De acordo com o Itamaraty, Lula também defenderá a negociação como instrumento para resolver disputas, o respeito ao direito internacional humanitário e o princípio da não interferência nos assuntos internos de outros países.

Nesta sessão anual da Assembleia Geral o debate de alto nível com presidentes, primeiros-ministros e representantes dos 193 países-membros acontecerá entre 22 e 28 de setembro.

O tema definido pela ONU para 2026 é “Restaurar a confiança, administrar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que produza resultados para todos”, conforme a programação oficial.

O facto do Brasil iníciar os discursos vem  de uma tradição consolidada desde os primeiros anos das Nações Unidas que se não formalizada numa regra escrita, a precedência brasileira tornou-se uma das marcas da Assembleia Geral e amplia a repercussão internacional da mensagem levada pelo país.

Neste ano, a tradição ganha peso político adicional com Lula neste  encontro por entre uma multiplicação de conflitos armados, o enfraquecimento das instituições multilaterais e o avanço de medidas unilaterais tomadas por grandes potências. Perante tal o PR Lula da Silva  apresentará o Brasil como uma voz em defesa da diplomacia e da construção de soluções negociadas.

Os eixos da intervenção brasileira na ONU serão a defesa do multilateralismo e a reforma do Conselho de Segurança.

O Brasil defende  que a estrutura do órgão, definida no período posterior à Segunda Guerra Mundial, já não representa a distribuição contemporânea de poder nem contempla adequadamente a presença da América Latina, da África e de outras regiões em desenvolvimento com um Conselho formado por 15 países, e so  Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido a ocuparem assentos permanentes e com  poder de veto.

Este modelo reduz a legitimidade das decisões e frequentemente paralisa a atuação das Nações Unidas diante de guerras e crises humanitárias.

A defesa da reforma também será discutida no âmbito do G4, grupo composto por Brasil, Alemanha, Índia e Japão com estes  quatro países a reivindicarem assentos permanentes numa eventual ampliação do Conselho e coordenam posições durante as reuniões anuais em Nova York.

A defesa da soberania deve ocupar posição central no pronunciamento de Lula com o presidente Lula a rejeitar intervenções externas e medidas coercitivas unilaterais, além de reafirmar que diferenças políticas e comerciais precisam ser administradas por meio do diálogo e das instituições internacionais.

Lula também deverá abordar o aumento das guerras e a incapacidade do Conselho de Segurança de produzir respostas efetivad com o  governo brasileiro a  defender  um cessar-fogo, proteção à população civil, o acesso à ajuda humanitária e negociações diplomáticas como princípios aplicáveis aos diferentes conflitos.

Entretanto e olhando para o momento eleitoral vivido no Brasil constata-se que o presidente Lula da Silva lidera a corrida presidencial no primeiro turno e aparece tecnicamente empatado com seus principais adversários nas simulações de segundo turno, segundo a nova pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira, 21.09. Contra Flávio Bolsonaro, Lula está numericamente à frente por 46% a 45%.