A Organização Internacional do Trabalho (OIT) está a integrar conteúdos de empreendedorismo nos currículos de centros de formação profissional abrangidos pelo corredor económico entre a República Democrática do Congo (RDC) e Angola.

A iniciativa pretende melhorar a empregabilidade dos jovens e reforçar a autonomia económica das mulheres, combinando a aprendizagem técnica de uma profissão com competências necessárias para identificar oportunidades de negócio, desenvolver atividades geradoras de rendimento e criar uma empresa.

O programa integra a assistência técnica prestada pela OIT ao Projeto do Corredor RDC–Angola, financiado pelo Banco Africano de Desenvolvimento. De acordo com a informação publicada pela organização em 29 de julho de 2026, as atividades apresentadas decorreram na área de influência do eixo Kananga–Kabeya Kamuanga, nas províncias congolesas de Kasai Oriental e Kasai Central.

Embora o projeto esteja associado ao corredor transnacional entre a RDC e Angola, os resultados agora divulgados pela OIT dizem respeito a intervenções realizadas em território congolês. Não foram apresentados, nesta comunicação, dados separados sobre atividades desenvolvidas em Angola.

Entre março e junho de 2026, 20 instrutores de centros-piloto de formação profissional, quatro dos quais mulheres, receberam formação nas metodologias da OIT “Gerar a Sua Ideia de Negócio” e “Criar o Seu Negócio”.

O programa incluiu dez dias de formação em sala e cinco dias de acompanhamento. O objetivo foi preparar os instrutores para incorporarem estes conteúdos nas aulas e orientarem os formandos na construção de ideias e projetos empresariais.

A mesma abordagem chegou a 100 estudantes finalistas e recém-graduados, incluindo 60 mulheres. Para além das competências técnicas relacionadas com as respetivas profissões, os participantes aprenderam a identificar oportunidades, desenvolver ideias de negócio e preparar planos empresariais.

A iniciativa não limita, assim, o percurso profissional dos jovens à procura de um emprego por conta de outrem. O trabalho independente e a criação de pequenos negócios passam também a ser considerados possibilidades concretas de inserção económica, particularmente em comunidades onde o emprego formal continua a ser insuficiente.

Numa segunda vertente, 20 consultores empresariais, nove deles mulheres, foram capacitados na metodologia “Inicie e Melhore o Seu Negócio”, desenvolvida pela OIT para apoiar empreendedores e pequenas empresas.

Depois da formação, estes consultores ministraram cursos de gestão empresarial, em línguas locais, a 100 empreendedores que já exerciam uma atividade económica. Entre os participantes encontravam-se 59 mulheres.

Os conteúdos abrangeram o funcionamento quotidiano de um negócio, planeamento, marketing, cálculo de custos, manutenção de registos e estratégias destinadas a melhorar a rentabilidade e o desempenho das atividades empresariais.

Foram ainda distribuídos 120 manuais e materiais pedagógicos pelos instrutores, formandos, consultores e empreendedores. A OIT considera que a utilização de conteúdos comuns pode facilitar a continuidade do programa e a integração progressiva destas metodologias nos centros de formação.

Os resultados apresentados mostram um alargamento do acesso à formação empreendedora, mas ainda não permitem concluir quantos empregos ou empresas foram efetivamente criados. A OIT não divulgou, até ao momento, dados sobre a inserção profissional dos participantes, a abertura de novos negócios ou a sustentabilidade das atividades apoiadas.

A próxima fase será, por isso, decisiva. O verdadeiro impacto do programa deverá ser medido pela capacidade de transformar a formação adquirida em emprego digno, rendimento estável e empresas capazes de sobreviver para além do período de apoio institucional.