"Os dados dizem também outra coisa, que raramente se cita: os jovens portugueses são dos mais curiosos e mais persistentes da OCDE, pois apenas 20% consideram que a escola foi uma perda de tempo. O problema não é a falta de vontade de aprender, o problema está no que se aprende e como se aprende e na desigualdade socioeconómica que continua a pesar mais em Portugal do que noutros países da OCDE", pondo o dedo na ferida.
Para o Presidente da República, há que fazer "novas perguntas" sobre que país se quer construir, tendo em conta que "todas as gerações são diferentes, e ainda bem que o são".
"Mas fazer novas perguntas não nos deve distrair da necessidade de nos organizarmos melhor para implementar as respostas, fazê-lo com consistência, com financiamento e monitorização da sua alocação e, acima de tudo, vontade política de longo prazo. Esse é o debate que precisamos de ter", assumiu.
Declarou a seguir que o que mais o preocupa são as desigualdades, e mencionou que "um dado circulou nos meios de comunicação social, e foi rapidamente esquecido: apenas 3% dos estudantes colocados no ensino superior eram beneficiários do escalão A da ação social - o apoio destinado às famílias com menores rendimentos".
"Três por cento. Os estudantes de famílias com menores rendimentos continuam profundamente sub-representados no ensino superior. A universidade deve ser um elevador social. Mas um elevador que só apanha 3% de quem precisa de subir não é um verdadeiro elevador, assemelha-se mais a uma escada apenas para quem já tem força para a subir", criticou.