A história de José “Dumbo” Samussuco mostra que a verdadeira riqueza de uma organização não se encontra apenas nos recursos que administra, mas nas pessoas que, todos os dias, protegem a sua missão, os seus valores e o seu futuro.

Quando uma manada de elefantes pressente o perigo, acontece algo extraordinário. Os adultos aproximam-se e formam um círculo de proteção. No centro ficam os mais jovens e os mais vulneráveis. Voltados para o exterior, os restantes mantêm-se atentos, unidos e preparados para responder à ameaça.

Naquele momento, nenhum elemento da manada age apenas por si. A sobrevivência de cada um transforma-se numa responsabilidade de todos.

Esta imagem ajuda-nos a compreender o verdadeiro significado de uma organização. Os edifícios, os equipamentos, os sistemas e os procedimentos são indispensáveis. Mas são as pessoas que formam o círculo invisível que protege a confiança, a memória, o conhecimento e o futuro de uma instituição.

José Dumbo Francisco Samussuco é uma dessas pessoas. No seio familiar, chamam-lhe “Dumbo”, nome de origem umbundu que significa “protetor”.

No seu caso, não é apenas um nome. É quase uma definição de vida.

O dia em que tudo poderia ter terminado

7 de abril de 2007.

José conduzia numa autoestrada em Portugal quando os pneus da viatura rebentaram. O automóvel perdeu o controlo, capotou várias vezes e ficou completamente destruído.

Todos os ocupantes sobreviveram graças aos sistemas de segurança da viatura.

Há acontecimentos que duram apenas alguns segundos, mas permanecem dentro de nós durante toda a vida.

Para José, aquele acidente representou muito mais do que escapar fisicamente ao perigo. Foi um momento que reforçou a sua fé, a sua gratidão e a consciência de que a vida pode mudar quando menos esperamos.

O jovem angolano que tinha viajado para Portugal para estudar compreendeu, de uma forma profundamente humana, que nenhum futuro pode ser considerado garantido. É necessário construí-lo. Protegê-lo. Honrá-lo. E foi isso que decidiu fazer.

Longe de casa, mas próximo do seu propósito

Natural do Huambo e criado em Luanda, José chegou a Portugal como bolseiro do então Ministério dos Petróleos.

A distância da família, as exigências de adaptação e os custos de vida tornaram o percurso mais difícil. Ainda assim, entre 2003 e 2009, concluiu a sua formação em Direito na Universidade de Lisboa sem repetir qualquer ano.

Para ele, terminar o curso era mais do que alcançar uma qualificação académica. Era honrar a confiança de quem tinha acreditado na sua capacidade.

Tal como os elefantes transportam consigo a memória dos caminhos percorridos, José regressou a Angola levando consigo não apenas os conhecimentos adquiridos, mas também as marcas das experiências que tinham moldado o seu caráter.

Trouxe o rigor do Direito. Trouxe a capacidade de enfrentar a adversidade. Trouxe uma nova consciência sobre a fragilidade e o valor da vida.

E trouxe a vontade de colocar tudo isso ao serviço do seu país.

Depois de regressar, exerceu atividade docente em diferentes instituições de ensino superior. A sua formação jurídica despertou-lhe um interesse especial pela interpretação das normas aplicáveis aos setores do petróleo, gás e recursos minerais. Era o início de uma ligação entre conhecimento e propósito.

Proteger também é servir

Em novembro de 2014, José ingressou no Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás. Ao longo de quase 12 anos, desempenhou funções como técnico superior e inspetor, acompanhando atividades internas e externas relacionadas com alguns dos setores mais estratégicos da economia angolana.

No MIREMPET, a palavra “proteger” ganhou novos significados. Proteger passou a ser analisar processos com rigor.

Emitir pareceres capazes de apoiar decisões responsáveis. Apreciar denúncias com imparcialidade. Acompanhar o cumprimento da legislação laboral.

Participar em missões inspetivas em plataformas petrolíferas e em projetos mineiros localizados em diferentes províncias.

Contribuir para a medição fiscal do crude, para o acompanhamento da execução dos projetos e para a produção de informação que sustenta a tomada de decisão.

Grande parte deste trabalho acontece longe dos holofotes. Não possui o impacto visual de uma plataforma em alto-mar, o brilho de uma refinaria de ouro ou a imponência de uma grande mina. Contudo, é este trabalho silencioso que ajuda a proteger a legalidade, a confiança, a responsabilidade e a credibilidade institucional.

Uma organização forte também precisa destes círculos de proteção. Círculos formados por pessoas que compreendem que cada processo analisado, cada risco identificado e cada decisão fundamentada pode contribuir para proteger algo maior do que a sua própria função.

A força que começa em casa

Apesar da importância da sua carreira, a maior fonte de motivação de José não se encontra num gabinete, numa plataforma petrolífera ou num projeto mineiro. Encontra-se na família.

Casado e pai de quatro filhos — dois rapazes e duas filhas gémeas — José acredita que a família ajuda a projetar o futuro, reforça o sentido de responsabilidade e dá significado ao esforço diário.

O nascimento das filhas gémeas ocupa um lugar especialmente profundo na sua história. Anos antes, a família tinha atravessado a dor de uma perda gestacional gemelar. Por isso, quando uma nova gravidez de gémeos foi anunciada, a notícia foi recebida como uma bênção e tornou-se uma das memórias mais felizes da sua vida.

A existência que, naquele acidente de 2007, lhe tinha revelado a sua fragilidade mostrava-lhe agora a sua extraordinária capacidade de recomeçar.

Talvez seja por isso que José procura enfrentar os desafios com serenidade, esperança e perseverança.

Dos pais, guardou valores que continuam a orientar o seu caminho: a não violência, a capacidade de encarar as adversidades com equilíbrio e a convicção de que, enquanto houver vida, existe sempre a possibilidade de encontrar uma solução.

Nos momentos livres, regressa à família e à música. Toca piano e guitarra, ouve música, vê filmes e partilha com os filhos uma sensibilidade artística que atravessa gerações.

Porque nem todos os círculos de proteção são construídos com normas e procedimentos. Alguns são construídos com presença, afeto, fé e tempo partilhado.

Uma instituição com rosto humano

Num setor frequentemente comunicado através de barris, toneladas, investimentos e indicadores de produção, o MIREMPET escolheu também contar a história de uma pessoa. Essa escolha tem significado.

Ao dar visibilidade aos seus profissionais, o Ministério mostra à comunidade que, por detrás dos grandes projetos nacionais, existem homens e mulheres com percursos de esforço, conhecimento, sacrifício e sentido de missão.

Uma instituição pública não se aproxima da comunidade apenas quando divulga resultados. Aproxima-se quando permite que os cidadãos conheçam as pessoas que trabalham para alcançar esses resultados.

Ao valorizar José Samussuco como um verdadeiro “Rosto da Casa”, o MIREMPET está igualmente a valorizar todos aqueles que trabalham de forma discreta para proteger os interesses da instituição, do setor e do país.

Está a dizer aos seus trabalhadores que as suas histórias importam. Está a mostrar aos mais jovens que uma carreira sólida se constrói com aprendizagem, humildade e perseverança. E está a recordar à sociedade que a riqueza de Angola não se encontra apenas no seu subsolo.

Encontra-se também no conhecimento, no caráter e na dedicação das pessoas que cuidam dos seus recursos.

A riqueza que não se extrai do solo

José continua a investir na sua formação e sente-se preparado para assumir novas responsabilidades. Reconhece que ainda existem importantes desafios no setor dos recursos minerais sólidos, nomeadamente na implementação dos projetos mineiros, na prevenção de passivos ambientais e no combate à exploração ilegal.

Para ele, esses desafios exigem fiscalização contínua, responsabilidade institucional e compromisso coletivo. Exigem, no fundo, que o círculo de proteção permaneça unido.

A história de José Samussuco ensina-nos que proteger não significa apenas evitar que alguma coisa se perca.

Proteger é criar condições para que algo possa crescer.

É proteger uma família através da presença e do esforço diário.

É proteger uma carreira através do conhecimento.

É proteger uma organização através da integridade.

É proteger os recursos de um país através da responsabilidade.

É proteger o futuro através das decisões tomadas no presente.

As organizações podem ser conhecidas pelos seus projetos, pelos seus investimentos e pelos resultados que apresentam. Mas tornam-se verdadeiramente respeitadas quando a comunidade reconhece nelas uma missão humana.

José Dumbo Francisco Samussuco é um dos rostos dessa missão. Um homem que sobreviveu, aprendeu, regressou e escolheu servir.Chamam-lhe “Dumbo”.Significa “protetor”.

No seu caso, não é apenas o nome que recebeu.É o lugar que escolheu ocupar no círculo — como os elefantes que, silenciosamente, protegem a manada para que todos possam continuar a avançar.