O presidente do Clube da Arrábida lembra que os "javalis são um animal oportunista que encontra alimento muito facilmente, sobretudo junto aos caixotes de lixo".
Sugeriu-se "caixotes inacessíveis aos javalis” que chegaram a ser colocados "durante um ano ou dois e depois foram substituídos por outros, que não cumprem".
A Câmara Municipal de Setúbal "começou a disponibilizar informação ao público com placares chamando a atenção para o perigo dos javalis".
Segundo o dirigente associativo Pedro Vieira aconteceu um episódio semelhante há dois anos: "Apareceram uns sete ou oito javalis na praia, que estiveram na praia desde a primavera até junho. Houve uma ação de correção de densidade com caçadores devidamente credenciados pelo ICNF e esses javalis foram abatidos e retirados da praia."
Mas depois dessa correção, "houve uma polémica muito grande, empolgada pelo PAN, baseada numa campanha muito grande de mentiras e, a partir desse momento, não houve coragem política para dizer não".
"Foi uma ação legal, dentro de um enquadramento legal, e vai ter de continuar a ser feita para evitar problemas. [...] O que aconteceu foi uma retração na emissão de credenciais e agora temos este problema porque os javalis apareceram na praia no início da primavera, foram identificados, o ICNF foi notificado várias vezes e enterrou-se a cabeça na areia", atira.
A questão da interação dos javalis com as pessoas e o problema de saúde pública não são os únicos obstáculos.
O presidente do Clube da Arrábida sublinha que "o javali, se não for corrigido, faz um dano brutal à biodiversidade da Serra da Arrábida".
"Dentro do próprio espaço do parque há uma série de espécies protegidas e que são únicas na Serra da Arrábida, que estão a desaparecer, nomeadamente uma série de espécies de bulbosas, de bulbos, de flores, de orquídeas e por aí adiante, que os javalis comem.
Estão a pôr em risco a existência dessas espécies, porque a população de javalis não está a ser controlada. [...] O javali neste momento não tem um predador natural", afirmou o dirigente .
Em 2025, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas estimava que, anualmente, eram abatidos entre 400 e 600 animais. Este ano, a estimativa aumentou para entre 600 e 700.
Saibamos que o javali (Sus scrofa) é uma espécie exótica invasora de grande adaptabilidade que provoca graves danos económicos na agricultura, desequilíbrios severos nos ecossistemas naturais e riscos sanitários consideráveis para os animais e para a saúde pública.
Entretsnto o partido PAN opõe-se ao abate e à caça de javalis para controlar a sobrepopulação e propõe alternativas como o controlo contracetivo ( forma científica de matar e que é feita sem o conhecimento do alvo) além de denunciar abates públicos e questionar montarias, gerando forte debate político e mediático em Portugal.