"Então vou estar do lado de quem? De um Governo que governa para os de cima, borrifando-se para os de baixo e para os jovens? Não, nunca na vida".

Pedro Nuno Santos numa breve declaração aos jornalistas à saída da Assembleia da República, em Lisboa, ao final da noite de terça-feira, acentuou  que está "do lado" de quem se manifesta pelo direito à habitação. "Então vou estar do lado de quem?"

"Eu já disse o que tinha a dizer sobre aquela noite, sobre as várias noites em que jovens protestando tiveram uma reação completamente desproporcional face àquilo que estavam a fazer", começou por assinalar o ex-secretário-geral do Partido Socialista.

Questionado sobre se está "do lado" destes manifestantes, Pedro Nuno Santos foi taxativo: "Então vou estar do lado de quem? De um Governo que governa para os de cima, borrifando-se para os de baixo e para os jovens? Não, nunca na vida". 

Pedro Nuno Santos  já tinha criticado a intervenção policial no Rossio através de um vídeo publicado nas redes sociais no passado domingo.

"Ontem [sábado] foi uma vergonha. Assistimos àquilo que considero um atentado ao Estado de Direito, à Democracia e ao direito de manifestação que tanto nos custou a conquistar. E digo isto porque nós assistimos a uma carga policial violenta, com bastonadas, pontapés, tasers, cães atiçados contra os manifestantes sem que tivesse havido uma razão forte para que a polícia avançasse contra os manifestantes", disse na altura.

Ontem, entretanto, milhares de pessoas encheram desde o final da tarde de ontem o largo em frente à Assembleia da República e as ruas adjacentes, num protesto pelo direito à habitação, que juntou o movimento que organiza a Acampada de Lisboa, no Rossio, e a plataforma Casa Para Viver - e decorreu sem incidentes.

Foram-se realizando vários concertos improvisados de artistas solidários com a causa, como Marisa Liz, que cantou uma versão da canção de Zeca Afonso "A morte saiu à rua".

Vários manifestantes chamados a discursar na iniciativa deixaram também um apelo à realização de uma greve geral pelo direito à habitação e o aumento do custo de vida, depois de esta semana a CGTP já ter admitido convocar uma nova paralisação.

Na manifestação foram também feitos vários apelos à participação de agentes das forças de segurança, como forma de solidariedade: "És cidadão antes de ser polícia", disseram.

Esta decorreu no dia em que começou no Parlamento a discussão na generalidade da proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2027.