Diz Frederico Morais, presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional. "Nós estamos num estabelecimento com 1030 reclusos. A sobrelotação está no dobro e o não haver castigos nas ameaças, não haver transferência de reclusos para regimes de segurança, não haver uma mão mais pesada, digamos assim, levou ao descontrole por parte da segurança. Ou seja, os reclusos, não tendo consequências das atitudes deles, eles vão continuando a esticar a corda. Passamos da violência verbal para a violência física", à TSF.
O problema começou com uma mudança dos serviços de saúde da prisão: "É importante frisarmos que a violência física começou também pelo problema dos serviços clínicos.
Ou seja, mudámos de diretor clínico, de um diretor de clínica geral para uma psiquiatra, onde se perdeu o controlo da medicação. Ao não haver medicação, os reclusos ficam descompensados, e um descompensado levou a duas agressões nos últimos dias a guardas-prisionais. E se formos a ver, aumentaram muito as chamadas do INEM à cadeia para levar reclusos ao hospital de Matosinhos e ao São João. Para lhe dar um exemplo, até para tirar uma limalha, ou para um simples ben-u-ron, estamos a ir ao hospital civil. E o que nos está a preocupar é que isto tudo é uma bola de neve que envolve a segurança do estabelecimento prisional."
Segundo Frederico Morais apenas depois da marcação da greve é que a direção da prisão ficou aberta ao diálogo.
Os guardas admitem recuar caso as condições de trabalho mudem, mas, até lá, haverá alterações na vida dos presos de Custóias.
"Ao marcarmos uma greve, os reclusos passam a ter duas horas a céu aberto, só saem para a cela quem estiver a trabalhar, quem está autorizado ou obrigado pelo colégio arbitral, e permite-nos um controlo maior de reclusos nas atividades e uma concentração maior do número de guardas, visto que há atividades que não vão ser feitas. Isto é uma garantia de segurança para nós, porque nós, no Porto, temos a altura de estar um guarda sozinho para 200, 300 reclusos, e isso é um problema", descreve.
No Estabelecimento Prisional Custóias trabalham cerca de 160 guardas.
À comunicação social, Frederico Morais já tinha alertado para o risco de motim nesta prisão.
Note-se que está tambem a acontecer uma paralisação dos profissionais no Estabelecimento Prisional de Aveiro, que começou na terça-feira, 25.08.