A análise foi apresentada durante participação de Rose Martins no programa Mais à Esquerda, da TV 247.
A analista entende que uma atuação estadunidense poderia causar danos na disputa presidencial brasileira, e apontou as big techs como um dos principais instrumentos capazes de influenciar o ambiente político.
“Eu acho que essa interferência pode ser mais direta a partir das big techs”, afirmou. Segundo Martins, experiências eleitorais recentes indicam como as redes sociais podem operar como estruturas de propaganda política em benefício de determinadas candidaturas. Ela citou o processo brasileiro de 2018 e acontecimentos posteriores nos Estados Unidos e na Colômbia como referências para sua avaliação.
A analista considera que esse mecanismo pode ganhar dimensão maior em 2026. Em sua avaliação, a interferência não precisaria ocorrer diretamente sobre a votação ou a apuração. O caminho mais provável seria a formação de um ambiente político no qual a legitimidade das eleições brasileiras passasse a ser questionada antecipadamente.
“Os Estados Unidos não vão reconhecer a vitória do Lula e eu acho que isso vai significar também uma interferência”, disse Martins.
Para ela, uma eventual contestação não começaria apenas depois da divulgação dos resultados.
“Esse clima de não reconhecimento não vai ser depois que saiu o resultado às 7 da noite. Esse clima de não reconhecimento vai ser há dias antes da eleição”, projetou.
Na avaliação da analista, essa estratégia poderia envolver declarações colocando sob suspeita o sistema eleitoral brasileiro e questionando previamente a validade do resultado.
“Eles vão criar um clima de dizer que há problemas sérios no nosso processo eleitoral e que os Estados Unidos não vão reconhecer”, afirmou.
Sobre a possibilidade de interferência na contagem dos votos ou nas urnas eletrônicas, disse não ter elementos para sustentar essa hipótese.
“Isso eu não saberia dizer com segurança. Eu não sei se eles têm realmente os instrumentos para isso”, afirmou. A sua preocupação está concentrada na capacidade de articulação entre atores políticos e plataformas digitais para produzir uma percepção pública de ilegitimidade do processo eleitoral.
As big techs teriam papel central na circulação e amplificação de conteúdos destinados a colocar em dúvida a eleição.
“Eu acho que eles vão criar um clima a partir das big techs, contando com as big techs, mas o próprio governo dos Estados Unidos, de não reconhecimento das eleições, porque as eleições aqui não foram limpas”, afirmou, ao descrever a narrativa que acredita poder ser construída.
A analista relacionou essa possibilidade à própria estratégia política de Donald Trump nos Estados Unidos. Segundo ela, o presidente estadunidense á trabalha para lançar dúvidas sobre a confiabilidade das eleições de meio de mandato no seu país.
Para Martins, a utilização desse método no Brasil significaria que a disputa pela legitimidade do resultado começaria antes da abertura das urnas.
Dessa forma, a interferência externa não dependeria de uma ação sobre o sistema de votação, mas da capacidade de influenciar a percepção sobre sua confiabilidade.