Para este ministro da Agricultura a dessalinização de água deve ser encarada apenas como "último recurso" sendo necessário uma gestão "inteligente"
"Não podemos deixar fugir a água toda para o mar, temos de armazenar para depois já distribuir", afirmou, alertando ainda para a necessidade de "poupar", com um primeiro recurso para a gestão da água.
Mas na verdade nao podemos olhar para a gestao da agua em modo diadia!
E entao os níveis de água em Portugal têm registado grandes contrastes regionais na última década (2016-2026).
Enquanto o Norte e o Centro mantêm reservas hídricas estáveis e frequentemente acima de 80% da capacidade, as regiões do Sul — em especial o Algarve e o Alentejo — têm vivido com secas severas e níveis de armazenamento muito abaixo da média histórica.
A evolução do armazenamento nas principais regiões hidrográficas reflete este padrão:
- Norte e Centro (ex: Cávado, Douro, Mondego): Apresentam níveis confortáveis e em linha ou acima da média de longo prazo. No atual ano hidrológico, a grande maioria das albufeiras nestas bacias encontra-se com disponibilidades hídricas superiores a 80% do seu volume total.
- Tejo e Ribeiras do Oeste: Registam oscilações, mas têm mantido volumes suficientes para garantir os usos múltiplos e o abastecimento público, apesar de algumas massas de água superficiais evidenciarem desafios na classificação de "bom estado".
- Alentejo (ex: Sado, Mira, Guadiana): Apresenta um histórico recente de decréscimo preocupante. Albufeiras como Campilhas ou Monte da Rocha têm atingido frequentemente mínimos históricos na última década, caindo por vezes abaixo de 15% da sua capacidade.
- Algarve (ex: Barlavento, Sotavento, Arade): É a região mais crítica do país. Na última década, o Barlavento algarvio tem operado sob pressão extrema, chegando a apresentar disponibilidades de água armazenada de apenas 13% da capacidade, o que obrigou a fortes restrições nos usos agrícola e urbano
Mas lá olhar para os seus comparsas e levá-los à poupança e reciclagem…
E diz, "Mas depois temos de agir, se necessário, com redes interligadas", acrescentou.
A falar em Bruxelas, no aConselho de Agricultura da União Europeia, José Manuel Fernandes sustentou que a resiliência hídrica deve responder às necessidades do consumo humano, da agricultura, da indústria e da proteção civil.
Que tal uma gestao integrada ibérica …?
O governante referiu que estão em execução na agricultura projetos superiores a 600 milhões de euros, mas considerou necessário melhorar a utilização das infraestruturas existentes.
Segundo José Manuel Fernandes, "há barragens cuja água poderia ser usada na agricultura e não está a sê-lo, enquanto outras, construídas para fins agrícolas, podem também servir o consumo humano".
Apontou ainda a barragem de Girabolhos como "essencial para a Proteção Civil".
A agricultura é o setor que mais consome água em Portugal, representando cerca de 77% do total captado.
A gestão deste recurso tem sofrido uma profunda reorientação, passando do aumento de infraestruturas de oferta para uma maior eficiência no uso, mitigação da escassez estrutural—especialmente no Sul—e a aposta na estratégia nacional "Água que Une". A
A nível nacional, o tema divide-se em pilares fundamentais:
- O Peso do Regadio: Com cerca de 357.000 hectares de regadio público, a agricultura intensiva de alto valor (como olival, amendoal e vinha) depende fortemente destas infraestruturas.
- Desequilíbrios Regionais e Secas: Enquanto o Alentejo beneficia da vasta albufeira de Alqueva, as regiões a sul do Tejo e o Algarve enfrentam uma aridez estrutural. A escassez hídrica algarvia tem obrigado a cortes severos no fornecimento agrícola e a um foco na dessalinização e reutilização de águas residuais tratadas.
- Estratégia "Água que Une": O Ministério da Agricultura e Pescas tem em curso um investimento superior a 600 milhões de euros no regadio, visando combater as perdas de água, potenciar o armazenamento (em vez de a deixar "fugir para o mar") e otimizar a sua distribuição polivalente.
- Eficiência e Sustentabilidade: Promove-se a modernização dos sistemas de rega (ex: gota-a-gota) e o uso de tecnologias para minimizar a evaporação e a escorrência nas parcelas agrícolas
O ministro defendeu que a dessalinização só deverá avançar em último caso, embora sem ser excluída, e defendeu investimentos nas redes e nos regadios.
"Só em último caso é que iremos para as dessalinizadoras, não excluindo também essa possibilidade. (...) Temos de agir e fazer investimentos, obviamente, nas redes e também, no nosso caso, na agricultura e nos regadios, para que haja poupança", afirmou José Manuel Fernandes, salientando que "os que têm sido mais eficientes na gestão da água e que têm tido maiores poupanças são precisamente os agricultores".
Em Portugal, a disponibilidade de água nas barragens mantém-se estável e favorável para o verão de 2026, com cerca de 75% das albufeiras monitorizadas acima dos 80% da sua capacidade. No entanto, existem contrastes regionais marcados, com o Norte bem abastecido e o Sul (especialmente o litoral alentejano e bacias algarvias) a enfrentar níveis inferiores à média.
A análise por região detalha esta distribuição:
📍 Norte e Centro
- Situação: Armazenamento muito elevado e favorável.
- Destaques: A maioria das albufeiras do Minho, Douro e Tejo operam entre os 83% e os 97% de capacidade (ex: Caniçada e Alto Lindosocom 83% e 67%, respetivamente). [1, 2, 3]
📍 Região de Lisboa e Vale do Tejo
- Situação: Níveis dentro da normalidade para a época.
- Destaques: As principais bacias de retenção que servem a região operam com níveis confortáveis face à média histórica. [1]
📍 Alentejo e Algarve (Sul)
- Situação: Níveis críticos em bacias específicas do litoral.
- Destaques: As bacias do Mira, Arade e o Barlavento Algarvio apresentam níveis de armazenamento muito baixos em relação à sua capacidade total, apesar de algumas barragens do sotavento algarvio terem registado boas recuperações no início do ano hidrológico.
A 6 de julho de 2026 e comparativamente ao boletim anterior (de 30 de junho de 2026) verificou-se o aumento do volume armazenado numa bacia hidrográfica e a diminuição em 14.
Das albufeiras monitorizadas, 67% apresenta disponibilidades
hídricas superiores a 80% do volume total e nenhuma tem
disponibilidades inferiores a 40% do volume total.
Os armazenamentos na primeira semana de julho de 2026, por bacia hidrográfica, apresentam-se superiores às médias de armazenamento do mês de julho (1990/91* a 2023/24).
A quantidade de água armazenada nas bacias hidrográficas era no final de Dezembro superior à média, exceto nas bacias do Mira e Ribeiras do Algarve (Bravura), segundo o Sistema Nacional de Informação dos Recursos Hídricos (SNIRH).
A bacia hidrográfica do Barlavento algarvio, constituída apenas pela Barragem da Bravura, continuava no final de dezembro a ser a que menos quantidade de água reservava, com 54,6%. A média para o mês de Dezembro nesta bacia hidrográfica é de 60,1%.