Num comunicado, o PCP acentua que "enquanto as populações e os trabalhadores são diariamente confrontados com a falta de meios e recursos para satisfazer necessidades básicas", a "banca comercial anuncia lucros conjuntos do primeiro semestre (dos cinco maiores bancos a operar em Portugal) de 2.519 milhões de euros, tendo 1.136 milhões (mais de metade) sido obtidos através de taxas e comissões bancárias".
Tais lucros,contrastam com a situação difícil que atinge a maioria da população, e são uma expressão das profundas injustiças que marcam a vida nacional.
Na banca privada temos um verdadeiro sorvedouro de recursos do País (grande parte destes lucros vai parar ao estrangeiro), com custos para a atividade económica.
Quem sofre sao os MPME e os “trabalhadores e suas famílias", escreve o PCP.
O partido considera que os lucros da banca "representam recursos extraídos diretamente à economia nacional" e são "extorquidos por via de taxas e comissões que urge limitar e mesmo pôr fim, como o PCP propõe".
O PCP denuncia que, ao mesmo tempo que regista lucros de milhões, a banca encerrou, nos últimos anos, "centenas de balcões e serviços", retirado caixas automáticos, despedindo "milhares de trabalhadores".
"Atacou os seus direitos [dos trabalhadores, reduzindo a sua presença no território com impactos sociais e económicos, em nome do lucro e dos dividendos dos grandes acionistas a quem a banca já prometeu a quase integral atribuição dos lucros", acrescenta no comunicado.
O partido denuncia também o que considera ser o "constante alinhamento de sucessivos governos com o capital financeiro".
"Das privatizações ao financiamento pelo Estado dos buracos da corrupção na banca, da chocante prescrição de crimes de cartelização (agora limitada pela intervenção e iniciativa do PCP na Assembleia da República) à violação das chamadas leis da concorrência, passando por escandalosos benefícios fiscais de largos milhões de euros à extorsão dos clientes através da cobrança de injustificáveis taxas e comissões", exemplifica o PCP.
Para os comunistas, a "dimensão destes lucros não são nem expressão das virtudes da banca nem da situação económica do país, mas sim uma ilustração de uma política ao serviço do capital com a qual é preciso romper".
Os cinco principais bancos a operar em Portugal tiveram lucros agregados superiores a 2.500 milhões de euros no primeiro semestre, num recuo de 3,4% face aos primeiros seis meses de 2025.
Segundo contas da Lusa, Caixa Geral de Depósitos (CGD), BCP, Santander Totta, BPI e Novo Banco - que representam mais de 80% do sistema bancário - registaram lucros totais de 2.519 milhões de euros, o que compara com resultados de 2.607,8 milhões de euros do período homólogo de 2025.
Dos cinco, dois registaram uma melhoria nos lucros (CGD e BCP) e três um recuo (Santander Totta, BPI e Novo Banco).