Exmo Senhor Presidente da Republica,

“Aprovado alargamento a todo o país dos transportes gratuitos para ex-combatentes."
Projeto de lei foi aprovado em votação final global, com os votos a favor de todos os partidos, à exceção do PCP e do Livre, que optaram pela abstenção.”
( num Luso media)

É a enésima vez que o Estrategizando, o Movimento CPLP, e a Associação Promotora do Livre Pensamento protestam com esta marginalização entre combatentes!

Ao que parece a “história politica” divide os combatentes entre os “bons” os que fizeram a guerra colonial e os “maus” os que a combateram - aos primeiros tudo aos segundos o esquecimento!

Entre os ja n beneficios obtidos nasceu agora mais um o transporte gratuito!

Nao esquecemos claro o drama que está por detras dos 8.290 a mais de 10.000 militares (segundo relatórios recentes dos três ramos das Forças Armadas) e os feridos e Inválidos mais de 15.500 a 30.000 militaressofreram de deficiências permanentes (físicas ou psicológicas) ou ficaram inválidos, resultante da guerra colonial , alem dos graves problemas psicológicos por muitos vividos anos a fio!

Nada portanto a opor aos apoios aos que participaram na guerra colonial a larga maioria deles por puro desconhecimento do envolvido na guerra que iriam viver !

Mas ha os Outros senhor Presidencial da Republica!

Os que combateram militante e clandestinamente a guerra colonial!

Claro recordo aqui um dos republicanos conservadores  Cunha Leal que na fase da Guerra Colonial (anos 60) defendeu o Ultramar com veemencia.

No entanto no início da década de 1930 tinha chegado a propor soluções de autodeterminação e negociação de independência com líderes como Jawaharlal Nehru, na Índia, temendo o isolamento de Portugal. Terá sido a  radicalização do conflito em África que  o seu discurso endureceu a favor da causa ultramarina.

Mas lembremos os oposicionistas ao salazarento com uma visao liberal como o capitao Henrique Galvao e o general Humberto Delgado

Henrique Galvão não participou diretamente na guerrilha armada que os movimentos de libertação (como a UPA, o MPLA, a UNITA,  e o PAIGC) iniciaram em Angola entre  1961 e 1963/4, as suas denúncias ao longo dos anos foram fundamentais para põr a nu a propaganda do Estado Novo e revelar ao mundo as condições brutais nas colónias que motivaram esses conflitos.

A sua contestação abriu caminho para a crescente pressão externa sobre Portugal.

Já as correntes oposicionistas ligadas ao "General sem Medo" a Humberto Delgado,  posicionaram-se fortemente contra o conflito.

O n.º 8 da publicação clandestina Tribuna Militar (ligada aos apoiantes de Delgado) tinha o claro apelo: "Ponhamos fim à guerra de Angola".

Nao iremos citar ( mas mereciam), Mario Soares, Alvaro Cunhal, Francisco Martins que lideraram na pratica ou cultural/ideologicamente o combate à guerra colonial imposta pelo ditador salazar!

Os que combateram a guerra colonial tiveram cerca de 15 a 20  mil presos politicos, ( em Portugal) e a sua larga maioria viveu pesadelos vidas inteiras!

Senhor Presidente,

O PR de Angola Joao Lourenço reconheceu o drama dos mortos no 27 de maio de 1977 e medalhou pelo menos uma parte dos nacionalistas angolanos

Em Moçambique a Renamo foi reconhecida como um partido politico

So em Portugal se mantem a vergonha em assumir que houve guerra e houve quem a combateu como se mantem a vergonha em lembrar o 12 de abril de Botelho Moniz e Costa Gomes que pretendia pôr fim à guerra entao so em Angola!

Apelamos pois senhor Presidente a que faça recordar os combatentes à guerra colonial até  nos direitos a aue têm direito!