Finalmente, num golpe de mão, em final de legislatura, e quando toda a atenção estava centrada no pacote laboral, o governo AD pede uma autorização legislativa para legislar sobre a PSU, que esteve retida durante anos, à espera do momento certo, mascarado pela suposta espera de um estudo do OCDDE.

Há sempre estudos a justificar as medidas mais gravosas…

E o momento certo chegou sob a forma de chantagem: ou a medida é aprovada ou a UE não liberta os 620 milhões de euros do PRR – que se vão juntar aos que foram retidos por falta de execução do mesmo PRR, o qual tem sido um autêntico maná para a burguesia, e que irá terminar a 30 de agosto deste ano. Por isso, há que procurar receitas para compensar essa fonte de milhares de milhões de euros, a que se junta uma economia de guerra em curso. Medidas que cairão sobre os mais explorados, os mais pobres.

Depois de uma semana de manobras, acordos, desacordos e falsas declarações a que o povo português já se habituou, depois do Chega ter tido, mais uma vez, o palco suficiente para a sua verborreia eleitoral habitual, tentando iludir o povo português, lá veio o amigo PS, “surpreendido” com as alterações de última hora introduzidas pelo governo, viabilizar a PTU, o que naturalmente não podia deixar de fazer, pois como já foi referido a mesma foi uma proposta do governo António Costa. Contudo, essas ditas alterações são, propositadamente, demasiado genéricas e os critérios não estão claramente definidos. E esta lei será o que o governo quiser e o que o capital necessitar.

Supostamente a PSU é uma bondade para “ajudar” os mais desfavorecidos, juntando 13 prestações sociais:

  • Rendimento social de inserção (RSI);
  • Subsídio social de desemprego;
  • Pensão social de velhice;
  • Pensão de viuvez;
  • Pensão social de invalidez especial;
  • Pensão de orfandade;
  • Complemento extraordinário de solidariedade;
  • Subsídio social por risco clínico durante a gravidez;
  • Subsídio social por interrupção da gravidez;
  • Subsídio social por adopção;
  • Subsídio social parental inicial;
  • Subsídio social por necessidade de deslocação a unidade hospitalar localizada fora da ilha de residência da grávida;
  • Subsídio social por riscos específicos.

Juntando todos numa prestação, apertando os critérios e restringindo as condições para o seu acesso ao mesmo tempo que reduz as obrigações do Estado, nomeadamente a anulação do contrato de inserção, no caso do RSI, naturalmente que este instrumento, para além de ser uma forma humilhante de controlo, se traduzirá numa fonte de receita para o Estado e num aumento da taxa de pobreza e das desigualdades (a taxa de risco de pobreza ou exclusão social atinge 2,1 milhões de portugueses).

Vejamos, por exemplo, alguns dos critérios a que obedece o acesso a esta prestação e que colocam na pobreza alguns milhares de portugueses.

Ficam excluídas da PSU – voltamos a referir que engloba as 13 prestações referidas – todas as famílias com património móvel e mobiliário acima de 16 110€, incluindo poupanças e bens como carro ou moto, ou seja, metade do valor para se ter, até agora, acesso ao RSI e oito vezes menos do que o definido para o subsídio social de desemprego. Note-se que o valor do RSI é de 159,66€ e não pode ser superior a €336,17 por família! Ninguém vive com estes valores! Os portugueses não querem esmolas, não querem subsídios, querem ter uma vida digna e lutarão para que a venda da sua força de trabalho lha proporcione.

Ao Presidente da República caberá fiscalizar o decreto-lei a ser fabricado pelo governo. Não se esperam grandes surpresas.

CONTRA A FOME, A MISÉRIA E A DESTRUIÇÃO!

ABAIXO O MODO DE PRODUÇÃO CAPITALISTA!

VIVA A REVOLUÇÃO PROLETÁRIA!