as contas públicas mesmo quando o governo melhora seu resultado primário.

Por isso, Lula voltou a defender a redução dos juros como elemento importante para melhorar a situação fiscal brasileira.

Na avaliação do presidente, juros menores produzem um efeito duplo: diminuem diretamente o custo financeiro da dívida e, ao mesmo tempo, estimulam investimentos, consumo e atividade econômica.

Outro ponto destacado por Lula foi a relação entre crescimento economico e endividamento.

Com o  indicador da  sustentabilidade da dívida pública o da  sua proporção em relação ao PIB não é apenas o tamanho nominal da dívida que importa: o desempenho da economia também influencia decisivamente essa relação.

Quanto mais rapidamente o PIB cresce, maior tende a ser a capacidade do país de gerar rendimento, poupança  e recursos para administrar suas obrigações.

Lula lembrou que, durante seus governos, o Brasil voltou a registrar taxas de crescimento superiores a 2% e citou como referência 2010, quando o PIB brasileiro avançou 7,5%.

Para o presidente, a estratégia fiscal precisa estar associada ao crescimento.

Em vez de buscar equilíbrio das contas por meio de uma economia estagnada, Lula defende expansão da atividade, geração de empregos, aumento da renda e fortalecimento da arrecadação.

Lula sustenta que responsabilidade fiscal não significa abandonar a responsabilidade social.

O objetivo de sua política economica é equilibrar receitas e despesas ao mesmo tempo em que o Estado investe em infraestrutura, educação, saúde e políticas de combate à pobreza.

O governo também aposta na industrialização e na ampliação dos investimentos privados para sustentar taxas mais elevadas de crescimento econômico nos próximos anos.

Nesse modelo, a melhora fiscal não seria resultado apenas da contenção das despesas, mas também de uma economia maior, com mais empregos, empresas produzindo e consumidores com rendimento.

Ao abordar a situação das empresas públicas, Lula também rejeitou a possibilidade de privatização dos Correios reconhecendo que a estatal enfrenta problemas financeiros e precisa passar por uma reorganização, afirmou que vender a empresa não está nos planos do governo.

A orientação é modernizar os Correios para responder às profundas transformações ocorridas no mercado de encomendas e entregas com a expansão do comércio eletrônico.

Lula admitiu inclusive a possibilidade de parcerias capazes de aumentar a eficiência e melhorar os serviços da companhia.

Na visão do presidente, os Correios continuam desempenhando uma função pública estratégica devido à capacidade de atender todo o território nacional, inclusive localidades nas quais uma operação guiada exclusivamente pela rentabilidade poderia não ser economicamente atraente.

Por isso, Lula defende uma combinação de reorganização financeira, modernização tecnológica e adaptação ao novo mercado logístico.

A mesma lógica apresentada pelo presidente para os Correios aparece em sua defesa mais ampla da política economica: recuperar as contas sem desmontar o patrimonio público e buscar equilíbrio fiscal por meio de crescimento, investimento, eficiência e aumento da capacidade produtiva do país.

Ao comparar a situação recebida do governo Bolsonaro com a projeção para 2026, Lula sustenta que a passagem de um déficit de 2,8% para um superávit primário de 0,1% do PIB é a demonstração concreta de que é possível melhorar as contas públicas sem abrir mão de políticas sociais, investimentos e do papel estratégico do Estado na economia.