O combustível russo proibido continua a entrar nos portos da UE, com as cargas a duplicarem em julho. 

Em julho 26, foram descarregados em portos da UE cerca de 18 carregamentos de produtos petrolíferos vindos  de refinarias que utilizam, em parte, petróleo bruto russo, mais do que o dobro dos oito registados no mês anterior. 

Essa conclusão decorre da análise mensal publicada na segunda-feira (10 de agosto) pelo Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo (CREA).

"O teto do preço do petróleo não conseguiu impor uma restrição duradoura às receitas de exportação de petróleo bruto da Rússia", concluiu o centro. 

Apesar da UE muitos países europeus continuam a receber remessas, segundo dados disponíveis. 

A Espanha e o Chipre receberam sete dos carregamentos de julho cada, e a Croácia, a França, a Grécia, a Itália, Malta e os Países Baixos também receberam remessas. 

Desses carregamentos, oito vieram via refinarias turcas, cinco via Índia e cinco via Geórgia. 

E a CREA afirmou que as agências de fiscalização dos estados membros devem investigar o comércio para impedir que o petróleo russo volte a entrar no bloco.

Embora os lucros da Rússia com GNL tenham caído 36% em julho em comparação com junho, a Bélgica ainda importou todo o seu GNL da Rússia em julho e agora é o terceiro maior importador de combustíveis fósseis russos na UE.

Entretanto uma coligação multipartidária de 101 parlamentares e eurodeputados de 16 países europeus apelou ao estaleiro dinamarquês Fayard para que cesse a prestação de serviços a uma frota de navios-tanque especializados em gelo, que transportam gás natural liquefeito (GNL) russo. 

A ação, coordenada pelo eurodeputado dinamarquês do Partido Verde, Villy Søvndal, ex-ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, só podia nao é, (?), ocorre após a chegada do barco de Rudolf Samoylovich a Fayard em 30 de junho. 

A embarcação é a primeira de até seis navios metaneiros Arc7 que deverão necessitar de manutenção antes da entrada em vigor do 20º pacote de sanções da UE , em janeiro de 2027, quando o embargo ao GNL russo entrará em vigor.

Numa carta aberta ao CEO da Fayard, Thomas Andersen, os parlamentares instam a empresa a recusar qualquer trabalho adicional de reparo ou manutenção nos navios-tanque Arc7 envolvidos nas exportações russas de GNL do Ártico e a descartar publicamente a aceitação de novas embarcações desse tipo durante 2026.

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“Esta não é apenas uma questão comercial. É uma questão de segurança da Europa, da credibilidade da Dinamarca e da solidariedade com a Ucrânia”, dizia a carta.

A lista de signatários inclui 51 eurodeputados e 50 membros de parlamentos nacionais.

Eles afirmam que a manutenção realizada antes da entrada em vigor do embargo da UE, no início de 2027, poderá permitir que as embarcações continuem por anos após a implementação das sanções.

“Instamos a Fayard a recusar todos os trabalhos adicionais de reparo e manutenção nos navios-tanque de GNL Arc7 e em outras embarcações que atendem às exportações russas de GNL do Ártico, e a confirmar publicamente que nenhuma outra embarcação desse tipo será aceita em 2026”, dizia também a carta.

O apelo surge na sequência de uma pesquisa realizada pelas ONGs Urgewald , B4Ukrainee Razom We Stand , que identifica a Fayard como o último estaleiro na UE ainda a prestar serviços à frota especializada Arc7, depois de a Damen Shiprepair Brest ter deixado de aceitar esses navios em 2024.

Cada um dos seis navios-tanque Arc7 que deverão necessitar de manutenção este ano transportou, em média, 5,3 milhões de toneladas de GNL russo desde a invasão em grande escala da Ucrânia por Moscovo, transportando cargas avaliadas em cerca de 4 mil milhões de euros por embarcação.

“Isto não é um reparo naval de rotina. Cada navio-tanque Arc7 reparado na Dinamarca pode ajudar a prolongar as exportações russas de GNL do Ártico por anos e enviar milhões a mais de volta ao Kremlin”, disse Alexander Kirk, ativista contra sanções da Urgewald, uma organização alemã de direitos humanos e meio ambiente. 

Por sua vez, Søvndal, eurodeputado dinamarquês, afirmou que a frota Arc7 representa um elo crucial na cadeia de exportação de GNL da Rússia.

"Se a Europa realmente quer prejudicar o negócio de GNL da Rússia com o embargo que começa em 2027, a frota Arc7 é o elo crucial na cadeia logística", disse ele. "A Fayard não deve fazer o jogo da Rússia e preparar os navios para um mercado que a Europa pretende enfraquecer", acrescentou.

O eurodeputado sueco de esquerda Jonas Sjöstedt afirmou: "Cada brecha deixada aberta e cada serviço prestado a esses navios enfraquecem nossas sanções e dão à Rússia mais espaço para continuar financiando sua guerra."

A empresa dinamarquesa de construção naval já havia declarado que cumpria as normas vigentes da UE e contribuía para a segurança marítima.

A empresa sofreu pressão política na Dinamarca, com a primeira-ministra Mette Frederiksen a afirmar que o seu trabalho apoiava o esforço de guerra da Rússia .

"Ainda existe um comércio substancial entre a UE e a Rússia em bens que os países europeus continuam a necessitar", disse Fayard ao EUobsever.

"A Fayard não presta serviços a navios russos. Prestamos serviços a navios pertencentes a empresas de navegação internacionais que operam entre o terminal de Yamal e portos europeus, em total conformidade com todas as regras e diretrizes. Cumprimos as decisões da UE e, consequentemente, essas atribuições cessarão no final deste ano", afirmou a empresa.

Vejamos alguma informação,

  • Em julho de 2026, as receitas de exportação de combustíveis fósseis da Rússia caíram 12% em relação ao mês anterior, para 683 milhões de euros por dia, embora os volumes de exportação tenham permanecido estáveis.
  • As receitas de exportação de petróleo bruto da Rússia permaneceram praticamente estáveis, com um aumento de 1% em relação ao mês anterior, atingindo € 392 milhões por dia. No entanto, esse resultado mascara uma queda de 21% nos ganhos com exportações de petróleo bruto por oleoduto, compensada por um aumento de 7% nas receitas de exportação de petróleo bruto por via marítima.
  • Em julho, as exportações russas de produtos petrolíferos caíram 23%, para 4,7 milhões de toneladas, o nível mais baixo já registrado e menos da metade das 9,6 milhões de toneladas carregadas em julho de 2025. O porto de Tuapse, sob atsque constsmte de drones desde maio
  • praticamente não carregou produtos petrolíferos pelo segundo mês consecutivo.
  • As receitas de exportação de GNL da Rússia caíram drasticamente 36% em relação ao mês anterior, enquanto a Bélgica importou todo o seu GNL da Rússia em julho. 
  • As importações indianas de petróleo bruto russo atingiram um recorde pelo segundo mês consecutivo em julho de 2026, com um aumento de 2,1% em relação ao mês anterior e um valor de 5,5 bilhões de euros. 
  • Apesar da proibição da UE aos produtos petrolíferos fabricados a partir de petróleo bruto russo, 18 carregamentos de refinarias que processam petróleo bruto russo foram descarregados em portos da UE em julho — mais do que o dobro do total do mês anterior.
  • Refinarias na Índia, Turquia, Brunei e Geórgia que utilizam petróleo bruto russo exportaram 633 milhões de euros em produtos petrolíferos para países sujeitos a sanções em julho de 2026.
  • As importações russas de GNL para França, Espanha e Bélgica caíram 46% em conjunto, em comparação com o mês anterior. Entretanto, a Rússia forneceu 100% das importações de GNL da Bélgica em julho. 
  • Em julho de 2026, 53% do petróleo russo transportado por via marítima foi realizado por navios-tanque clandestinos, sujeitos a sanções. Outros 42% do volume foram transportados por navios-tanque de países do G7+. O restante foi transportado por navios-tanque clandestinos não sujeitos a sanções.
  • Em julho, sete novos navios entraram no comércio de petróleo russo; apenas dois desses petroleiros eram de propriedade do G7+ ou estavam segurados por eles no momento do carregamento.
  • Em julho de 2026, 46 embarcações "fantasma" que transportavam combustíveis fósseis russos operavam sob bandeiras falsas no final do mês.