O Banco dos Estados da África Central (BEAC) aderiu a 9 de julho ao Sistema Pan-Africano de Pagamentos e Liquidação (PAPSS), o que liga os seis países da Comunidade Económica e Monetária da África Central (CEMAC) à rede continental de transferências em moedas locais.

Com esta entrada, o PAPSS passa a abranger 28 países, mais de 190 bancos comerciais e fintechs e 16 operadores de pagamentos (os chamados switches).

A CEMAC reúne os Camarões, a República Centro-Africana, o Congo, o Gabão, a Guiné Equatorial e o Chade, num mercado com mais de 72 milhões de pessoas. O BEAC é um de apenas dois bancos centrais regionais do continente, e emite o franco CFA da África Central. Através de parceiros da rede alargada, os participantes conseguem chegar a mais de 250 instituições financeiras adicionais.

O PAPSS foi lançado em 2022 pelo Afreximbank, em parceria com a União Africana e o Secretariado da Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA). Permite pagamentos transfronteiriços em moedas africanas, sem recurso a uma terceira moeda nem a bancos correspondentes no estrangeiro. No início de 2026, a rede ligava 19 bancos centrais e mais de 150 bancos comerciais, e o salto para 28 países em poucos meses mostra a velocidade da expansão.

A adesão é o primeiro passo. O PAPSS vai trabalhar com o BEAC até ao final de 2026 para integrar as instituições financeiras da região e levar os serviços a empresas e particulares, o que quer dizer que as poupanças prometidas em custos e prazos ainda não chegaram ao utilizador final da CEMAC. Segundo o governador do BEAC, Yvon Sana Bangui, que preside também à Associação dos Bancos Centrais Africanos, o objetivo é tornar as transferências entre a região e o resto do continente mais rápidas e mais baratas. O diretor executivo do PAPSS, Mike Ogbalu III, destacou o reforço da soberania financeira africana, ao permitir que os pagamentos sejam processados e liquidados no continente.

Está também prevista para este ano a fase-piloto com o Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO), que serve oito países francófonos da região.

O contexto é o de um continente que já construiu muitos sistemas de pagamento nacionais e ainda os liga mal. Segundo o relatório SIIPS 2025 da AfricaNenda Foundation, existiam 36 sistemas de pagamento instantâneo em funcionamento em 31 países africanos, que processaram 64 mil milhões de transações no valor de quase dois biliões de dólares em 2024. O desafio do PAPSS é fazer com que estes sistemas comuniquem entre si.