“Quisemos trazer esse caderno reivindicativo, que contém de tudo um pouco o que diz respeito ao mundo laboral. Desde a dignidade do trabalho e do salário, desde as questões da segurança social, desde o desenvolvimento em si do trabalho”, afirmou Eliseu Tavares.
Em relação ao salário mínimo, o presidente do Siscap defendeu que o aumento deve abranger também as restantes categorias profissionais.
“Portanto, para que de facto possa haver um salário mínimo de 30 mil escudos é preciso que todas as outras classes trabalhadoras tenham melhoria efectiva no salário”, sustentou.
Eliseu Tavares afirmou ainda que os trabalhadores enfrentam uma perda significativa do poder de compra. “
Nós neste momento sabemos que há um déficit, como diz respeito, de reposição do poder de compra e é cerca de 22%. Portanto, os trabalhadores antes dessa crise já tinham 22% a menos”, declarou.
Neste sentido, acredita que a actualização salarial deverá ser superior à inflação e defendeu também medidas de redução da carga fiscal.
“Obviamente que um aumento salarial pressupõe-se sempre que seja acima da inflação”, afirmou, acrescentando que “o aumento salarial não é apenas por via de aumentar o salário em si, mas também é por via da diminuição da carga fiscal”.
Eliseu Tavares considera que as alterações realizadas nos últimos anos têm contribuído para a precarização das relações laborais.
“Infelizmente as alterações do Código Laboral assentam essencialmente na erosão dos direitos dos trabalhadores”, afirmou.
No seu entender, “para a revisão do Código Laboral, é preciso que efectivamente as leis sejam mais amigas do trabalho dos trabalhadores, que os contratos possam ser de vínculos menos precários, se possível sem precariedade”.
O dirigente sindical apelou igualmente à implementação efectiva dos Planos de Carreiras, Funções e Remunerações (PCFRs) já aprovados, nomeadamente nas câmaras municipais e nos institutos públicos onde ainda não foram implementados.
Eliseu Tavares mostrou também reservas em relação à previsão de uma inflação de cerca de 2%, afirmando que o sindicato não sente que a evolução dos preços esteja nesse nível.
“Nós, sinceramente, não sentimos que a inflação vá se situar nos 2% e tal”, afirmou.
Para o dirigente sindical, existem controvérsias em relação aos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), tendo defendido a necessidade de esclarecer a situação.
“Portanto, nós sentimos na pele e se os que estão lá dentro denunciaram, quer dizer que é preciso averiguar e ter a verdade definitiva”, concluiu.