Na missiva, assinada por nomes como Capicua, Helena Roseta, Pedro Abrunhosa, Susana Peralta ou Valter Hugo Mãe, começa por se salientar que, "nas últimas semanas, milhares de cidadãos têm saído à rua em manifestações legítimas pelo direito à habitação e contra o aumento do custo de vida".

Sendo que estes protestos, "invariavelmente pacíficos, têm sido recebidos com um aparato policial desnecessário e desproporcional que, na madrugada deste domingo, e já não pela primeira vez, degenerou em cargas policiais pela calada da noite contra manifestantes não violentos, provocando dezenas de detidos e um número ainda indeterminado de feridos."

"Num Estado de Direito democrático", apontaram ainda, "nunca pode ser admissível que, numa circunstância em que não há violência nas ruas, seja a polícia a iniciá-la". 

"Os portugueses estão a assistir a uma escalada de violência nas ruas das nossas cidades, provocada não por manifestantes, que se têm mantido pacíficos, mas por uma polícia agressiva, que usa o poder coercivo do Estado para desmobilizar pela força protestos não violentos, com o pretexto administrativo de que os direitos constitucionais dos cidadãos se interrompem às 00h30", advogam, acrescentando: "A repressão policial infundamentada, desnecessária e desproporcional gera um alarme justificado junto dos portugueses e coloca em causa direitos fundamentais. Nestas circunstâncias, torna-se urgente e inadiável ouvir a voz do Presidente da República."

A Polícia de Segurança Pública (PSP) violentou  à bastonada, dispersando a multidão que se manifestava pelo direito à habitação.

E fê-lo para que nao houvessem duvidas em duas ações em simultâneo em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão.

As ordens da PSP no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, imiciaram-se  às 00h30, quando, assumiram que as concentrações deveriam ter terminado.

A  intervenção da Unidade Especial de Polícia só aconteceu cerca das 2h00 (hora após a mudança para o horário de Inverno).

No Porto, ouviram-se gritos de "Voltaremos", enquanto em Lisboa os manifestantes clamaram que "O povo unido jamais será vencido", no final das duas manifestações que, até então, decorreram pacificamente e sem incidentes.

Entre manifestações e acampadas, com centenas a milhares de pessoas, os protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto, a 10 de outubro, e expandiram-se a Lisboa.

E nao desistindo milhares de pessoas na Praça D. João I aguardam a marcada assembleia popular

A Praça D. João I, no Porto, voltou esta tarde a encher-se com populares, que ao som de músicas de resistência espanhola e brasileira a ecoarem de colunas, aguardavam pelo início da assembleia popular agendada para esta noite.

Pelas 18h30, a agência Lusa constatou no local milhares de pessoas concentradas na Praça D. João I, onde esta madrugada voltaram a repetir-se episódios de violência contra os manifestantes.

Fabian Figueiredo deu este domingo uma entrevista à SIC Notícias na qual disse ter sido "imobilizado, agredido e depois, posteriormente, retirado" da manifestação desta madrugada no Rossio, em Lisboa.

"Com bastões no joelho, mas isso é o menos relevante do que se passou naquela noite".

"O mais relevante aqui é que procurei ao máximo" que não houvesse uma intervenção policial "musculada, desproporcional, sem qualquer fundamento", afirmou o deputado único do BE, salientando que "estava a decorrer uma manifestação pacífica pelo direito à habitação".

"A polícia, por ordem do Governo, empregou meios como nós já não víamos há muito tempo em Portugal: cães, balas de borracha, gás pimenta, a Unidade Especial de Polícia em grande número, fortemente armada... e a questão é: Porquê? Porque é que o Governo está tão investido em escalar?", afirmou Fabian Figueiredo.

Vinte e sete pessoas ficaram feridas na sequência da atuação das forças policiais, hoje de madrugada, na Acampada do Rossio, em Lisboa, disseram à Lusa fontes dos hospitais de Santa Maria e de S. José.

No Hospital de São José, deram entrada 24 pessoas feridas, tendo a última situação de alta ocorrido às 06h55 de hoje, disse fonte oficial do hospital, enquanto no estabelecimento hospitalar de Santa Maria deram entrada três pessoas com ferimentos ligeiros, que tiveram alta ainda antes da manhã, acrescentou a fonte do hospital de Santa Maria