A Ucrânia poderá ter lançado, pela primeira vez desde o início da guerra, um míssil balístico em direção a Moscovo, numa iniciativa que degundo os guerreiros pro ucranianos poderá marcar uma viragem no rumo da guerra.
Durante quatro anos, a Rússia disparava mísseis balísticos que a Ucrânia raramente conseguia intercetar.
Agora, a ameaça parece estar a começar a fazer-se sentir nos dois lados do conflito.
Através de um comunicado divulgado esta semana, o Ministério da Defesa russo fez saber que as suas defesas aéreas intercetaram um “míssil operacional-tático de longo alcance” ucraniano, naquela que é a primeira admissão de um ataque deste tipo desde o início do conflito.
Na terça-feira, 30.06, começaram a circular
imagens de baterias antiaéreas russas S-300 e S-400 a intercetarem um alvo a grande altitude sobre a capital russa.
A altitude em que ocorreram as interceções levou vários analistas a considerar que não se trataria de um drone ou de um míssil de cruzeiro, mas sim de um míssil balístico.
“Devido ao alerta de míssil emitido para a região e à elevada altitude a que as interceções ocorreram, é possível que a Ucrânia tenha utilizado, pela primeira vez, o seu míssil balístico experimental FP-9", observou o site AMK Mapping no X, onde também divulgou duas imagens dos alegados ataques.
Earlier today, Russian S-300/400 air defence attempted to intercept unidentified Ukrainian projectiles over Moscow at high altitude.
Due to the missile alert issued for the region, and the high altitude in which the interceptions took place at, it is possible that Ukraine used their experimental FP-9 ballistic missile for the first time ever.
Ainda não é claro se o projétil conseguiu ultrapassar as defesas russas e atingir algum alvo em Moscovo.
Segundo analistas, os novos sistemas de armamento ucranianos são utilizados em combate numa fase inicial para recolher dados e aperfeiçoar o seu desempenho, mesmo que os primeiros ataques não provoquem danos significativos.
Entre as hipóteses avançadas está a utilização do míssil balístico experimental FP-9, desenvolvido pela empresa ucraniana Fire Point, embora um dos responsáveis da fabricante tenha negado essa possibilidade.
Outra alternativa apontada é o Sapsan, um míssil desenvolvido pela empresa KB Pivdenne e com alcance suficiente para atingir Moscovo, situada a cerca de 450 quilómetros da fronteira ucraniana.
A estratégia de Kiev está , segundo especialistas ouvidos pelo The Kyiv Independent, a testar novas capacidades em condições reais de combate.
A própria Fire Point já recorreu a este modelo com outros sistemas de armas, como o míssil de cruzeiro FP-5, que necessitou de cerca de um ano de testes em cenário de guerra antes de começar a atingir alvos russos com maior precisão e eficácia.